domingo, 18 de outubro de 2015

O ARMÁRIO DE VASCO PULIDO VALENTE

Confesso que gosto de ler a crónica de Vasco Pulido Valente, embora esteja excessivas vezes em discordância como ele, na forma apocalíptica como olha para a sociedade portuguesa e na rapidez com que põe os sinos a dobrar por nós, pobres mortais que arrastamos uma espécie de remorso colectivo pelo simples facto de sermos portugueses. Quer-me parecer que sempre foi melhor nascermos aqui, do que nas Intifadas da Palestina, nos territórios dos holocaustos e dos gulagues, para citar apenas algumas geografias da crueldade absoluta.
Dizia eu que, em Vasco Pulido Valente, gosto, sobretudo, do estilo, naquilo que é a forma de construção da crónica, a técnica ágil da escrita, a lógica que ele imprime aos textos para levar a água ao moinho onde habitam os seus preconceitos ideológicos, os seus fantasmas de serviço ao quotidiano português, as suas diabolizações com alvos pré-definidos. A arte final desses textos imediatos deixam menos interrogações e muitas certezas absolutas, que o autor gosta de praticar futurologia política, mesmo que depois a magia imposta aos acontecimentos a haver, mão se confirme.
Na crónica publicada ontem, no "Público", na campanha de diabolização de António Costa, pela mera hipótese de o líder socialista conseguir apoio parlamentar à esquerda para formar governo, o que pelos vistos é um crime ainda não previsto no Código Penal, Vasco Pulido Valente, que costuma ser hábil na procura de rostos científicos para sustentarem as suas teses, foi descobrir uma espécie de brigada do reumático, que seria para rir, se isto tudo não fosse -- como é -- um momento ao mesmo tempo de crispação política e de crise.
O historiador não tinha mais ninguém para se encostar e foi a um armário com duvidoso tempo de validade. Vejam só: "Mas as consequências do programa que ele (António Costa) pretende executar, ainda por cima corrigido pelo PC e o Bloco, podem ser fatais. Teodora Cardoso, João Salgueiro, Medina Carreira e João César das Neves já avisaram. Não serviu de nada".
Com um pouco mais de determinação, VPV ainda era capaz de ir ao túmulo buscar Salazar, para disciplinar as Finanças. E aí, sim, com os Marretas que ele foi buscar para a sua crónica, seria a descoberta feliz para solução de todas as crises. À marretada!

1 comentário:

  1. Ficar à mercê de quem muito bem calhar... pode ficar muito caro!!!
    .
    Um exemplo: a construção de 'elefantes brancos' (ex: as auto-estradas "eh-olha-lá-vem-um") criou postos de trabalho... todavia, no entanto... o dinheiro sugado à economia - através dos impostos - para pagar a dívida contraída na construção de 'elefantes brancos'... provoca a destruição de muitos mais postos de trabalho do que aqueles que foram criados na construção dos 'elefantes brancos'!
    .
    .
    O CONTRIBUINTE TEM QUE SE DAR AO TRABALHO!!!
    -» Leia-se: o contribuinte tem de ajudar no combate aos lobbys que se consideram os donos da democracia!
    .
    ---»»» Democracia Semi-Directa «««---
    .
    -» Votar em políticos não é (não pode ser) passar um cheque em branco isto é, ou seja, os políticos e os lobbys pró-despesa/endividamento poderão discutir à vontade a utilização de dinheiros públicos... só que depois... a ‘coisa’ terá que passar pelo crivo de quem paga (vulgo contribuinte).
    —» Leia-se: deve existir o DIREITO AO VETO de quem paga!!!
    [ver blog « Fim-da-Cidadania-Infantil » (http://fimcidadaniainfantil.blogspot.pt/)]
    .
    .
    .
    P.S.
    Outros Direitos que aqui o je vem divulgando já há alguns anos (comecei nos fóruns clix e sapo):
    - O Direito à Monoparentalidade em Sociedades Tradicionalmente Monogâmicas: ver blog "http://tabusexo.blogspot.com/".
    - O Direito à Sobrevivência de Identidades Autóctones : ver blog "http://separatismo--50--50.blogspot.com/".

    ResponderEliminar