sábado, 26 de abril de 2014

QUANDO ABRIL AQUI PASSAR...



No cancioneiro de Abril, o nome de José Mário Branco é inconfundível. A sua obra é reconhecida como tendo um papel muito importante na renovação (e eficácia) da canção de intervenção de quefoi intérprete e compositor. É surpreendente o seu sentido musical, a capacidade de invenção poética, a sensibilidade para fazer dos versos uma arma de combate. Talvez, por isso, ele ficou tão ligado ao Zeca e ao emblemático "Cantigas de Maio", gravado em Paris, muito antes do 25 de Abril (o Francisco Fanhais também lá esteve na produção desse disco). Se agora me lembro do Zé Mário Branco é que o seu nome e muitas das suas canções estiveram esquecidas nestes quarenta anos do 25 de Abril. Mas o Zé Mário está aí e ainda incomoda. Às vezes, é preciso ir ouvir coisas de há quarenta anos (lembram-se do FMI?) para termos algum sobressalto cívico. Mas quando ouvimos a voz de José Mário Branco parece que tudo fica certo e respiramos um pouco melhor a utopia de Abril. Como nesta canção, "Eu vim de longe", que hoje aqui deixo e que é, também, um cravo vermelho de saudade para o António Jorge Branco, seu irmão, que foi dos maiores jornalistas portugueses da rádio, grande amigo e camarada, que prematuramente nos deixou. Um abraço para o Zé Mário,


A ESTRATÉGIA DA ARANHA


Quase ao mesmo tempo em que Portugal festejava o 25 de Abril,o dia da libertação, sujeitos da União Europeia, da Comissão e do Eurogrupo, seguindo o FMI, davam a táctica e a estratégia para prolongar o sofrimento e a desgraça dos portugueses.  Às vezes, nem se chega a conhecer o rosto desses funcionários cinzentos que tratam os membros do governo português como lacaios ou moços de estrebaria.
Agora, no contexto do 25 de Abril, como provocação boçal, foi vê-los a despejarem sobre as cabeças dos ministros mais medidas de austeridade, acenado com o cutelo de cortes de salários no privado, de mais saques aos reformados e pensionistas, tudo a somar à canga dos impostos que "o boi da paciência" em que se transformou o povo português mansamente vai aguentando. O outro energúmeno, que é banqueiro, tinha razão: "ai aguenta, aguenta".
Tanto aguenta que recentemente o Banco de Portugal veio dizer que os equilíbrios alcançados nas contas públicas radicavam, sobretudo, nos impostos que o povo vem pagando, já que a despesa do Estado até aumentou...
Condenaram-nos a um universo absurdo. E, no meio disto tudo, ainda temos de suportar o Passos Coelho a tratar os jovens como idiotas dizendo-lhes que "a democracia e a liberdade têm de ser regadas todos os dias". A avaliar pelo que tem feito o primeiro-ministro deve ser rega com algum insecticida fatal, pois ele não tem feito outra coisa senão salgar o território de que se tornou dono. E Cavaco, parecendo ter desembarcado de outro planeta, a falar nos consensos para manter a desgraça. Apetece-me citar um provérbio checo, que um dia ouvi dizer a Jorge Listopad: que Deus nos ajude, se Deus aqui estiver...

sexta-feira, 25 de abril de 2014

QUE FORÇA É ESSA, AMIGOS?


Podíamos interrogar como na canção: que força é essa, amigos? Na noite fria, quando soam as doze badaladas do relógio dos Paços do Concelho (como no Primeiro de Dezembro), a população, seguindo a Banda que toca a Grândola, faz sua a geografia tradicional da cidade e vai pelas ruas celebrando o 25 de Abril. Chamam~lhe a Arruada. Há quarenta anos que isto acontece assim e é como se todos, olhando para o nascimento do dia 25 de Abril, quisessem saudar, renovando-a, a madrugada que todos esperávamos, "o dia inicial inteiro e limpo" (Sophia).
Este ano, a temperatura quase negativa que desceu sobre a noite, afastou muitos, mas os que se juntaram e navegaram pelas ruas, cantando a Grândola, fizeram-no com a determinação de sempre. Viva o 25 de Abril! - gritou-se num coro que é sempre o voto colectivo de reconhecimento pelo dia da libertação. A festa popular, que em cada ano se renova, é sempre bonita. Que força é essa, amigos? A força está na raiz do 25 de Abril.

