sábado, 3 de maio de 2014

DORIVAL CAYMMI



Passou no dia 30 de Abril o primeiro centenário do nascimento de Dorival Caymmi (1914-2008). Como Jorge Amado na literatura, mergulhou fundo nas raízes da Bahia, que cantou com o coração e um enorme talento, reconhecido por sucessivas gerações. Vêmo-lo a cantar com o António Carlos Jobim, com Chico Buarque, Gal Costa, Ellis Regina ou Maria Bethânia. Abraçado à viola, de que era exímio intérprete, compôs canções que o tempo não deixou morrer. Caymmi e o mar, Caymmi e os pescadores, Caymmi e o que a baiana tem... é um nunca acabar de uma expressão musical e um canto extremamente originais.
Neste centenário é bom revisitá-lo e perceber mais fundo a sua obra, a sua invenção poética e musical, a sua identificação com as sonoridades suaves de São Salvador da Bahia. Depois de uma longa distância de silêncio, fui agora à procura da sua voz e, ouvindo canções como O Mar, o Bem do Mar, Pescadores, as canções praieiras, voltamos a sonhar com outras e longas navegações num universo criador em que o amor voa com a imaginação.
Acrescento a esta lembrança de Dorival Caymmi, a crónica, excelente, como sempre, de Fernando Alves, nos seus Sinais da TSF.
2014-03-21 Tocar de novo no mundo


sexta-feira, 2 de maio de 2014

MEMÓRIAS DE MAIO



Durante 48 anos, Maio foi um mês proibido em Portugal. A Censura cortava mesmo alusões a Maio que, às vezes, eram meras saudações à Primavera, porque desconfiavam de metáforas ao tempo novo. Para já não falar de tudo o que tinha a ver com a festa dos trabalhadores, o 1.º de Maio, cuja simbologia, de alcance universal, se tornou, ao mesmo tempo, uma data de festa e de luta, qualquer coisa que é inquebrantável do progresso e da felicidade humana. Por isso, esse dia guarda intacta toda a utopia que um acontecimento colectivo pode conter. Por isso, decerto, Maio carrega consigo uma história tão longa de proibições que ditaduras, vigilantes, desejavam tornar eternas.
A verdade é que sempre o 1.º de Maio foi dia de protesto, de reivindicação e de muitas indignações. Em Portugal, furiosamente proibido, não faltaram manifestações de protesto contra o salazarismo que originaram violentas cargas da polícia de intervenção e muitas prisões, como aconteceu, por exemplo, em Lisboa, em 1961 e 1962. Uma bandeira vermelha, gestos vibrantes de protesto e palavras ou canções semeadas ao vento, era quanto bastava para a fúria da besta repressiva.
Lembro-me sempre de como o 1.º de Maio, no Tortosendo, originava vagas de prisões e do medo que os instrumentos repressivos da ditadura instalava na vila, que a PIDE chamava de "vermelha". Mas os operários do Tortosendo, muitos ligados ao Partido Comunista, não se vergavam e tentavam assinalar a data, às vezes disfarçando a festa proibida de pic-nic, ao fim da tarde e do dia de trabalho, perto da Ponte Pedrinha, à beira Zêzere. Até isso reprimiam! Houve um ano, em que a vila parecia estar em pé de guerra, com metralhadoras à flor da rua, na presunção que assim baniam aquele dia do calendário. Lembro-me bem das notícias preocupantes e das prisões trazidas pelo Américo de Oliveira, que era meu camarada de trabalho no jornal, ou pelo José Laço Pinto, correspondente do "Jornal do Fundão", que era uma pessoa excepcional e nos deixou há meses.
O Américo de Oliveira movimentou muita solidariedade à volta dos presos políticos, e partia sempre com campanhas de donativos para as famílias, que ficavam à mercê da miséria. Com o seu ar sereno, uma vez (penso que na última vaga de prisões), o Américo, que desencadeara uma dessas campanhas, foi pedir donativo ao vice-presidente da Câmara, a quem no Fundão chamavam "o Tózinho da Notária", que era uma pessoa que vivia rodeada de medos. O Américo de Oliveira, que ele conhecia bem, explicou-lhe ao que ia. Ele ficou branco. Entregou-lhe um donativo, em exercício caridoso, pedindo-lhe que ninguém soubesse de nada. E, tremelicando de medo, avisou:
-- "Tenha cuidado. Se a PIDE sabe uma coisa destras, é a nossa desgraça..."
O Américo de Oliveira explicou-me que isto era a sua defesa, em caso de intervenção da PIDE: uma actividade tão legal que até tinha sido previamente comunicada ao vice-presidente da Câmara...
O José Laço era uma pessoa de grande cordialidade, que abria sempre um sorriso às circunstâncias difíceis e que realizou um trabalho notável de informação sobre os problemas sociais do Tortosendo. Fez do"Jornal do Fundão" a sua tribuna. Foi um extraordinário correspondente e viveu intensamente batalhas a favor da instalação do Ensino público, da habitação social, de grandes e pequenas questões que, nos anos 60 e 70, condicionavam o quotidiano tortosendense. Essa sua forma de agir reflectia-se no associativismo do Unidos, a que deu grande visibilidade, defendia o interesse público e a situação das pessoas com unhas e dentes.
Há tempos, escrevi neste espaço um texto de memória sobre rostos de cidadãos do Tortosendo, que lutaram pela liberdade, a que chamei os combatentes da sombra.Alguns, precisamente, foram presos por que lutavam pelo direito a festejarem o dia do Trabalhador. José Laço faleceu pouco depois.
Agora, neste Maio de sol, festejado em liberdade, sem os mastins da PIDE e da repressão a morderem as canelas dos cidadãos, junto aos combatentes da sombra, o nome de José Laço Pinto. E uma cantiga do Maio, do Zeca, como um aceno de esperança nestes dias sombrios, em que os trabalhadores e as pessoas parecem ter sido condenados ao desespero.



