sábado, 25 de outubro de 2014

PELO FIM DA CORRUPÇÃO



Às vezes, um poema é quanto basta para exprimir todas as perplexidades do tempo que nos coube em sorte. Colho breves versos do poeta polaco, Czeslaw Milose, lidos no Babelia. Aqui está um belo retrato de uma realidade histórica, uma reflexão ressentida sobre a pátria que, nós, portugueses, também podemos partilhar:

"Infeliz debaixo da tirania
Infeliz debaixo da República
Numa suspirávamos por liberdade
Noutra pelo fim da corrupção."

Pelo fim da corrupção, que parece, nos meandros da impunidade portuguesa, uma tarefa impossível. Vícios de um poder assumido como prática feudal. Ribeiro Sanches é que tinha razão: dificuldades do reino velho para emendar-se. Há muito séculos, ele topou-os bem. O problema é que eles reproduziram-se, acertaram os interesses próprios às mudanças do tempo, recuperaram privilégios, instalaram-se. E a corrupção cresceu como as ervas daninhas.

sexta-feira, 24 de outubro de 2014

O BOI DA PACIÊNCIA


Leio na crónica de hoje, de Vasco Pulido Valente, no "Público", que "o primeiro-ministro resolveu agora pedir "paciência" aos portugueses, como se não soubesse que a "paciência" se esgotou em definitivo no país". E acrescenta o cronista: "Pior ainda, adoptou um tom paternal e carinhoso para explicar à populaça por que razão era preciso que ela continuasse na miséria; e, falando baixo, insinuou que só a sua alta sabedoria podia perceber o que verdadeiramente se passava".
Esta ladainha da paciência, esta ideologia do calado é o melhor, estes tiques do "ai aguenta, aguenta", encobrem sempre um pensamento ínvio, uma desfaçatez para lixar o próximo. Qualquer protesto ou reclamação, relativamente a direitos postergados, originava sempre a mesma conversa:
-- Tenha paciência!
Ter paciência era (e é) carregar com a canga, na ilusão que essa apatia cívica, esse dobrar da coluna, era passaporte directo para o céu, sem passar por apeadeiros. O primeiro-ministro diz aos portugueses:
-- Tenham paciência...
Tenham paciência? Logo me lembrei do poema de Ramos Rosa (Viagem Através de Uma Nebulosa, 1960), em que também fala disso, dum boi da paciência, que pode ser uma boa legenda para a figura do primeiro-ministro. Deixo aqui alguns versos do longo e fabuloso poema:

"Noite dos limites e das esquinas nos ombros
noite por de mais aguentada com filosofia a mais
que faz o boi da paciência aqui?
que fazemos nós aqui?
este espectáculo que não vem anunciado
todos os dias cumprido com as leis do diabo
todos os dias metido pelos olhos adentro
numa evidência que nos cega
até quando?
Era tempo de começar a fazer qualquer coisa
os meus nervos estão presos na encruzilhada
e o meu corpo não é mais que uma cela ambulante
e a minha vida não é mais que um teorema
por demais sabido!

Na pobreza do meu caderno
como inscrever este céu que suspeito
como amortecer um pouco a vertigem desta órbita
e todo o entusiasmo destas mãos de universo
cuja carícia é um deslizar de estrelas?
Há uma casa que me espera
para uma festa de irmãos
há toda esta noite a negar que me esperam
e estes rostos de insónia
e o martelar opaco num muro de papel
e o arranhar persistente duma pena implacável
e a surpresa subornada pela rotina
e o muro destrutível destruindo as nossas vidas
e a força que fazemos no silêncio para derrubar o muro
até quando? até quando?(...)"

