sábado, 21 de junho de 2014

ATÉ AMANHÃ, JAIME GRALHEIRO!

Jaime Gralheiro, como alguns dos personagens da sua dramaturgia, parecia um daqueles da Arraia Miúda que ele criou, e, pela sua indómita força interior na transformação da realidade, com as armas que tinham na mão, assumiam uma dimensão colectiva que partilhava a substância do tempo. Era, pensava eu, um dramaturgo que fazia muitas vezes reviver a história, explicando-a como qualquer coisa que era a capacidade do homem transcender a sua própria condição, em busca de liberdade e de justiça. E, nessa perspectiva, entendeu sempre a função de um dramaturgo como a de alguém que não podia ficar indiferente ao compromisso com a realidade social onde a vida e as suas contradições são a história de todos os dias andados pelo homem.
Foi isso que ele explicou um dia com singular clareza: "O teatro de hoje, tal como eu penso e pratico, não se pode limitar a produzir no espectador um efeito puramente artístico, ou seja, estético. O teatro tem por missão intervir de uma maneira activa no curso dos acontecimentos, e preencher essa missão mostrando a história na sua evolução. A missão do teatro de hoje de hoje não pode consistir apenas em relatar acontecimentos históricos apresentados tal e qual. Deve tirar desses acontecimentos lições válidas para o presente, adquirir um valor de advertência mostrando relações políticas e sociais fundamentalmente verdadeiras, e tentar assim, na medida das duas forças, intervir no curso da história".
Era, de certo modo, a ideia de Garrett de ver no Teatro um meio de civilização. Lembro-me que, no fundo, foi também essa mensagem que ele transmitiu veementemente no I Encontro Nacional de Teatro, realizado em 1972, pelo Jornal do Fundão, e que neste Fundão reuniu dramaturgos e escritores, encenadores, actores, e, nesse mundo culturalmente vivo num país moribundo, que debatia teatro e liberdade, vejo agora as figuras de Alfonso Sastre e Eva Forest, Eva que viria mais tarde, penso que em 1973, a pertencer ao comando espanhol que fez o atentado a Carrero Blanco, figura de proa do fascismo franquista. Então, nesse acontecimento surpreendente, em que se iniciou a publicação de uma colecção de Teatro, foi Jaime Gralheiro que a iniciou com o seu livro O Fosso, em que mais uma vez era a libertação do homem que ocupava a cena. Estávamos em 1972...
Penso, agora que ele nos deixou, e à distância do tempo, que poucos terão vivido o Teatro com tanta paixão, com tanta liberdade, com tanta determinação e entusiasmo. Dramaturgo, criador de teatro de amadores (ou não fosse ele um "amador de teatro"), encenador de peças fundamentais da dramaturgia portuguesa e mundial, há textos inesquecíveis como a Arraia Miúda, Farruncho, Onde Vaz, Luís, para não falar da adaptação de Até Amanhã, Camaradas, em O Homem da Bicicleta.
Homem de cultura, com uma coerência cívica plasmada nas multifacetadas lutas contra a ditadura, combatente a tempo inteiro pela liberdade, advogado prestigiado, S.Pedro do Sul, terra onde desenvolveu tantas aventuras culturais, reconheceu essa dimensão de cidadania atribuindo, precisamente nas comemorações dos 40 anos do 25 de Abril, o nome de Jaime Gralheiro ao Teatro local.
Foi uma bonita homenagem, que ele ainda partilhou e viveu com emoção, e decerto lhe encheu o coração de alegria. Até amanhã, Jaime Gralheiro!

sexta-feira, 20 de junho de 2014

REINADOS--- E REINAÇÕS!

Título do "Público" de hoje, na primeira página: "Chegou ao fim o reinado de Ricardo Salgado no BES".  E acrescenta: "Aos 70 anos e duas décadas depois de ter assumido funções de presidente, o reinado de Ricardo Salgado à frente do Banco Espírito Santo está prestes a terminar". Rei sem coroa, vai resignar em tempo em que as resignações estão na moda, veja-se o caso do Papa e do rei de Espanha, Juan Carlos.,
Esta família dinástica, coroada como divino Espírito Santo, tinha como reinado o mundo financeiro e o grupo, ao contrário das escandaleiras do BPN e do BPC, dizia-se que era quimicamente puro, sabe-se lá se por algum mistério como o do Espírito Santo. Afinal, soube-se depois, o final do "reinado" de Ricardo Salgado não comporta uma "saída limpa". Leio no "Público": "A passagem de testemunho da presidência familiar do BES, até aqui encabeçada por Ricardo Espírito Santo, para um profissional, fora do Universo Espírito Santo, é o resultado do acumular de problemas que envolvem o grupo e alguns dos seus gestores, que vieram a lume nos últimos meses. Questões que já não são apenas de âmbito nacional: o BCE está a acompanhar o que se passa no GES, o mesmo fazendo as autoridades do Luxemburgo apesar de terem demorado tempo a actuar".
É caso para dizer que, no que toca aos escândalos financeiros que têm ocorrido, como fenómeno sistémico, na Banca portuguesa, não se deve invocar o nome do Espírito Santo em vão!

