quinta-feira, 10 de dezembro de 2015

PENSAS, LOGO COMES!

Não há melhor coisa para desopilar do que a sobranceria, muitas vezes uma mistura explosiva de arrogância e estupidez, dos que se arrogam a condição de polícias de ideias, detectives de delitos de opinião, espias de heresias ideológicas e sei lá mais o quê, realidade comum a um vasto leque de regimentos partidários. 
Há tiradas, que recolhemos no inventário dos dias que vamos fazendo, que são verdadeiras peças de humorismo involuntário, ou, se quisermos, de irrealidade quotidiana, para usar um termo caro a Umberto Eco. Muitos destes procedimentos só são explicáveis pelo absurdo ( ou a irracionalidade) de sujeitos que a mediocridade filtra especialmente para lhes dar notoriedade nos partidos. A base de recrutamento são as Jotas, essas prestimosas agremiações da pátria para se arranjarem modos de vida catitas para premiar uma fauna feroz. 
Bem sei que, como em tudo, há excepções à regra. Mas a metódica rapidez com que alguns deles chegam à visibilidade político-partidária é surpreendente: em menos de um fósforo, vêmo-los chegar às primeiras filas da Assembléia, a debitar "bitaites" sobre o futuro de Portugal. Um dos mais notórios dessa plateia é um deputado que dá pelo nome de Duarte Marques, cedo iniciado nos métodos do caceteirismo verbal.
Ora, vejam só: irritadíssimo com o pensamento político de José Pacheco Pereira, que nos últimos anos não poupou críticas à perversão ideológica do PSD e à sua bengala chamada Portas, Marques veio agora, como se fora dono do partido, a pedir a sua saída "pelo seu próprio pé". Mas o mais cómico da situação foi quando ele afirmou, solene: "se pensasse como ele, teria vergonha de ser militante do PSD".
Aqui giramos para o domínio das impossibilidades. Como é que o senhor Duarte Marques poderia pensar como o historiador e investigador José Pacheco Pereira? Só por milagre! Onde a leitura? Onde a cultura? Onde o estudo? Onde os livros?
Tem, ao que parece, Duarte Marques, além de terreno baldio no domínio do conhecimento, uma outra singularidade: o trauliteirismo como pensamento dominante.

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