E, utilizando mais um verso do grande poeta, também eu pergunto, atónito:
"Ó boi da paciência, que fazes tu aqui?"



quinta-feira, 23 de outubro de 2014

PALAVRAS PARA ANTÓNIO SALVADO


Uma festa da poesia, à volta da obra de António Salvado, vai acontecer amanhã e sábado em Castelo Branco, a cidade natal do poeta e a sua pequena pátria, no sentido que a este conceito deu Jorge Luís Borges. Ao longo dos anos, a poesia e o saber de António Salvado, a sua densa cultura, têm sido para mim uma companhia essencial. Em Fevereiro deste ano, tive a honra de apresentar em Castelo Branco um fabuloso livro de Salvado, Trajecto seguido de Passo a Passo. Agora, como quem lhe quer dar um abraço fraterno de palavras, vou buscar algumas à reflexão que então fiz sobre a sua obra. É uma pequena parte do texto, que poderá ser lido na íntegra na rubrica Conferências.

 PALAVRAS PARA UM POETA

 Na contingência de um tempo em que o homem lentamente se vai tornando a medida de coisa nenhuma, nestes dias em que a desumanidade, essa banalidade do mal que julgávamos ingenuamente ser um mero arcaísmo do passado, voltou para nos atormentar a vida, é na poesia que ainda podemos reencontrar o intacto refúgio do futuro, a primordial esperança que nos ajuda a olhar em frente.Nestes tempos, pois, que parecem ser, outra vez, os que Sophia gritou em versos (“Tempo de solidão e de incerteza/Tempo de medo e tempo de traição/Tempo de injustiça e de vileza/Tempo de negação”), ou os que Torga denunciou (“Apetece cantar, mas ninguém canta./ Apetece chorar, mas ninguém chora./Um fantasma levanta/A mão do medo sobre a nossa hora”), celebrar a obra e a poesia de António Salvado é um puro reencontro com o dia claro, um aceno à alegria dos instantes e das emoções, a reafirmação de um tempo em que a humanidade triunfa sobre todos os desígnios do mal.
A poesia de António Salvado é um universo em que se configura esse compromisso de felicidade, através do belo e do amor, essa visão de uma natureza em que a plenitude elemental da realidade telúrica, que é o mundo que abarca o seu olhar, é um incessante louvor de vida, que se sobrepõe sempre às nuvens negras dos dias, e tudo isso na síntese maior que o amor ocupa na sua arte poética.
Esse universo poético, feito de tantas diversidades, é o percurso de uma biografia singular sobre a qual me tenho debruçado, muitas vezes, sempre ganhando no prazer da sua leitura, que contém tantas virtualidades culturais, novos continentes do saber.
De muitas coisas que escrevi sobre António Salvado, gosto particularmente de reler algumas palavras que vão ao encontro daqueles de que falava Herberto Hélder (seu amigo e companheiro no início da aventura poética) quando queria trazer à superfície da sua poesia linear, dizia ele, “a narrativa de um homem”. Então, há alguns anos, escrevi o que pretendia ser a articulação do meu querido Poeta com o lugar primordial da Beira na sua poesia , e, ao mesmo tempo, descobrir de que forma se traduzia o compromisso ontológico do autor com a palavra. No fundo, procedi a uma revisitação do lavrar de palavras de António Salvado, no seu longo ofício de paciência de recriação da língua, em busca desse destino, que outro amigo,  Eugénio de Andrade dizia materializável “quando o ser da luz for/o ser da palavra”.
Já retratei, por mais de uma vez, o que significa esse labor na poesia portuguesa do nosso tempo e o que a consubstancia como aventura criadora única que ilumina os dias. Vou à procura de palavras antigas, como se estivesse a ver António Salvado, ele e a sua solidão, na densa circunstância de poetar. Palavras minhas a páginas tantas: … António Salvado soube resistir à contingência da “província” (no que este conceito tem de arqueologia mental persistente na sociedade portuguesa), soube pensar o país de dentro para fora, e ter a suprema ousadia -- nunca perdoada -- de fazer coisas, promover a cultura dentro de uma cidade e de uma região, num território onde o pensamento, não poucas vezes, vive exilado. Muitos fingiram ignorar o seu trabalho, alguns olharam de viés a sua obra. Salvado resistiu a tudo.Se a poesia é o lugar da realização do ser pela palavra, é nesse universo criador onde se unem os dias (Kaváfis) e se aquecem os corações fraternos (Vicente Aleixandre) que encontramos uma biografia feita de versos, que é a vida de António Salvado.
A fidelidade a um compromisso com o homem e com as raízes fisicamente próximas, eis o chão verbal dos seus versos: registo telúrico, espaços de maternas águas, terra de flores e oferendas corporais, que ardem nos instantes, “coração da vida a latejar” (verso do poeta). A poesia de António Salvado é essa mesa farta para o pensamento, povoada de cheiros, paisagens, rostos, mãos, sol, terra e pedras, neve, frutos e giestas, enseada onde se acolhem inquietações (“pouso a minha ansiedade no pilar da noite”, outro verso de Salvado), mas onde também se aquece o corpo do coração (que nunca é inacabado) de uma escrita que é um lugar primordial de humanidade.
É, pois, no país dos seus versos (tantos títulos, milhares de páginas) que a sua biografia se dissolve, num ofício rigoroso de palavras, na configuração clássica de uma cultura a pensar na universalidade, num poetar que, como diria Drummond, “é uma luta com as palavras, mal rompe a manhã”. Face à sua poesia, poderíamos afinal dizer com António Ramos Rosa que ela reflecte “a inscrição do mundo  nela e reciprocamente a sua inscrição no mundo” pois esta relação arterial, penso eu, faz parte da sua essência.