PORTUGAL DE CORPO INTEIRO

O querido amigo Baptista-Bastos (gosto de declinar o seu nome completo: o Armando Baptista-Bastos escreveu no "DN" uma crónica notável, "As três sílabas do nosso remorso". É um retrato de Portugal em corpo inteiro, uma espécie de cartografia dos nossos defeitos, talvez um fragmento de psicanálise mítica sobre o nosso país, como diria o nosso Eduardo Lourenço. Um texto que vale a pena ler pela sua qualidade e que nos ajuda a compreender como os traços do quotidiano, os instantes que vamos vivendo têm um significado mais profundo do que a espuma dos dias habitualmente mostra. Ter consciência deles é meio caminho andado para sabermos o chão nosso que pisamos. Ora, leiam a reflexão de Baptista-Bastos:

"Vivemos de felicidades pequeninas, e inventamos esses instantes com a intuição secreta de que são precários e fugazes. Pouco temos a que nos pegar. Os amigos ou aqueles que estimamos vão-se embora, para outros sítios ou para sempre, encerrando o anel que parecia ligar-nos. Agarramo-nos, com o desespero de quem nada tem a perder e nada tem a ganhar, ao gosto de uma palavra, a um sonho ou, até, a um jogo de futebol, criando a ilusão de que somos felizes. Mas é sempre uma felicidade pequenina, e nós sabemo-lo com a noção dessa fatalidade irrevogável.
Fomos alguma vez grandes? Inculcam-nos a ideia de que sim. Mas grandes para quem? Fomos nas caravelas, criámos um leito de nações deitando-nos com tudo o que era mulher. Talvez a nossa grandeza resida aí: no gosto e no apreço pela mulher. Tudo o que trouxemos e roubámos foi para os outros.
É sempre assim. Jorge Brum do Canto, aquele realizador de cinema de que já ninguém fala, sequer levemente, disse-me, um dia, no Botequim da Natália, que somos o mesquinho na mesquinhez: pequeninos e queremos e gostamos de o ser. Precisamos de ídolos, ídolos?, que completem a nossa incompletude. Agora, neste mesmo instante, é o Cristiano Ronaldo, que se passeia num Lamborghini para satisfazer a nossa inveja. Ele é a nossa vingança momentânea, também ela momentânea e precária, enchemos as praças públicas, transferindo para ele as nossas frustrações e as nossas derrotas. Perdemos. Levámos uma cabazada, e o inchaço da pequenina esperança, tudo pequeno sempre muito pequeno, esvaziou-se como um balão.
Lá vamos, cantando e rindo, diz o hino mentiroso. Lá vamos. Depois, esquecemos tudo. Até a miséria esfarrapada do nosso esfarrapado viver. Protestamos sem ira nem cólera. Protestamos com estribilhos e dizeres em cartazes, e vamos à vida que se faz tarde. Somos o Mundial! Gritam as televisões, todas as televisões, durante todo o dia, e enviados especiais embevecidos, comentadores severos, especialistas engravatados e graves ensinam-nos as razões por que perdemos.
Lá vamos, cantando e rindo. Dizia o O"Neill: "Às duas por três nascemos/ às duas por três morremos/ e a vida?, não a vivemos." O O"Neill é como o Pessoa: serve para explicar o aparentemente inexplicável. Lemos os jornais, os que lêem, claro!, e o fastio é tanto que só sabemos de futebol: decoramos os nomes, os lances e as jogadas, nada de mais nada. Somos assustadoramente ignorantes, iletrados contundentes, fecham-se escolas, reduz-se o dinheiro para o ensino, os miúdos vão para as aulas em jejum, e temos, temos é como quem diz..., três jornais diários consagrados ao futebol, fora o que escorre, uma multidão de programas de, sobre e com futebol e adjacências; o mesquinho na mesquinhez elevado ao quadrado. "Se fosses só três sílabas, Portugal..."

quinta-feira, 19 de junho de 2014

DOIS CAVACOS!