quinta-feira, 24 de abril de 2014

A ESPERANÇA REPRODUZ-SE



As sílabas da palavra LIBERDADE dançaram ontem connosco, ao longo de quase duas horas, no espectáculo de Sérgio Godinho, no Cine-Teatro Avenida, em Castelo Branco. Na música e nos poemas que fizeram a ponte entre memórias de ontem e hoje, Liberdade foi sempre a palavra dominante, que dominava o espaço cénico (num mecanismo cenográfico ao mesmo tempo simples e eficaz), e, como todos sabemos, não há melhor palavra para celebrar Abril do que Liberdade. Faz parte da caligrafia do 25 de Abril e, por isso, Sérgio Godinho a foi buscar para a sua festa da canção. Aconteceu, então, um espectáculo muito bonito. Era essa voz inconfundível, esse timbre do Sérgio, servido por uma banda de grande qualidade, a povoar a noite de Castelo Branco e foi como se o teatro, de repente, se abrisse a uma noite de estrelas no céu, com as cores da liberdade, que são todas as cores, como nos versos de Jorge de Sena.
Sérgio Godinho não fez um concerto saudosista nem nos colocou a lágrima ao canto do olho; o seu propósito era menos apelar à emoção fácil do que fazer pensar o tempo,  e daí que partisse da actualidade para ir ao 25 de Abril (e ao Zeca) buscar a raiz e a seiva da sua mensagem. Nessa ponte, feita de canções novas e antigas, íamos sempre dar ao 25 de Abril, como se naquele momento, as pessoas que enchiam o recinto, com "um brilhozinho nos olhos, pensassem colectivamente: a Liberdade está a passar por aqui!
O concerto tinha, de facto, essa unidade de memória viva e, por isso, também, quando Sérgio Godinho trazia ao nosso convívio aquelas canções referenciais do 25 de Abril, parecia que o tempo fluía naturalmente e elas estavam, ali, connosco, para fazer corpo com a esperança que, dizem, é a última coisa a morrer. Depois, por mais voltas que se dêem, quando são as canções a falar de Abril, é sempre ao Zeca Afonso que se regressa. Zeca eAbril. Abril e Zeca. Sérgio Godinho interpretou Os Vampiros e aquela canção que não figura em discos sobre a António Maria Cardoso, o reduto da ignomínia da PIDE, as quatro letrinhas da vergonha. Foi um momento alto.
E para que o 25 de Abril estivesse em plenitude, como se fosse um tan-tan interior a sacudir-nos, aquela que tanto ecoou como sinal do projecto de um país novo e de exacta justiça: "Só há liberdade a sério quando houver/A paz/habitação/saúde/educação".
É esse o grande mistério: as canções caminham ao nosso lado -- e a esperança reproduz-se.



quarta-feira, 23 de abril de 2014

JOAQUIM MORÃO: SONHO DENTRO DA CIDADE

JOAQUIM MORÃO
Às vezes, ponho-me a pensar o que escreveria o senhor Torga, no seu diário, se agora visitasse Castelo Branco. Tão distante do tempo cinzento em que o escritor a visitou e a anatematizou com a singular definição de “cidade de guarnição”, encontrando nela apenas uma “recordação de outras cidades, provincianas e tristes”, o poeta, sensível como era à luz da harmonia (que faz a poética das cidades no seu respirar dos dias) e a horizontes rasgados de futuro, olharia decerto a realidade urbana com outro coração e aquela recomendação de “encher os olhos da mesma paisagem tantas vezes quantas forem necessárias para que ela seja dentro de nós um cenário quotidiano”. Que veriam hoje os olhos do escritor, que sensações perscrutaria da topografia urbana da cidade, que anotações faria no seu inventário das horas? Penso nisso através dos meus próprios passos, nos instantes em que subo ao castelo e desço a rede arterial de estreitas ruas com história, onde a requalificação recupera tempos perdidos, descubro a valorização do espaço público na reorganização dos espaços, detenho-me em praças onde o rumor do mundo, em gestos e palavras de gente nova, é sinal de alegria de viver, ou avanço por equipamentos colectivos que são linhas do novo rosto citadino. Penso nisso agora, outra vez, quando os dias se fecham em descrença e a vida das terras parece implacável em relação às oportunidades perdidas, e o pensamento, enquanto vadia pelos detalhes urbanos e poisa em memórias fragmentárias do tempo, em rostos e acontecimentos, momentos bons, acolhe-se à ideia de que uma cidade, pensada à escala do futuro possível, é bom porto para povoar os dias concretos com a matéria dos sonhos ou porventura caminhar na ilusão de ser possível habitar a felicidade mínima, que se tornou, também, direito expropriável. Uma cidade é esse desafio de circunstâncias, essa capacidade de oferecer horizontes largos, contra a mesquinhez do provincianismo, esse universo pessoal de afectos, essa liberdade de fazer o caminho andando como quem lavra terra sua, esse sortilégio de navegar por entre o tempo (e os tempos) que a cidade foi sedimentando na sua edificação colectiva. Castelo Branco é território dessas realidades.Em poucos lugares se respira, de forma tão objectiva e intensa, essa consciência transformadora da sociedade urbana, em tudo o que comporta a vida plena de uma cidade. É preciso dizer que subjacente à mudança há um pensamento, uma ideia inicial, um propósito projectivo, que foi capaz de pensar a cidade fora das muralhas do imediato, na procura de um diálogo plural em que não faltaram contributos de especialistas. Digamos as coisas como elas são: há mais de uma década, um homem chamado Joaquim Morão, iniciou essa transformação qualitativa no tecido albicastrense. Pode dizer-se que ele dilatou a cidade no tempo. Mudou radicalmente as acessibilidades, requalificou e modernizou o sentido urbanizador, polarizou oportunidades de emprego, ordenou e disciplinou o que estava caótico, equipou culturalmente a cidade, de que o Museu Cargaleiro e o Centro de Cultura Contemporâneo de Castelo Branco são os últimos elementos enriquecedores. Como eu gostaria que o senhor Torga pudesse passear hoje pela cidade para acrescentar uma página ao seu diário...
Ontem, Castelo Branco prestou um tributo de gratidão a Joaquim Morão. A Câmara atribui-lhe a Medalha de Ouro da Cidade, quem mais do que ele mereceria essa distinção? E foi bom ver e sentir o universo de afectos, à volta de Morão, numa festa que tinha claramente o traço distintivo do abraço do povo de Castelo Branco, como se a cidade inteira quisesse dizer ao seu "presidente" que ele tem o seu nome inscrito dentro do coração da cidade.