quinta-feira, 1 de maio de 2014

ZECA CELEBRADO EM MALPICA



Malpica do Tejo, de onde se divisa a Espanha, com o mais belo rio que passa e não passa na minha aldeia, a dois passos, tem casas baixas e oliveiras, muitas oliveiras, e uma paisagem rasgada de grandes horizontes, a caminho do Alentejo. É uma terra com um tempo longo  cheio de servidões, que verdadeiramente se libertou de vassalagens com o 25 de Abril. Esse traço distingue-a de outras terras, porventura com problemas históricos idênticos, mas os malpiqueiros tiveram sempre um sentido alto de dignidade e não terá sido, por caso, que ali aconteceu uma ocupação de terras, quando Abril ali chegou, dando expressão a motivações comunitárias de liberdade, que é uma das suas identidades. Talvez resida nessa raiz o êxito do Lagar Cooperativo, com tecnologia moderna, que é hoje um elemento vivo do desenvolvimento local.
Foi essa Malpica do Tejo que celebrou hoje o Primeiro de Maio com uma iniciativa que envolveu toda a freguesia: a homenagem a Zeca Afonso. E não se ficou apenas pelas palavras e pelas canções (Malpica lançou o Primeiro Festival Zeca Afonso e descerrou um busto do autor da "Grândola", que celebrizou cantares de Malpica, como Maria Faia, o Entrudo. Oh! Que Calma Vai Caindo ou Lá Vai Jeremias. João  Afonso veio, com a sua voz de timbre tão puro, evocar a obra do Zeca, seu tio.
Havia outros grupos, sonoridades da terra elevavam-se no ar, estava ali o Zeca, havia em cada esquina um amigo, em cada rosto igualdade, o coração da gente sobressaltava-se porque Malpica era terra de fraternidade. Foi bom viver aqueles instantes.
O sol queimava vindo de um céu limpo de nuvens, o espaço do Festival (onde ficou o busto do Zeca), é uma belíssima zona de lazer que glorificava as oliveiras e o azeite de Malpica. Nos campos que rodeiam a aldeia, há urzes e rosmaninhos, e à beira de casas baixas, rente ao chão, roseiras imponentes com rosas desabrochadas em cores várias. Mas uma vermelha que parecia ter florescido mais com as canções do Zeca. Há música e sorrisos, cantigas de Maio. Lá ao fundo, vai o Ponsul abençoar, com a sua água, o mais belo rio que por caso passa a dois passos desta aldeia. Bonita festa!