Partilhei hoje uma curiosa inquietação de Carlos Vaz Marques, que passo a citar: "Já havia dois Papas, agora passou a haver dois reis de Espanha. Pelo caminho que isto leva qualquer dia teremos dois cavacos".
Comentário de um amigo:
- Nem que sejam empalhados!

IRAQUE: CRIME CONTINUADO



Alguém me sabe dizer por que razão o problema da desesperada situação no Iraque tem sido analisada de forma tão circunspecta pelos media portugueses- O futebol não serve de desculpa, tratando-se, como se trata, de uma situação que começou com a intervenção militar no Iraque baseada na alegação falsa de que Saddam Hussein possuía armas de destruição massiva, o que se provou ser falsíssimo. De facto, o próprio Conselho de Segurança da ONU não deu cobertura ao acto bélico, pois os seus próprios inspectores não tinham concluído pela existência de tal armamento.
Mas Portugal ficou intimamente ligado à agressão liderada pelos Estados Unidos da América, pois foi nos Açores que tudo foi cozinhado, numa reunião com Bush, Blair e Aznar, e em que Durão Barroso, então primeiro-ministro, se prestou a um miserável papel de mordomo ou criado dos americanos. De facto, eles ficaram com as mãos tintas de sangue. Na expressão de um imperialismo demencial, mascarado com a mistificada ideia de "polícias do mundo", criaram uma insegurança fatal na região, provocaram milhões de mortos (falar em mortes no Iraque é coisa que já não comove ninguém!), destaparam a caixinha de Pândora dos fundamentalismos religiosos mais fanáticos, dinamizaram guerras fratricidas (xiitas e sunitas), abriram a porta às Al Kahedas.
Tantos anos depois, a situação que americanos e seus aliados deixaram é um Iraque que é uma espécie de terra de ninguém, ou melhor, uma terra de assassinatos, terrorismos, atentados à flor da rua. A agressão americana e de seus sequazes deu nisto: os extremistas sunitas Estado Islâmico estão às portas de Bagdad e dominam uma vasta faixa do território do norte e centro do país.
Face ao caos, Washington diz que está pronto para "uma acção cirúrgica e com alvos precisos se e quando se determinar que a situação no terreno assim o exigir".
Podem todos limpar as mãos à parede com a sua cirurgia de guerra. Eles têm as mãos tintas de sangue. A começar pelos bandoleiros que sorriem na fotografia dos Açores, com o criado de serviço, um tal Durão Barroso.
Por que razão se esquece o crime do Iraque?


  Wash

terça-feira, 17 de junho de 2014

O MINISTRO GUEDES JÁ ENROLOU O CACHECOL!

Já se sabia:com a lesão constitucional de Passos Coelho, que provocou a sua não comparência na Baía, para assistir ao Portugal-Alemanha, ia ser o descalabro. E foi. Portugal levou quatro - e podia ter levado mais! Parece que foi Pedro Vieira a traduzir assim o quadro: "Passos Coelho disse que a derrota com a Alemanha era o melhor resultado para Portugal!"
Foi um triste começo e uma derrota (quase) humilhante. No país neurótico e deprimido da crise, que tem somado derrotas sucessivas impostas pelo governo Passos&Portas - derrotas no desemprego, derrotas na pobreza, derrotas nos cortes de salários, derrotas nos cortes das pensões, derrotas nos impostos - por muitos a zero, autênticas cabazadas, esta é a mais suave. Mesmo assim, foi um ajustamento extremamente doloroso. Fica o ânimo de rastos? Fica. Fica o patriotismo em baixa? Claro.
Mas tenham calma, rapazes, que o milagre é sempre possível e os portugueses ainda acreditam (ou acreditaram sempre) em milagres. Agora é que não falha, dizia-se para o dia seguinte. Nesse delírio de iludir a realidade, Paulo Bento é mestre: "Até ao primeiro golo (11 minutos), o jogo foi equilibrado..." Depois, logo se vê! Mas pelo que se viu na Baía, a selecção está à beira do abismo. O ministro Marques Guedes, na tribuna, tirou o cachecol da selecção do pescoço, enrolou-o muito bem enroladinho, fez uma mesura à senhora Merkel, e murmurou para si, com algum contentamento:
- Isto nem é mau! Agora, em vez do alvo ser o Passos Coelho, atiram ao boneco do Paulo Bento...




segunda-feira, 16 de junho de 2014

"TEREMOS DE SER ASSIM PARA SEMPRE?"