quarta-feira, 22 de outubro de 2014

GRANDE FERREIRA FERNANDES!


Ler Ferreira Fernandes, na sua crónica matinal do "Diário de Notícias", é uma lufada de ar fresco. Na melhor tradição da crónica da imprensa portuguesa, tantas vezes verdadeiro exercício de literatura, Ferreira Fernandes sabe contar as coisas, impõe à narrativa a densidade da sua cultura e informação, analisa a realidade política portuguesa (e os seus figurões) com uma ironia que deixa em estilhas o microcosmos destes actores de segunda ou terceira categoria. A crónica de hoje é um exercício soberbo dessa dessa capacidade de olhar o universo da política, através do comportamento surpreendente de Passos Coelho. Também essa figura de primeiro-ministro, que pode alimentar o anedotário nacional, fica em pedaços. Grande Ferreira Fernandes. Jornalistas, leiam-no, s.f.f. 

As metáforas de Passos e chorar por mais 
por Ferreira Fernandes
Antes das últimas eleições legislativas, em janeiro de 2011, Passos Coelho disse dos seus: "O PSD não está cheio de vontade de ir ao pote." Ontem, à espera das próximas eleições, Passos Coelho falou dos outros, "os que olham agora gulosamente para as eleições". Assinale-se a coerência lambareira da análise. Vamos a caminho de quatro anos e o pensamento do primeiro-ministro não sai da papila gustativa. A política externa? "Hummm, crepes Suzette..." E quanto à Defesa? "Brigadeiros, claro." E a dívida pública, senhor primeiro-ministro? "De comer e chorar por mais!" Não é que eu não goste, gosto. Mas não é a ideia que tenho de debate eleitoral, ver qual o político que mais passa a língua pelos lábios. Preferia que a política pusesse sobre a mesa mais ideias e menos sobremesas. Além de que, com a má fama que o açúcar começa a ter na política da Saúde, eu não entendo a insistência de Passos Coelho em ser acusado do aumento da diabetes. Ontem, frase completa usada para repetir a que já se vai tornando habitual política de faca e garfo era contra aqueles que "sabem alimentar-se da desgraça e que olham gulosamente para as eleições". Como veem, é uma preocupação com o dar ao dente própria de um país subalimentado. Já enjoa. A única justificação que vejo é a de lembrar que nem todo o setor bancário está em crise. O Banco Alimentar contra a Fome tem em Passos Coelho um propagandista incansável.