terça-feira, 22 de abril de 2014

APOLOGIA DOS ESCRAVOS MODERNOS



E vêm mais receitas do FMI: reduzir salários e facilitar despedimentos. Ainda mais! Dizem eles que isso criaria emprego mais rapidamente. Tem-se visto. Estes tipos querem mesmo transformar Portugal num reduto de pobreza, de trabalho precário e desvalorizado, espécie de escravatura moderna. É espantoso como, num país já tão avergoado à miséria, se atrevem a dizer estas coisas sem morrerem de vergonha. Vergonha? Há quanto tempo, com crimes e desgraças à mistura, já a perderam?
Então, os tipos do FMI, no relatório da 11.ª avaliação ao programa português, voltam a fazer da legislação laboral um entrave à retoma (!) e à criação de emprego.Mais flexibilidade, pedem eles. Quer dizer: menos direitos e garantias a quem trabalha... E salários mais baixos para facilitar a competitividade. Devem pensar -- e com eles os seus capatazes do governo -- que competitivo, competitivo é o trabalho escravo.
Por isso, Passos Coelho avisava que vinha aí pancada... E sob esta filosofia, surgem as mentirolas do governo, de Passos & Portas, sobre o aumento do salário mínimo e redução de impostos. Cães da mesma ninhada. A verdade é, de facto, uma espécie em extinção.

segunda-feira, 21 de abril de 2014

CEM ANOS DE SOLIDÃO


Na edição de ontem, domingo, o "El Pais" publica mais um conjunto de artigos evocativos de Gabriel Garcia Marquez. E lá vem reproduzida a primeira página do manuscrito original de Cem Anos de Solidão. É com emoção que olho para a imagem da folha amarelecida onde se inicia a fabulosa viagem: "Muitos anos depois, diante do pelotão de fuzilamento, o coronel Aureliano Buendía haveria de recordar..."
Aqui a partilho.

A PALAVRA COMO COMBATE




Trago hoje aos leitores de "Notícias do Bloqueio", o artigo que, sobre o meu livro, "Crónica do País Relativo" (Vol.II) Baptista-Bastos publicou no "Jornal de Negócios", no dia 17 de Abril.  O texto intitula-se "A Palavra Como Combate" e penso que a sua leitura transcende a circunstância pessoal de analisar um livro meu para ser uma reflexão de actualidade sobre o jornalismo português.

