terça-feira, 29 de dezembro de 2015

TEMPO PRIMORDIAL

Mesmo que este espaço funcione como uma espécie de livro de todos os dias, como é regra da escrita imediata, às vezes, faz bem uma breve pausa para olharmos e vivermos outras realidades. Foi o que eu fiz, meti férias de escrita durante quatro escassos dias e fui gozar o convívio do meu neto Francisco, porventura julgando possível -- por aproximação, claro -- criar no tempo uma espécie de Pasárgada, de dimensão infantil, como metáfora pequenina da invenção poética de Manuel Bandeira. E foi. Eis o tempo que, por irrepetível, nos instantes surpreendentes que acontecem, melhor se arquiva na memória do viver quotidiano.
É, também, o tempo das histórias curtas, da oralidade pura, da descoberta mútua. E, desta vez, com direito a retrato.
-- Francisco, fazes um retrato do avô?
A resposta, a traço, foi rápida, muito rápida, e a arte final é a que se reproduz acima.
E, assim, com esta felicidade fugidia, regressa a escrita ao seu inventário dos dias.

Sem comentários:

Enviar um comentário