quarta-feira, 30 de abril de 2014

DA ARTE DE ROUBAR E DA ARTE DE MENTIR


Em Portugal, a arte de roubar e a arte de mentir andam de mãos dadas. Não falo dos ratoneiros que fazem do ofício uma forma de sobreviver no quotidiano, não falo dos ladrões de meia tigela que sacam carteiras em feiras de circunstância, andam nos eléctricos e nos comboios para meter a mão nos bolsos de viajantes distraídos, ou de tipos mais profissionais, que actuam de colarinho branco, e dão golpes de alto lá com o charuto. Falo dos que roubam por decreto e na sua arte de roubar, que envolve grandes especialistas em contas e numerário, não disfarçam as golpadas dos seus roubos. Sabem que a impunidade lhes permite tudo e até oficializam os assaltos no "Diário da República", que devia ser uma publicação respeitada e séria, mas agora está condenado a publicitar a acção desses meliantes, que congeminam os assaltos em reuniões a que chamam de conselhos de ministros ou em sessões privadas com gatunagem internacional, organizadas em Troikas ou em outras cumplicidades supranacionais.
Esses tipos, que com facilidade põem ares de estadistas e utilizam a retórica de salvadores da pátria, vão ao bolso dos portugueses com a maior das facilidades, e, tendo perdido toda a vergonha, já nem se dão ao cuidado de disfarçar as nefastas acções, que, aliás, cumprem com desmesurado gozo. No labirinto das suas políticas, então, praticam para dissimular o roubo a arte de mentir, com uma desfaçatez que faria corar o diabo se o diabo existisse.
Andaram para aí, em contexto eleitoral, a prometer mundos e fundos para 2015, a garantir por Deus que não mexiam nos impostos e muito menos nos salários e nas pensões. Disseram isso com uma convicção tão forte que, para a mistificação ser completa, chegaram a afirmar que estavam empenhados em subir o salário mínimo. Disseram e voltaram a dizer, uma e outra vez. Até desautorizaram um secretário de Estado (mas o que vale um secretário de Estado?), que anunciara a coisa inocentemente numa conferência de imprensa.
O primeiro-ministro chegou a dizer, há duas semanas, em Valongo, que se andava a fazer desta questão dos cortes "um bicho de sete cabeças". E prometeu: "Nós iremos comunicar essas medidas. Não são medidas que incidam em matéria de impostos, salários ou pensões".
Hoje, foram as anunciadas as medidas: taxa máxima do IVA passa para 23, 25% e TSU dos trabalhadores aumenta 0,2 percentuais em 2015. Pensões acima dos 1000 euros têm corte de 2,5% a 3%. Quer dizer, o salário mínimo também desce (deve ser para comemorar o Primeiro de Maio!) e os reformados , como os cavalos (lembram-se do filme?) também se abatem.
Que aldrabões. No meio disto, apetece perguntar: que gente pode votar em gente desta? O bicho de sete cabeças está aí, à espera de continuar a morder nos portugueses.