terça-feira, 21 de outubro de 2014

O DR. FREUD EM S. BENTO


Respigo esta pérola do primeiro-ministro do Blogue "Câmara Corporativa":
"É o que vos digo: havemos de nos lembrar algumas vezes do estarola que se alçou a São Bento. Nunca se viu uma coisa assim e dificilmente se repetirá. com Passos Coelho a engrandecer, através de um magnífico lapso freudiano, o zombie da Av. 5 de Outubro, que não hesitou em demitir um director-geral do Ministério da Educação para salvar a sua própria pele: um ministro "que nunca evitou lavar as mãos" dos problemas" (corrigindo depois). O alegado primeiro-ministro ainda teve arte para, voltando-se para Crato, declarar que preza este tipo de pessoas — pessoas que "não sacudam as responsabilidades do pacote", quer dizer, do capote. Tudo isto seis semanas após o início das aulas, quando continuam por colocar dois mil professores".

segunda-feira, 20 de outubro de 2014

PISTOLEIROS DE PALAVRAS


Uma das notas mais vincadas da irracionalidade política que por aqui vai fazendo caminho é a propensão para a fulanização da política, fenómeno que assume a forma de caceteirismo, com tudo o que este conceito tem de mais arcaico, anti-ético e irresponsável. Tiques antigos, traumas do passado, abencerragens que parece terem saído dos armários do absurdo, comportamentos que se julgavam erradicados no século que vivemos, emergem do quotidiano politicamente infectado, como se uma cidade fosse um território de terra queimada, uma espécie de palco conflitual, não para debater ideias ou propostas, não para construir uma cultura de desenvolvimento, mas para fazer ajustes de contas, duelos com pistolas de palavras, assassinatos sumários de carácter.
Eu digo isto assim e estou a pensar na Covilhã, cidade que tem pergaminhos na história das ideias e do seu debate e que sonhou sempre uma democracia convivial e pluralista como traço de vivência colectiva. Uma cidade incorpora dentro de si esse sonho ou esse destino, sem o qual o seu o seu presente, e, logo, o seu futuro, padecerão sempre de lamentáveis limitações, que a impossibilitarão, também, de equacionar a sua própria realidade à escala mais vasta do país. Esse tipo de comportamento, para não lhe chamar acção política (penso a política como uma actividade nobre e insubstituível) assenta sempre em pressupostos ideológicos bairristas ou doentios, provincianos, que só podem prosperar num espaço e num tempo marcados por apatia cívica e irracionalismo, que é uma espécie de morte anunciada da democracia. Como dizia o Eça, abre os olhos e verás... que ninguém se respeita, políticos e instituições, que não há princípios nem valores, que o insulto e o fanatismo se tornaram a marca do argumentário local.
No sábado, tive o grande prazer de apresentar, precisamente na Covilhã, um ensaio notável do Prof. Gabriel Magalhães, "Como Sobreviver a Portugal - Continuando a ser português" (a que voltaremos em breve), e, curiosamente, falando do país, ele assinala muitos dos tiques que hoje dominam o confronto político covilhanense, desde a falta de cultura ou de "fraternidade cívica", como se voltasse aquele tempo que o ensaísta refere, citando Oliveira Martins, em que "cada português andava com o seu cacete - e esta arma, sublinha Gabriel Magalhães, constituía, por assim dizer, o seu cartão de cidadão".
Aí estão, pois, desfilando garbosamente, cantando e rindo, os caceteiros de serviço. Quero eu dizer com isto que não se debatem as verdadeiras questões colectivas, que interessam ao povo, mas se apontam os alvos a fulano ou sicrano, aqueles ataques "ad hominem" que se tornaram moda na sociedade portuguesa para destruir pessoas. Dois exemplos traduzem o estado de sítio das ideias: a atribuição da medalha de ouro da Cidade ao cidadão José Sócrates levantou um clamor de insultos e de despeitos, uma fúria que levou agentes políticos e partidos a verem nele o diabo que mais prejudicou a Beira Interior e o distrito de Castelo Branco, o que é manifesta falsidade, já que o seu nome está ligado a governos que canalizaram para a Beira Interior investimento público, como nunca, antes, acontecera. Basta lembrar a auto-estrada da Beira Interior ou a Faculdade de Ciências Médicas ou a lectrificação da Linha da Beira Baixa.
Que diabo, um poucochinho de decência não fica mal na política. Insere-se nessa tipologia de arrogância considerar "uma afronta" a vinda à Covilhã de Guilherme de Oliveira Martins, que é presidente do Centro Nacional de Cultura, e, também,  presidente do Tribunal de Contas, para falar do escritor António Alçada Baptista, por aquele ter assinado uma petição contra a construção de uma barragem. Isto tudo é ridículo -- o provincianismo mais uma vez -- como é, também, o facto de Guilherme de Oliveira Martins ter desistido da viagem e a Câmara ter retirado a homenagem do programa.
O Alçada deve ter sorrido de tudo isto ou pensado que este tempo e o modo também podiam figurar na ironia da outra Covilhã, que ele retratou na "Peregrinação Interior".
Às vezes, ouvindo os ecos destas guerras intestinas, entre uns e outros, às vezes, entre todos, lembro-me do título sarcástico de um livro de Jorge Reis, que era simplesmente: "Matai-vos uns aos outros". Sim, matem-se uns aos outros, com os seus revólveres de trazer porcasa, mas deixem a Covilhã em paz.

