quarta-feira, 14 de outubro de 2015

NERVOSISMO À DIREITA


Estes dias vividos na sociedade portuguesa valem, no plano imediato da política, por décadas de dicotomias e maniqueísmos, sempre tão provincianos, das esquerdas, em Portugal. Seja qual for o resultado final da história da constituição do novo governo e da sua sustentação, nada será como dantes. A realidade transformou-se, abanou os conformismos ideológicos, os arcaísmos e medos da contra-revolução. Pela primeira vez, a racionalidade tomou conta do discurso, derrubaram-se muros de intransigência, a fala entre todos voltou a ser um fenómeno normal para descobrir aquilo que, no contexto político, é essencial e secundário.
De facto, a existência de uma maioria de esquerda na Assembleia da República criou uma situação política de novo tipo, pondo fim ao velho tabú do arco da governação, uma história da carochinha para idiotas, mera artimanha para perpetuar a direita no poder. Ora, o facto dos partidos à esquerda do PS, o PCP e o BE, se disponibilizarem a criar condições de apoio a um governo liderado pelo PS, com estabilidade, tem um alcance histórico relevante. Desfaz-se o mito da ingovernabilidade à esquerda.
Daí a histeria dos mentores da Coligação e dos adjuvantes comentadores ou jornalistas de serviço, face à firmeza de António Costa, sempre com o interesse nacional de virar a página da austeridade e da pobreza, como questão prévia da negociação. No fundo, como ele disse, a proposta formulada por Passos & Portas não era outra coisa que o prosseguimento da mesma política, por outros meios. Bem podem amuar as múmias, ou os esqueletos nos armários, bem podem mostrar irritação os que estão no conforto dos lugares e temem perde-los, bem pode Cavaco tentar Passos de ilusionismo. É que a realidade tem muito força. E esta, insofismável, é que a Coligação não tem maioria para governar. Estará sempre a prazo, isto é, tem dentro de si como fatalidade, a instabilidade. By, by!

Sem comentários:

Enviar um comentário