segunda-feira, 9 de novembro de 2015

A BIRRA DO MORTO

Este debate do Programa de Governo, da Coligação PSD/PP, faz lembrar a birra do morto, o texto dramático de Vicente Sanches que é a história de um defunto anunciado, que se recusa a morrer completamente. É uma tragicomédia com uma fina ironia sobre a morte e o seu ritual, no momento do velório. A Assembleia da República tinha, de facto, um tom funéreo, visível nos rostos fechados dos membros do governo, mesmo que às vezes, como acontece sempre nas piores desgraças, disfarçassem a dor com esgares de sorrisos amarelos. Fazia lembrar esses episódios de passamento, com as carpideiras de serviço, interiorizando histerias, a fazerem o espectáculo que as circunstâncias funestas impõem.
Quem assistia ao início do desenlace, que irá ocorrer amanhã (é a morte anunciada!), poderia até dizer que já terá ido a velórios bem mais divertidos.
Seja como for, neste caso, como na birra do morto, quer negar-se a evidência da morte, numa negação da realidade que toca as raias do absurdo. Toda a gente sabe, a começar por Cavaco, que apesar da pompa e circunstância da apresentação de um Programa de Governo, o executivo de Passos & Portas vai cair, estrondosamente, do poleiro, num patético adeus ao poder. Derrotado à partida, prolongar o espectáculo tornou-se numa comédia barata, que mete dó.
Este governo jaz morto e apodrece. Cheira mal!

1 comentário:

  1. Agora será Cavaco a assumir, outra vez, as suas responsabilidades e dar posse a um governo de esquerda. Sem dramas. Pois se o PSD e o CDS apoiarem o novo governo do modo que pretendiam que o PS apoiasse o governo de coligação, haverá estabilidade e bom senso.

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