terça-feira, 29 de abril de 2014

O CUSPO DO VASCO

Há quem, numa metáfora apressada, diga que a sua boca é um poço de veneno e que se porventura mordesse um lacrau este morreria imediatamente. Chamam-lhe truculento, irrequieto, uma espécie de "enfant terrible", com setenta e tal anos, que espalha o pânico pelas hostes políticas e bem pensantes do país. A sua coluna, no "Público", tornou-se referencial. Lêem-na os que o detestam e os que vêem nele um "sniper", que faz fogo, sem dó nem piedade, sobre tudo o que mexe na actualidade. Tem um problema consigo mesmo, com o país e com o mundo, e as suas execuções sumárias, os seus julgamentos de papel, os seus infernos de estimação, transformaram-no numa espécie de olho de Deus, garante de uma análise pura da História e espécie de guia de Portugal para os desorientados indígenas (termo que ele gosta de utilizar) perdidos no labirinto da pátria. Não gosta do país, não gosta da literatura nem da poesia que se faz por cá, abomina o pensamento que se produz, tudo proveniente de cabeças mal arrumadas, que não estão à altura do ego de sua excelência. São todos umas bestas é o que é. O génio de Vasco, manipulado pelos deuses no Olimpo, não suporta tamanha afronta. Que ele escreve bem? É verdade. Faz isso numa escrita atractiva de recorte queiroseano (às vezes leio-o com prazer, às vezes...), reflecte bem sobre o século XIX português, o livro Os Devoristas é excelente, mas... quando se põe a pensar em voz alta, como agora fez numa entrevista ao "i", vem logo à tona de água o seu umbigo, maior que o pensamento, muito maior, e o seu olho de Deus para a condenação eterna dos hereges que não pensam como ele.
Nessa entrevista, Vasco Pulido Valente, é dele que falamos, afirma que "não devemos nada aos capitães de Abril. Zero", e, do alto da sua sapiência, classifica assim o 25 de Abril: "Os tipos só sabiam vagamente o que estavam a fazer. O Melo Antunes era um imbecil". "Era o pior de todos". E acrescenta: "Esse achava-se um inspirado, que era a alma daquilo. Ele não percebia a sociedade em que estava a viver".
Faltou, de facto, ao 25 de Abril, Vasco Pulido Valente a comandar as tropas e a explicar a Melo Antunes o país em que ele vivia, e esperar depois pela sapientíssima criatura para fazer a revolução! Desconfio que se Melo Antunes fosse vivo, o terrível VPV meteria a viola no saco e escolheria outro alvo mais cómodo...
Tudo isto é confrangedor e não deveria ser levado a sério. Já um dia, cansado dos episódios predatórios do cronista, contrapus às suas cenas de ódio, dois ou três parágrafos de Vergílio Ferreira (Escrever, pag 215), palavras que são de proveito e exemplo. Oiça o Leitor: "Não digas. Não digas mal do país ou seja de ti. Terás talvez a ideia de que o dizeres mal te separa do resto e te alça a ti a uma posição altaneira. Não penses. Fazes parte daquilo em que cospes, és pertença dessa sujidade. A grandeza de uma ofensa tem que ver com ela própria. A grandeza do cuspo é o escarrador que és tu. Aprende o orgulho de ti na grandeza ou na miséria. E se queres condenar a miséria que também é tua, fala um pouco grosso que te não fica mal.Podes talvez lamentar mas não escarnecer. Se cospes tornas visível o cuspo naquilo em que cuspiste. Como queres que os outros te respeitem se tu mesmo o não fizeres? Para o lixo há recipientes apropriados em que esse lixo se não vê. Não cuspas mais no país para que os outros se não enojem do cuspo em que revelas a terra que é tua e portanto és tu".




