quinta-feira, 1 de outubro de 2015

COMENTADORES DE AUTO-COLANTE AO PEITO

Um dia se saberá dos arquitectos da manipulação informativa que está suavemente a envenenar esta campanha eleitoral. Há vacas sagradas, sentadas no trono do comentário político, nas televisões, que há muito tempo, com o seu calendário próprio no bolso, vestindo as vestes de sacerdotes da sabedoria e da distanciação, impõem a retórica e a estratégia dos partidos da direita da actual coligação, com o ar mais beatífico do mundo, como se a sua crítica não estivesse contaminada pela partidarite aguda. Ilusionistas da realidade, tiram o Coelho da cartola com a maior das facilidades. E falam do governo como se estivessem a falar de outro planeta, não descem à "espantosa realidade das coisas", para eles o pão nunca é amargo e nem sabem, de resto, o que isso é. Tornaram-se grandes artistas das televisões, que reproduzem a música de uma banda só, a da coligação. Fazem tudo isso, atentos, veneradores e obrigados e ouvi-los falar é como ouvir as histórias da carochinha ou as fábulas em que os personagens eram sempre muito felizes e tinham muitos meninos... São os mestres da magistratura do conselho.
Mesmo não dizendo os nomes, aposto que todos adivinham quem são os artistas que entretêm os portugueses aos serões dos fins-de semana. Quem não ouviu já as tácticas do prof. Marcelo Rebelo de Sousa, a Correia de transmissão que é o sr. Marques Mendes ou o palavreado enrolado do dr. Morais Sarmento? Nunca os ouvi fazer uma declaração de interesses deste género: nós somos do PSD e faremos tudo para que a coligação vença... É o dizes. Eles preferem comentar como impolutos analistas, distanciados dos factos e da política, assim levando a água ao seu moinho.  Claro que essa independência é tão pura como a das virgens nos prostíbulos. Ainda agora foram participar entusiasmados  em comícios inflamados da Coligação Portugal à Frente, levando no andor os santinhos do Passos e do Portas, segundo eles grandes benfeitores e salvadores da Pátria!  Depois, voltam à televisão e colocam a outra máscara, a dos analistas quimicamente puros.
E ninguém se insurge contra esta mistificação e até os jornalistas batem palmas (eles são uns gajos porreiros") e, se calhar, a entidade reguladora, cega e surda, não vê, nem ouve. Está tudo bem: o programa pode seguir dentro de momentos... O nacional porreirismo é uma grande virtude; a informação inquinada um desporto nacional!

1 comentário:

  1. Caríssimo e estimado Fernando, obrigada pelas suas palavras (as suas sim, impolutas) sempre assertivas, sempre justas, sobre uma realidade que parece já poucos, muito poucos, ouvimos... e a vida, essa, esvai-se no cansaço de os ouvirmos a eles! Abraço Amigo.e a admiração de sempre.

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