Ainda o governo não abriu a estação dos fogos - que isto dos incêndios também tem o seu calendário... - e já no concelho de Gondomar as chamas consumiam hectares de floresta e punham aldeias em perigo. Mas já falta pouco para a corrida começar. Ontem, Francisco Seixas da Costa, no seu Blogue, "Duas ou Três Coisas", reflectia sobre a persistência desse drama, numa escrita que juntava ao mesmo tempo perplexidade e ironia. Ele fazia, aliás, um retrato sarcástico da narrativa informativa das televisões, que gostam de descer ao inferno dos incêndios para a liturgia desses dramas quotidianos com gente infeliz e muitas lágrimas. Seixas da Costa fazia um retrato premonitório do que aí vem:

 "Acabado o futebol do Brasil, ou ainda com ele à mistura, as nossas televisões vão começar a brindar-nos, por algumas semanas, com os fogos. Os telejornais abrirão com as "Sónias Cristinas", de "corneto" em punho, tendo como imagem de fundo o "espetáculo dantesco" (os lugares comuns são o prato forte dessas reportagens em direto) dos incêndios. "Populares" angustiados, afogueados e de mangueiras em punho serão filmados, por câmaras trémulas, a relatar, de forma compreensivelmente atabalhoada, o que viram e o que sofreram. Bombeiros exaustos irão espalhar suspeitas sobre a "mão criminosa" por detrás dos "reacendimentos" e falarão dos "rescaldos" em que estão envolvidos. Autarcas reclamarão da "falta de meios" e falarão dos "custos humanos e materiais" provocados pelo "flagelo" na sua zona. Ministros graves, num traje intermédio entre o oficial e o estival, acolitados por umas figuras da Proteção civil de bonés bizarros, prometerão "ajudas" e darão números sobre a "área já ardida este ano", prometendo um "rigoroso inquérito" sobre os casos mais estranhos. As autoridades policiais, já em pose de gabinete, anunciarão a "detenção de alguns presumíveis incendiários" e a investigação de "negócios estranhos" relacionados com a "atividade da indústria madeireira". E alguns "soldados da paz", por impreparação, má orientação ou azar, desaparecerão, com governantes no funeral. Ah! E a imprensa especulará sobre as "negociatas" ligadas a contratos de aluguer de aviões de combate aos fogos."

Depois, explica como, regressadas as chuvas e "o futebol da paróquia às televisões", toda a problemática dos incêndios florestais cairá no esquecimento até ao verão seguinte, quando os dramas voltarem a reacender-se. E deixa uma interrogação fatal: "Teremos de ser assim para sempre?" A crónica do Embaixador, tão dentro da realidade portuguesa, fez-me lembrar uma conversa com a Eng. Maria de Lourdes Pintasilgo que é, também, uma história de proveito e exemplo sobre a descontinuidade trágica das políticas públicas, fenómeno que explica situações como a da persistência dos fogos, que já foram eleitos à categoria de fatalidade irremediável.
No seu governo dos 100 dias, que a estupidez da partidocracia inviabilizara no Parlamento, Maria de Lourdes Pintasilgo desencadeara um conjunto de medidas estruturais visando a protecção da floresta, e, simultaneamente, acções de prevenção e eficácia no combate aos incêndios. Eu lembrava-me bem de ela ter anunciado essa política na Sertã, durante uma visita ao "país do pinhal". Contou-me que, passada talvez uma década, tendo regressado a Portugal no verão (penso que estava então no Parlamento Europeu), ter ouvido anunciar com estrondo mediático essas suas medidas pelo ministro do governo de então, que estaria, decerto, de turno aos incêndios florestais! Quer dizer, as leis que Maria de Lourdes Pintasilgo tinha feito, nunca chegaram a entrar em vigor, foram parar à gaveta, sendo desembrulhadas, anos depois, como maravilha e inovação do governo em exercício... Nestes e noutros casos, nunca se chega a saber quanto isso custa ao país. Mas talvez ajude a responder à pergunta do nosso Embaixador: "Teremos de ser assim para sempre?"

