domingo, 27 de setembro de 2015

E SE O PAPA VIESSE HOJE A PORTUGAL...

E se o Papa Francisco viesse hoje a Portugal, sabendo, como sabe, a deplorável situação do país, a fome à vista ou encoberta, que nem poupa crianças, o desemprego que é um universo de grandes dramas humanos, alguns a desembocar no suicídio, os mais velhos tratados como a "peste grisalha" que estraga as contas do Orçamento, a sociedade comandada por fanáticos ultra-liberais, artífices daquele capitalismo ultra-selvagem, com as teologias do dinheiro e dos mercados, que o Papa tanto tem criticado, que diria ele aos mentirosos compulsivos do governo que desgraçam as pessoas comuns e enchem os bolsos dos amigalhaços das negociatas e das privatizações? Que diria o Papa Francisco de tipos que se dizem muito cristãos (há um que até se afirma como democrata-cristão e depois, na prática política, nega a doutrina, como Judas negou o Mestre!), que batem muito no peito e se apresentam como os anjos papudos dos altares,  e apenas existem para diabolizar a vida das pessoas, abençoar os ricos e sacrificar os mais pobres, roubando pensões, confiscando salários, impondo salários de miséria (que encobrem escravaturas dos tempos modernos!), desprezando os jovens, a quem fecham os horizontes de vida e os mandam emigrar, como se Portugal não fosse para eles, mas apenas para ser vendido a chineses e outros que tais?
Que diria o Papa Francisco, aqui e agora, quando o oiço nos EUA dizer que "a exclusão económica e social é a negação completa da fraternidade humana e uma grave ofensa contra os direitos humanos e o ambiente"?
Que diria ele aos dois comparsas do governo, Passos 6 Portas, que na sua acção governativa não têm feito outra coisa senão provocar "a exclusão económica e social"?
Que diria o Papa Francisco a este Poder putrefacto, que pratica obstinadamente a desumanidade, que impõe a destruição dos quotidianos das pessoas, que só tem sabido tirar o que é legítimo e de direito às pessoas, quando o oiço dizer, na ONU que "dar a cada um o que lhe é devido, para citar a definição clássica de justiça, significa que nenhum indivíduo ou grupo pode considerar-se absoluto, pode passar por cima da dignidade e dos direitos de outras pessoas ou grupos sociais"?
Que diria o Papa Francisco, a quem alegremente foi Além da Troika para infernizar, ainda mais, a vida dos portugueses, capatazes e servidores devotados dos interesses financeiros, quando o oiço dizer, em Nova Iorque, quando oiço criticar abertamente as agências financeiras, o Banco Mundial ou o FMI, dizendo que essas instâncias ("criadas especificamente para lidar com as crises económicas", disse ele, Papa Francisco) "deviam cuidar do desenvolvimento sustentável dos países e limitar todo o tipo de abuso e usura, garantido o seu desenvolvimento sustentável, em vez de submetê-los a sistemas de empréstimos opressivos que, em vez de promover o progresso, sujeitam as pessoas a mecanismos que geram mais pobreza, exclusão e dependência"?
Que diria o Papa Francisco, aqui e agora, em Portugal?
Que tantos pecados só podem levar Passos & Portas para os quintos do inferno!

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