quarta-feira, 23 de dezembro de 2015

O CAVACAL PRAGMATISMO

O LEGADO CAVAQUISTA, POR ZÉ DALMEIDA

Está tudo farto do Cavaco. E não faltam relógios na rede social a contabilizar os dias e as horas que faltam para o sujeito se ir embora. Mas enquanto se arrasta por Belém, para as mensagens à beira da árvore de Natal ou para receber pobrezinhos, ainda vai fazendo das suas, disparando as bojardas que põem o país a rir ou a chorar de tristeza. No outro dia, num congresso que inventou para a Diáspora - palavra que dá sempre um jeito dos diabos! - saiu-se com uma tirada sobre ideologia, que dá bem a imagem do terreno baldio que naquela cabeça vai em matéria de teoria política.
A passagem foi largamente passada nas televisões como remoque ao governo de António Costa e ao seu suporte com maioria de esquerda, na Assembleia da República. Socorrendo-me do "Expresso" ficamos a saber que "o Presidente da República considerou esta terça-feira que embora a "governação ideológica" possa durar algum tempo acaba sempre por ser "derrotada pela realidade", sublinhando que na governação concreta o que domina é o pragmatismo". E mais: "Observando a zona euro, verificamos que a governação ideológica pode durar algum tempo, faz os seus estragos na economia, deixa facturas por pagar, mas acaba sempre por ser derrotada pela realidade", afirmou o chefe de Estado, Aníbal Cavaco Silva", diz o "Expresso", acrescentando: "Apontando a crise grega e a negociação do terceiro resgate como "exemplo que em matéria de governação a realidade acaba sempre por derrotar a ideologia", Cavaco Silva vincou que nos governos da União Europeia o que domina é o pragmatismo. A "ideologia económica" na zona euro, continuou, "só resiste como modo de vida de comentadores, de analistas políticos, de articulistas que fazem o deleite de alguns ouvintes, de alguns leitores, em tempos de lazer".
Ora, falando de "governação ideológica" e de "pragmatismo", como elementos da "governação concreta", Cavaco deveria ter em mente o que aconteceu em Portugal nestes últimos quatro anos e meio, e ver o que a ideologia de um liberalismo ultra-selvagem e do austeritarismo fez em Portugal. Um pragmatismo que devastou o país em pobreza e desigualdades, em desemprego e condenação de jovens à emigração, em confiscos de salários e pensões, e mais um etecétera tão longo que parece não ter fim. É o pragmatismo ideológico que Cavaco ama acima de todos e de tudo. E a lata do tipo que afirma esta atoarda contra um governo legítimo, no exacto instante em que se debatia a bandalheira e a aldrabada do BANIF, fabricado pelo seu amantíssimo governo de Coligação PSD/PP.
Até agora, quando a sua magistratura presidencial já não vale um tusto, não resiste a pôr a mão por baixo do rabo dos meninos...
Pragmatismo ideológico...


1 comentário:

  1. o cavaco não se enxerga , a memoria senil ,o BPN com todos
    os seus correlegionários envolvidos o amigo Salgado que lhe financiou a candidatura,o Banif ir-se-a saber quem são os devedores ligados ao partido , uma desgraça o contribuinte paga! o pavilhão atlântico etc.

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