domingo, 15 de junho de 2014

A ANGÚSTIA DO GUARDA-REDES E A LESÃO DE COELHO


Bola prá frente", dizia o Drummond - e é o que está a acontecer com a Copa do Mundo, no Brasil.
Nós, a selecção nacional, que só joga amanhã com a Alemanha (e, com a Alemanha, dizem que são onze contra onze, e no final ganha a equipa da sanhora Merkel!) ainda estamos, como agora se diz, em zona de conforto. Assistindo. Mas há, logo à partida, um problema grave. Portugal joga desfalcado, não por qualquer incompatibilidade dos atletas, mas com a ausência de Passos Coelho, que se lesionou gravemente com o chumbo do Tribunal Constitucional. Parece que a sua ausência da Copa é um rombo grande na Copa e não se fala noutra coisa. Jogadores, árbitros, torcidas estão inconsoláveis com tal perda...
Mas a bola rola e o espectáculo planetário do futebol está aí em toda a sua glória e com o sortilégio dos golos ( a Espanha enfardou 5 da Holanda), a Itália deu show com a Inglaterra e por aí fora... E, como sempre acontece, nem faltou o momento do penalty no jogo com o Brasil que parece nunca ter existido! Mas a canarinha tem outras magias, como já se viu.
Vale a pena, então, já que muitos mais penaltys irão existir na Copa, oferecer aos leitores um pedaço do célebre livre de Peter Handke A Angústia do Guarda-Redes Antes do Penalty (Edição Relógio de Água). Precisamente o texto que ficciona esse momento:

"...Marcaram um penalty. Todos os espectadores correram para trás da baliza.
"O guarda-redes está a ver se descobre qual é o canto da baliza que o jogador quer atingir", disse Bloch. "Se conhece o jogador, sabe qual é o canto que ele prefere de uma maneira geral. Mas provavelmente o jogador que vai marcar o penalty pensa também que o guarda-redes está a tentar descobrir. Por isso, o guarda-redes tem de admitir que precisamente hoje a bola vai entrar pelo outro canto. Mas que é que acontece se o jogador que vai marcar o penalty  seguir o pensamento do guarda-redes e acabar por decidir atirar para o canto para o qual costumava atirar? E assim por diante, e assim por diante".
Bloch viu todos os jogadores sirem gradualmente da área do penalty. O jogador que ia marcar o penalty ajustou a bola. Em seguida também ele saiu da área do Penalty.
Quando o jogador começa a corrida, o guarda-redes inconscientemente revela com o corpo para que lado se vai lançar, mesmo antes de chutar a bola, e o jogador que vai marcar o penalty  pode muito bem chutar na outra direcção", disse Bloch. "O guarda-redes também pode estar a tentar fechar uma porta com uma palha".
O jogador começou de repente a correr. O guarda-redes que tinha uma camisola marelo-berrante, parou de repente e a bola lançada pelo pontapé caiu-lhe nas mãos."

Quantas vezes já vimos este filme?

IRREPREENSÍVEL, DISSE ELE...

Uma das coisas mais hilariantes do fim-de-semana político foi a entrevista concedida pelo ministro Poiares Maduro ao "Diário de Notícias". É verdade que Marcelo, com aquela sua forma perita de  matar políticos, pelo ridículo, já tinha proferido uma condenação sem recurso: "O ministro Poiares Maduro anda a apanhar bonés!"
Talvez esse remoque tenha levado o ministro à notoriedade de uma entrevista, em pose de Estado, como se quisesse mostrar ao Prof. Marcelo:
- Eu já te dou os bonés!
Então, sua excelência, lembrou-se de vir dizer, com pompa e circunstância: "O Governo tem-se comportado de forma irrepreensível com o Tribunal Constitucional".  Uma afirmação deste calibre, sabendo - como se sabe - que Passos, Portas e  outras figuras da maioria têm dito dos juízes do Tribunal Constitucional o que o Maomé não disse do toucinho - chegaram a afirmar que os juízes deviam ser melhor escolhidos! - só pode ser entendida como um atestado de estupidez aos portugueses, na ilusão cretina (do ministro) que os portugueses são estúpidos.
Olhando tudo isto, é caso para dizer que é melhor o ministro Maduro continuar "a apanhar bonés" do que a dar este triste espectáculo de indigência mental. Em alternativa: se não quiser apanhar bonés, que fique a apanhar bolas, já que estamos no reino do futebol!