segunda-feira, 28 de abril de 2014

PALAVRAS NECESSÁRIAS, PALAVRAS FRÁGEIS

Há dias, Elena Poniatowska recebeu o Prémio Cervantes, o mais alto galardão da literatura hispânica. Esta senhora mexicana, de 82 anos, originária da Polónia, autora de uma volumosa obra, quase meia centena de livros de reportagens, de ensaios, novelas e biografias, que se considera uma "Sancho Pança dos Sem Terra", fez do seu discurso uma defesa das classes mais desfavorecidas, num gesto que foi, também, a afirmação da sua condição de escritora socialmente empenhada. "Antes de Gabo, éramos os condenados da Terra. Mas com os Cem Anos de Solidão ele deu asas à América Latina. E é esse grande voo o que hoje nos envolve e faz que nos cresçam flores na cabeça", afirmou Elena Poniatowska. Alguém a definiu assim: "Contar...contar...contar... É o verbo preferido de Elena". Narrativas que têm dentro gente de carne e osso. "Crianças, mulheres, velhos, presos, doentes e estudantes caminham ao lado desta repórter (a sua dedicação ao jornalismo é exemplar, sublinhou o júri) que busca, como pedia Maria Zambrano, "ir além da própria vida, estar nas outras vidas".
Estar nas outras vidas para contá-las, tem sido a biografia de Elena Poniatowska, "uma cronista impulsiva que retém o que lhe contam." A escritora não deixou de manifestar a sua inquietação face "ao poder financeiro que manda não só no México, mas no mundo", afirmando que os que "lhe resistem, montados em Rocinante e seguidos por Sancho Pança são cada vez menos". E por isso o poder da palavra é tão importante na sua luta para iluminar a comum humanidade.
Quase ao mesmo tempo, Fernando Alves, nos seus "Sinais", falava de frágeis palavras que desciam uma Avenida da Liberdade, celebrando o 25 de Abril. Palavras que, então, proferidas no Prémio Cervantes atribuído a Elena Poniatowska, ou que se elevavam em murmúrio colectivo, sob o céu de Lisboa, habitavam a "substância do tempo".
2014-04-24 As palavras frágeis

domingo, 27 de abril de 2014

A MORTE DO POETA

Gostava do Vasco Graça Moura como escritor e poeta, como o tradutor que verteu para português obras de Dante e de outros clássicos italianos. Falar com ele dessas navegações culturais eram momentos de deslumbramento. Essa postura de homem de cultura, de grande abertura às questões do nosso tempo, que mergulhava com à vontade na problemática da cultura portuguesa, contrastava, às vezes, com a verve excessiva e intolerante da sua militância em defesa das políticas do PSD, mesmo quando estas eram a expressão da anquilose e do caceteirismo ultra-liberal. Mas eu gostava dele, apesar disso tudo, pelas páginas belíssimas que nos ofereceu, pela sua poesia de alta qualidade, pelas suas traduções que nos fizeram sonhar outros universos literários, pelo seu ensaísmo que era sempre estimulante. Tinha, da cultura, horizontes rasgados, e era capaz de se despir de preconceitos ideológicos para analisar os autores. Lembro-me, aliás, de uma crónica que escreveu há um ano ou dois, sobre a poesia do Zeca Afonso, chamando a atenção para a complexidade de alguns poemas de matriz lírica ou surrealizante,
Agora que Vasco Graça Moura morreu, depois de uma luta tenaz contra o cancro, resta-nos lê-lo, que é sempre a melhor homenagem que se pode fazer a um poeta. Deixo aqui um dos seus poemas que sintomaticamente fala do amor e da morte.

"soneto do amor e da mortequando eu morrer murmura esta canção 
que escrevo para ti. quando eu morrer 
fica junto de mim, não queiras ver 
as aves pardas do anoitecer 
a revoar na minha solidão. 

quando eu morrer segura a minha mão, 
põe os olhos nos meus se puder ser, 
se inda neles a luz esmorecer, 
e diz do nosso amor como se não 

tivesse de acabar, sempre a doer, 
sempre a doer de tanta perfeição 
que ao deixar de bater-me o coração 
fique por nós o teu inda a bater, 
quando eu morrer segura a minha mão." 

Vasco Graça Moura, in "Antologia dos Sessenta Anos"