quarta-feira, 14 de outubro de 2015

DUAS NOTAS HILARIANTES

1. Hoje, ao ler o "DN", duas notas hilariantes sobre o momento que passa me fizeram sorrir. A primeira é sobre o inefável secretário-geral da UGT, Carlos Silva, que apelara a um acordo entre o PS e a Coligação de direita. Os órgãos da UGT, escandalizados, e com razão, vieram logo esclarecer que aquela posição era do dito sujeito e não da central sindical. O chefe embuchou. E o "Diário de Notícias" dizia agora, em título forte: "Carlos Silva deixa UGT se não sentir apoio do Secretariado". Vai- se embora, o que causaria um enorme desgosto na sociedade portuguesa.
Um amigo meu, que lia a notícia à hora da bica, saiu-se com esta:
-- Olha este tipo! Ainda não percebeu que a ausência dele é como a daqueles tipos de quem se costuma dizer:
-- Faz tanta falta como uma viola num enterro!
ILUSTRAÇÃO DE ZÉ DALMEIDA
2. Outro momento cómico ressalta do texto que o crânio do Prof. César das Neves produziu e publicou no jornal onde tem guarida, o "DN". Percebe-se uma certa azia que escorre das palavras do iluminado e ungido economista, provocada decerto pela eventualidade de uma maioria de esquerda, quando vem dizer que "Portugal são dois", uma dicotomia em que estariam "os que determinam os seus ganhos pelo que criam e os que reivindicam direitos abstractos, superiores ao que lhe é devido", "os que vêem o país e a Europa como exigência ou garantia" e os outros, "os que podem estar infectados pelo dinheiro fácil, auferirem mais do que geram e acabando do lado oportunista".
Mas o que verdadeiramente dá vontade rir é uma tirada só possível num tipo estruturalmente desonesto, na forma de abordar a realidade, ou então, de alguém que tivesse desembarcado subitamente de outro planeta: "Hoje, em qualquer zona, sector ou actividade, estamos no mesmo país, aberto, moderno, europeu. Temos problemas, como todos, mas vivemos ao nível comunitário".
Nem de propósito, os jornais do mesmo dia publicam abundante informação sobre a realidade social portuguesa e a europeia, sobre as desigualdades e a pobreza (inclusivamente na pobreza infantil, em que regredimos bastante) ou sobre o facto dos trabalhadores portugueses serem dos que ganham menos e mais horas trabalham, isto para não falar na clamorosa subalternização cultural, que é sempre uma condicionante à materialização da igualdade e do desenvolvimento.
O iluminado economista, por certo cheio de genuflexões mentais, deve julgar que os portugueses são parvos...

1 comentário:

  1. Estão todos a vir ao de cima. Os Amigos do Pôvo.
    Como eles estão preocupados, já parecem o Irmão Francisco em Roma.

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