segunda-feira, 7 de dezembro de 2015

LENINE: NÃO CHORES POR MIM, VASCO PULIDO VALENTE!

"Quero avisar que que VPV será o zelador da pureza das minhas ideias"
Um amigo meu costumava dizer que havia sujeitos que, vivendo na obsessão de poderem adquirir algumas sintomatologias do Conselheiro Acácio, se mascaram de eruditos e, sobretudo, vergados à monumentalidade estrangeira (um dos estigmas do provincianismo português, segundo Pessoa), costumam por-se em bicos de pés para apontar o dedo à pobre realidade nacional, inquinada de vícios ancestrais, sem direito porventura a ser pátria, porque tudo o resto (excepto os tipos desse calibre), não passa de uma triste "estrebaria", ou, mais lidos em Eça de uma irrecuperável "choldra". Isto não é povo, não é nada! Não passam todos de uns cretinos, incapazes de gerarem pensamento autónomo (claro que todo foi expropriado por sua excelência!) ou definir qualquer estratégia merecedora de ser lida numa geografia mais vasta! E os políticos, de que ele, aliás, já fez parte, são todos corridos com o labéu da estupidez, o melhor seria mesmo mandar às malvas a democracia parlamentar! E, pensando bem, como o país seria feliz só com sua excelência a preopinar, com as suas excelsas palavras ungidas de sabedoria e providencialismo! Caramba, assim, sim, a pátria portuguesa teria lugar a uma existência gloriosa.... Porque ele, basbaque de uma fauna excelentíssima, sabe tudo de tudo. Ninguém sai vivo do infernozinho que ele próprio criou como sua zona de conforto, intocável criatura para quem (deixem-me dizer a palavra certa) tudo o que passa à sua volta é uma merda. Ninguém se safa na literatura, à excepção de Lobo Antunes, o Saramago não presta, não há cinema nem teatro que valham a pena deixar o conforto do sofá e do copo de whiskie, a ciência e o conhecimento são coisas banais (olhe, lá, o Sobrinho Simões foi agora considerado o maior patologista mundial!).
Ele quer lá saber disso e dos golos do Ronaldo!
O leitor minimamente atento já percebeu que a estranhas criatura é Vasco Pulido Valente. Que do ponto vista da escrita é um excelente cronista? É. Mas do ponto de vista da sua retórica, do seu ar de cientista social para quem o destino da sociedade portuguesa só é compatível com a sua leitura, é um desastre completo. As suas duas últimas crónicas no "Público" são sinais dessa inquinação intelectual. Numa delas, considerava "infamante" haver uma maioria à esquerda (desejaria dissolver ops deputados, excepto, claro, os de Passos e Portas?), e ontem, voltaria ao tema com ares exegéticos sobre a actualidade política. num texto que ele próprio intitulou como "Cretinismo parlamentar"...
A pressa de inovação bacoca na forma como analisa a diacronia da História, levou-o a aliar o tal cretinismo parlamentar ao PCP (António Costa está sempre em pano de fundo), batendo-se como um leão pelo materialismo dialéctico, a pureza das ideias de Lenine (e talvez no seu subconsciente estivesse um estalinezinho, sabe-se lá!)
Eu não quero maçar os leitores, mas que dizer do seu incómodo pela pureza original da Revolução, pela ausência de um Palácio de Inverno em Portugal,  ou a inexistência de um Exército Vermelho "nesta nesga de terra debruada de mar". Leiam o que escreveu o sábio VPV: "É triste dar esta notícia ao Partido Comunista, mas Lenine passou a vida a desaprovar o que ele está a fazer agora. Claro que o Partido Comunista já não sabe quem foi Lenine e naturalmente não leu uma palavra dele".
Será que VPV fez um apressado regresso ao passado e julga que Portugal é a Rússia Soviética de 1917?
Mais caricata -- e absolutamente fatal para um sujeito que se julga o Papa do comentário político -- é a ideia de que no PCP não conhecem as ideias de Lenine! Em que mundo vive o sujeito? Já estou a ver Jerónimo de Sousa ofegante, a tocar a campainha de VPV, com um caderninho na mão, e a pedir-lhe:
-- Por favor, explique-me quem foi Lenine! Tire-me da sombra do meu materialismo-dialéctico...
Como dizia o Conselheiro Acácio, ele há grandes problemas... O cretinismo no comentarismo é um deles! Não há choldra que lhe valha!

3 comentários:

  1. Abraham Chévre au Lait8 de dezembro de 2015 às 10:23

    Valente: a solução é mudar a Constituição! Até o Passos Coelho disse,esse luminar!!!

    ResponderEliminar
  2. Excelente crónica, ou... narrativa, como diria o ex-primeiro ministro preso.
    O que vale é que entre as pauladas do VPV e do Sr. Fernando lá se vão se safando os ratos.
    A Maria de Lurdes já está safa, o Costa safou-se porque não foi corrido à paulada como deveria ter sido e temos agora também que o energúmeno do João Araujo já anda caladinho, que nem um rato pois claro, que o seu cliente das casas de Paris, montes alentejanos e obras de arte na casa da empregada já estará safo também. Isto para não falar da ilustre personagem das casa de Elvas que além de safo está agora também em destaque.
    Ó sr. Fernando o que é que o move nesta tão nobre causa ?

    ResponderEliminar
  3. pois, toca a mesma partitura há trinta anos. a desgraça é que tem razão, isto foi e é o que é. como o próprio reconhece a diferença é que não há hoje uma geração de setenta. E assim será por mais quinhentos anos - se ainda cá estiver.

    Em 1974 também acreditei que fora apenas o azar de quarenta e oito anos. Não foi. Façam uma análise estatística sincrónica e diacrónica e vão ver que é como os franceses dizem: plus ça change, plus c'est la m^^eme merde. Leia as épocas de portugal económico ou o soldado prático. Ladroeira, cunha, servilismo, ignorância são muito nossos. Também pode ir buscar josé magalhães godinho e os fidalgos que não sabiam nada e que passavam o tempo a jurar pelas barbas. Pois eu juro pelas minhas que mais coisa menos coisa isto vai ficar como está, um atraso de vida.

    ResponderEliminar