quarta-feira, 30 de dezembro de 2015

O HOMEM DE BORRACHA

Numa biografia cheia de golpes de rins, comum aos homens de borracha, capazes de se curvarem com a maior das facilidades, tipo arlequim, ou comporem o registo de altivez e arrogância, com tendência para estender o braço direito, Paulo Portas comunicou que vai abandonar a chefia do CDS/PP, para se dedicar à vida empresarial, e, dizem alguns, par se preparar para Belém.
Não escondeu ele a incomodidade de ter que suportar um governo de esquerda (está para durar, pensou ele), abandonando o navio na primeira oportunidade, deixando no Partido um rasto de orfandade que será difícil preencher.
Na política, sabemos bem, ele gosta de ser submarino e mergulhar nos espaços invisíveis para exercer o seu taticismo, elaborar as suas estratégias de médio e longo curso. Um submarino: a ninguém assentaria melhor a metáfora. Enquanto os comentadores (com algumas excepções), não se cansam de cantar hossanas, transferindo para Portas o deslumbramento pacóvio que manifestam em relação ao candidato Marcelo, a sua participação no governo PAF, como comparsa de Passos Coelho, a quem agora diz good by (governa-te) fez dele a confirmação de um retrato em que sobressai a hipocrisia com que diz uma coisa e o seu contrário, a facilidade com que destrói valores que jurara defender (os reformados, os contribuintes, os "lavradores"), a mentira levada ao infinito como no caso da sua demissão irrevogável. 
Uma coisa temos que reconhecer: Portas e Passos fizeram a maior devastação no Estado Social de que há memória. Foram altamente eficazes (juntamente com o "papá" Cavaco) na reprodução da pobreza, do desemprego, da fome (as crianças foram as principais vítimas!), da infelicidade dentro de um país.
Estas são algumas das medalhas que pode levar consigo.


2 comentários:

  1. E ninguém lhe atira com um encharcado às ventas? Manso terrorismo,suavíssimo desforço !

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  2. Truque com resultado positivo em duas situações anteriores; Manuel Monteiro e Ribeiro e Castro. A opinião publica é lesta a considerar a atitude de PP na senda de um grande rasgo. Trata-se tão somente de utilizar um truque antigo e com resultado garantido. Sai agora, o partido cai abruptamente nas sondagens e a sua «corte» pede-lhe encarecidamente que volte pois os lugares disponíveis estão a reduzir-se exponencialmente. E ele volta, sorrindo com indescritível gozo. Resultou outra vez !

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