quinta-feira, 25 de setembro de 2014

O "TECNOGATE" DE PASSOS COELHO


O "Público", num trabalho de excelente investigação dos jornalistas José António Cerejo e Paulo Pena, faz hoje luz sobre as contradições e as mentiras sobre o caso de Passos Coelho, a exclusividade de funções e o recebimento de verbas da Tecnoforma. Os lapsos de memória do Primeiro-Ministro ficam agora como uma espécie de desculpa de mau pagador. Já chamam a este escândalo o "Tecnogate".
Entre a amnésia de Passos Coelho e as tentativas dos Serviços do Parlamento para esconderem o caso, dando informações falsas, fica em causa o prestígio das instituições e, por conveniência partidária, dá-se mais uma facada nos valores da Democracia e da República.
Logo na primeira página diz o "Público: "O Público revela mais dois documentos que mostram que Passos assinou pelo seu punho declaração de que estava em exclusividade; Assembleia da República não mostrou todos os documentos do processo; Passos Coelho foi vice-presidente da bancada do PSD e por isso ganhava mais 15%"".
A ver vamos o que vai dar este imbróglio. Parece, no entanto, que não faltam vozes desculpalizantes para branquearem o comportamento do Primeiro-Ministro. Será que teremos de dizer, outra vez, que raio dev país é este?

CABEÇA NO CEPO

Do Blogue Da Literatura, de Eduardo Pita, um apontamento que vale a pena anotar. Pedro dos Santos Guerreiro, no "Expresso", afirma que "a cabeça de Passos Coelho está no cepo". Estará? Leiam s.f.f.

CITAÇÃO, 499


Pedro Santos Guerreiro, A cabeça de Passos está no cepo,Expresso Diário. Excertos, sublinhados meus:

«O primeiro-ministro assinou hoje [ontem] uma carta em branco de demissão. [...] Se forem confirmadas as suspeitas que ainda não foram desmentidas, Pedro Passos Coelho violou a lei nos anos 90. Se violou o estatuto de incompatibilidades da Assembleia da República, recebeu então mais dinheiro do Parlamento do que devia no subsídio de reintegração. Se recebeu dinheiro da Tecnoforma que não declarou, então pior: fugiu aos impostos. E não só não é possível ter um primeiro-ministro que praticou evasão fiscal [...] Não é crível que alguém se esqueça ao fim de 15 anos de receber cinco mil euros durante vários meses. Isso não existe, ou Passos recebeu ou não recebeu. Se recebeu, não basta pedir desculpa, Passos tem de demitir-se. [...]»

[Imagem: primeira página do parecer jurídico da Assembleia da República, assinado por Henrique Pereira Teotónio, em 23 de Maio de 2000, sobre a atribuição do subsídio de reintegração ao então deputado Pedro Passos Coelho. O documento de cinco páginas está disponível na íntegra no Expresso Diário. Clique para ler melhor.]

terça-feira, 23 de setembro de 2014

NATALIDADE


Conversa de café, à hora da bica:
-- Já sabes que o Passos Coelho anda muito preocupado com a quebra do índice de natalidade, e quer fazer um "baby boom"
-- Estou a ver, estou a ver... vai aumentar o IVA dos preservativos!

A POESIA CONTRA O DESERTO


As crónicas de Fernando Alves, na TSF, são um momento alto de cultura. Ele capta, como ninguém o rumor do mundo, ensina-nos a ler o país com outros olhos, poisa na sabedoria das coisas, às vezes as pequenas coisas que Steiner considerava "pormenores de Deus", descobre e dá voz a protagonistas de histórias que, a maior parte das vezes, não fazem parte da História. Eu já lhe disse que os Sinais que nos chegam, matinalmente, são o meu café da manhã, que me ajuda a olhar o mundo.
A crónica de hoje evoca poetas. Fala com ternura da Manuel António Pina, de Egito Gonçalves e de António Ramos Rosa. E, no meio deste universo poético, contra o deserto que avança, Fernando Alves faz um aceno afectuoso a "Notícias do Bloqueio", o espaço onde escrevo estas palavras, com "empenho do coração", para usar um verso do Eugénio. Fica a crónica para os meus leitores, com um abraço grato ao Fernando.
2014-09-23 Contra o deserto

segunda-feira, 22 de setembro de 2014

CABEÇAS DE ABÓBORA!


