quinta-feira, 26 de novembro de 2015

RAIVINHAS FASCISTÓIDES


Este é um título de primeira página do "Diário de Notícias" de hoje. Talvez não valha a pena falar na obrigação da imprensa em valorizar uma sociedade inclusiva e fugir da tentação do recurso aos estigmas raciais ou de deficiência. Mas a morbidez de procurar, por puro sensacionalismo, aquilo que de pior às vezes revela a natureza humana, é coisa que já não causa espanto, em Portugal. Se há coisa que, como cidadão português me orgulhou, foi a dimensão inclusiva que marca inteligentemente o governo de António Costa. Quanto ao resto, em títulos ou em comentários desbragados e profundamente xenófobos nas redes sociais, resquícios de saudades fascistóides, é melhor repetir sempre o sábio ensinamento de Schiller: "Contra a estupidez até os deuses lutam em vão".

2 comentários:

  1. A histeria do despeito que uma espécie de jornalismo não tem sabido nem querido disfarçar (de modo tão estúpido e contraproducente como aconteceu, por exemplo, com o desgraçado presidente da República e a queda da máscara de prestígio da rede de órgãos de comunicação do "militante nº 1"), esta desbragada e despudorada histeria tem neste tempo de transe uma grave utilidade: a de aclarar as águas e diferenciar os valores. No dia em que ouvimos de António Costa um discurso que nos mata a saudade dos homens de Estado, é maior o estrondo com que caem as degradantes e hediondas cartilhas do fatalismo feudal em que o País já parecia deixar-se mergulhar.
    Estamos, na incerteza do difícil futuro e na certeza de mil adversidades e traições, como quem vivia num imenso incêndio que tudo devastava à sua volta e agora vê abrir-se uma porta - e não sabemos o que nos espera mas sentimos um esperançoso alívio por sairmos do inferno em que nos sitiavam.
    Agora é avançar. Como lembra Mia Couto, "futuro é uma coisa que existindo nunca chega a haver".

    ResponderEliminar