Decidi, ao reler, esta semana, "O País Relativo", de Fernando Paulouro Neves, aprofundar o que já escrevera, até porque o que por aí se escreve leva-me até ao desgosto da palavra. Este segundo volume de "O País Relativo" continua o projecto de cartografia dos factos e dos sentimentos ocorridos entre nós e os outros, e corresponde às vigílias intelectuais, morais e políticas de Fernando Paulouro Neves. Este homem sereno, atento e culto nunca depôs a caneta por canseira, nem nunca dela se serviu para se cumpliciar com as futilidades do nosso tempo. É essa constância, essa procura da razão das coisas, esse estilo límpido, nítido, belíssimo pela sua aparente singeleza, que fazem do Fernando Paulouro Neves um dos grandes jornalistas portugueses, de uma raça que parece condenada a desaparecer, afogada nas teses tão absurdas, abstrusas e emasculadas da "distanciação.
Repositório de episódios, casos, circunstâncias, histórias com agá grande e agá pequeno, este volume, como o primeiro, adiciona às incertezas do momento a clareza interpretativa de um homem, sabedor de que o inacabamento das coisas não impede a sua análise nem a reflexão de quem aprendeu que por dentro delas é que elas estão e são. Notas, comentários, anotações, pequenas iras e grandes afectos; memória dos que estão esquecidos pelas turbulências da época ou pela ignorância deliberada dos que recusam o conhecimento, a experiência e a prova; pequenas evocações da grandeza simples do humano; retratos impressivos dos que marcaram os dias; a brevidade natural do ser humano - tudo isso, e muito mais do que isso, este volume contém.
Vejo sempre este meu dilecto amigo a escrever sobre as batidas do coração, debruçado na máquina de escrever, ou a batucar nas teclas do computador, tocado dessa vertigem inexplicável de recriar o que está, o que viu ou o que sentiu e experimentou. No coração da Beira Interior, no seu jornal de sempre, o mítico e lendário "Jornal do Fundão", a cuja história entregou o sangue, a alma e a saúde, o Fernando Paulouro deu continuidade, modernizando-a, à realização de seu tio, o António Paulouro, e fez daquele nobre semanário um marco no armorial do ofício. Percebe-se, quando se lê este livro, que o autor pertence a uma velha escola da reportagem, e à tarimba do noticiarismo.
Ele não é um produto exterior ao jornalismo: ele faz parte da própria essência do jornalismo, e atinge os grandes níveis profissionais porque conhece os caboucos da Imprensa e a natureza do ser humano. Depois de uma longa e rude caminhada pela arte de ir ali, volta depressa, escreve limpo, asseado e claro, é que Fernando Paulouro se habilitou ao comentário político, à nótula social, à intervenção pessoal de ajudar os outros a compreender a nebulosidade do que acontece. Ele não é um articulista de aviário, desses muitos que por aí andam, estipendiados dos senhores do mando; ele é um homem livre, dos já raros, e por isso pagou o preço de o ser.
Um grupo de sicários, desses cuja incultura impõe as leis iníquas sob as quais vivemos, e a quem Cornelius Castoriadis designou de "geração da insignificância", está a regular o exercício global do poder político. O processo não é de agora, mas só agora, com a Europa contida pela ideologia do Partido Popular Europeu, a questão se tornou transcendente, e a impotência e a capitulação das forças cuja constituição as obrigaria a resistir, mais as debilidades dos políticos se acentuaram. Assim, e a experiência portuguesa no-lo testemunha, o Estado tem-se conduzido como um "actor de mercado", um títere sem vontade própria.
Neste contexto, mais imperiosa e urgente se torna a voz daqueles que, como o Fernando Paulouro Neves, fazem do acto de viver uma outra moral em acção, e do ofício de defender ideias, alinhando palavras, um combate único e indispensável. Este livro resulta das inquietações de um homem livre, corajoso e decente. Todos os textos, ou quase, foram, primeiramente, editados no "Jornal do Fundão", que, durante décadas, resgatou com a honra e a insubmissão, a miséria da Imprensa. As sombras dos medos e das cobardias parecem quererem regressar. Mas continuo a crer que textos como os de o autor deste volume são uma obstrução aos vis intentos desses que tais. Como um dia disse Manuel da Fonseca, "cá estamos, para o que der e vier".

domingo, 20 de abril de 2014

O ELOGIO DA POESIA


Gabo, Gabriel Garcia Marquez, outra vez. O "El Pais" publicou um excelente suplemento sobre a vida e a obra do autor de Cem Anos de Solidão e tantos outros romances que se tornaram pertença universal. Relembram-se aí as palavras que Garcia Marquez proferiu, quando, em 1982, foi distinguido com o Prémio Nobel da Literatura e fez a emocionante confissão: "Em cada linha que escrevo trato sempre, com maior ou menor fortuna, de invocar os espíritos esquivos da poesia e trato de deixar em cada palavra o testemunho da minha devoção pelas suas virtudes de adivinhação e pela sua permanente vitória contra os surdos poderes da morte". E, de facto, a ficção de Gabriel Garcia Marquez tem sempre uma surpreendente dimensão poética ou não tivesse ele inventado um realismo fantástico que, precisamente, faz sempre da poesia alimento primordial. Então, voltemos às suas páginas mágicas, à sua reinvenção de mundos, à sua forma de fazer da condição humana a raiz essencial da sua escrita. Desde o dia 17 de Abril, data da sua morte, que eu percorro os seus livros reincorporando na memória o que posso da sua fabulosa aventura criadora. E a sensação estranha que me acompanha é como se, ao lê-lo, eu estivesse junto  a um familiar.
Gabriel Garcia Marquez. Sena Santos, em O Mundo de Francisco Sena Santos, fez uma crónica que é, também, um afectuoso retrato de Gabo, ou de Gabito,como ele diz. Oiçam.GABO, VIVER PARA CONTAR. COM MAGIA.