Conversa de café, à hora da bica:
-- Então agora o Passos Coelho também veio a pedir desculpa de dar pouca atenção à cultura?
-- Não me digas...
-- É verdade. Ele seguiu o exemplo da Paula Teixeira da Cruz e do Nuno Crato, e pediu desculpa!
-- Esta questão das desculpas até me faz lembrar o Tomaz...
-- O Tomaz, qual Tomaz?
-- Ora, o que fazia as vezes de Presidente da República, com o Salazar e o Caetano, até lhe chamavam o "cabeça de abóbora"...
-- O quê? Não me digas que era como o Cavaco! É que ele também faz as vezes de Presidente da República, desde que o Passos é Primeiro-Ministro...
-- Sim, mas o Tomaz também pedia desculpas. E um dia, num célebre discurso, pediu desculpa por só então estar numa determinada terra. Mas logo a seguir pediu desculpa de ter pedido desculpa, porque, dizia ele, sendo Presidente da República, o mais alto magistrado da Nação, não podia pedir desculpa. "Peço desculpa de ter pedido desculpa", disse ele.
-- Estes tipos do governo que têm andado a pedir desculpa, também podiam pedir desculpa por não se demitirem... Cabeças de abóbora!

domingo, 21 de setembro de 2014

LADAINHA DAS PÓSTUMAS DESCULPAS



Passos Coelho: desculpas por ter desgraçado o país e por ter mentido tanto, dizendo que estava tudo óptimo, quando está tudo péssimo, ora pro nobis.
Paulo Portas: desculpas pelo que fiz aos velhinhos, rais parta o "cisma grisalho", pelas aldrabadas dos submarinos e por não ter vergonha na cara com a demissão irrevogável tornada revogável, ora pro nobis.
Maria Luís Albuquerque: desculpas pelos aldrabados orçamentos de miséria e pela engenharia dos "swaps", ora pro nobis.
Rui Machete:: desculpas por me ter metido nesta miséria de governo, nesta altura da minha vida, ora pro nobis.
Paulo Macedo: desculpas pelas malfeitorias que fiz e continuo a fazer ao Serviço Nacional de Saúde, ora pro nobis.
Nuno Crato: desculpas pelo que fiz e continuo a fazer contra a escola pública e contra os professores, ora pro nobis.
Assunção Cristas: desculpas por não me mascarar de lavradora e por não ir às feiras, como o Paulinho gostaria, ora pro nobis.
Miguel Macedo: desculpas por ter mandado bater nos polícias que se manifestaram frente à Assembleia da República, ora pro nobis.
Poiares Maduro: desculpas por ter esquecido o direito constitucional e fazer parte de um governo que sistematicamente chumba no Tribunal Constitucional, ora pro nobis.
António Pires de Lima: desculpas por ter falado em descida de impostos, quando o governo os aumenta, ora pro nobis.
Paula Teixeira da Cruz: desculpas pelo caos nos tribunais e pela bagunça do mapa judiciário, ora pro nobis.
Luís Marques Guedes: desculpas pelo que me obrigam a dizer no fim das reuniões do Conselho de Ministros, ora pro nobis.
Pedro Mota Soares: desculpas por invocar o nome da Constituição da República em vão, ora pro nobis.
Jorge Moreira da Silva: desculpas por não mexer uma palha pelo ordenamento do território e me ter lembrado da Fiscalidade Verde, ora pro nobis.
José Pedro Aguiar-Branco: desculpas por ter caucionada a negociata dos Estaleiros de Viana, ora pro nobis.