domingo, 19 de outubro de 2014

BARBÁRIE E BONS SENTIMENTOS


Há dias, no "El Pais", li uma interessante reportagem sobre a vida na Franja de Gaza, depois dos bombardeamentos.O repórter (Juan Gómez) assinala que "o regresso à vida quotidiana dos 1,8 milhões de habitantes da Franja recorda o pouco que esta tem de normal". A imagem que ilustra o texto tem uma dimensão de absurdo insuportável:é um menino andando de bicicleta entre as ruínas de Gaza. O mais surpreendente são os números da tragédia, uma espécie de balanço mórbido que não comove a comunidade internacional que, nesta questão de guerras entre Israel e a Palestina, costuma assobiar para o lado.
Então, os números das Nações Unidas indicam que a ofensiva israelita deste Verão matou 1.500 civis e mais de 500 crianças. E que cerca de 20 mil casas furam destruídas e quase 110 mil palestinianos ficaram sem tecto. , 450 mil pessoas carecem de acesso a água corrente, três dos 32 hospitais de Gaza continuam encerrados e 26 escolas foram destruídas por completo (122 sofreram danos, 75 das quais eram da ONU). O que é mais absurdo é que os que se comprazem com a guerra ou não mexem uma palha para evitá-la, depois dos crimes efectuados, têm recaídas de boa consciência e mobilizam-se para arranjar verbas para a reconstrução. É o ciclo da hipocrisia: Estados Unidos, União Europeia, para só citar estes, abrem os cordões à bolsa, doam muitos milhões. No meio desta caridade, em que cada país se mede em milhões de euros, surgiu a anedota portuguesa: o governo contribuiu com 25 mil euros! E parece que até viajou, de avião especial, uma delegação oficial a entregar o donativo!
No seu Blogue, "Duas ou três coisas", que eu leio sempre com prazer não só pela actualidade do comentário ou pela amável ironia da crónica, o embaixador Francisco Seixas da Costa, publicou o seguinte:
"Portugal vai doar 25 mil euros para a reconstrução de Gaza. Só a presença de Portugal na Conferência de Doadores, onde este anúncio foi feito, quanto terá custado? Em lugar desta ridícula contribuição, os palestinos teriam apreciado muito mais se o governo português tivesse elevado a sua voz no auge dos bárbaros atos de devastação que Israel provocou naquele território.Portugal pode não ter dinheiro, mas deve mostrar que tem princípios".
É isso: falta de princípios!