sábado, 24 de janeiro de 2015

UM ESCÂNDALO CHAMADO HOSPITAL

 
Ao fundo, o edifício novo construído pelo Estado
Tem mexido comigo a questão do Hospital do Fundão e, sobretudo, o silêncio cúmplice que à sua volta se tem gerado, como se o problema não tivesse, pela sua própria natureza, um carácter público e uma dimensão colectiva, que implicasse a expressão cívica de sentimentos comunitários, a inquietação profunda de serem colocados em causa direitos elementares, a ideia pouco cristã da Saúde servir, sobretudo, para um negócio que o Estado tem alimentado miseravelmente com protocolos de todo o tipo, em detrimento do Serviço Nacional de Saúde. Bem sei que a estrutura da saúde da CGTP e os deputados do PCP não têm estado quietos, mas a minha perplexidade é, sobretudo, local.
No tempo em que o Fundão falava e os interesses públicos eram ponto de honra para a denúncia, não era assim. Agora, tudo se dissolve na inevitabilidade das políticas da maioria, nos objectivos precisos de um governo que cumpre os seus imperativos de limpar do terreno a coisa pública, mesmo que ela represente a cobertura constitucional de direitos elementares. Agora, não se levanta a voz ou fala-se baixinho porque, mesmo sobre a essencialidade da vida e da morte, o medo parece ter paralisado a cidadania.
Então, este escrito servirá, pelo menos, para memória futura: fique escrito o crime que um dia aconteceu contra um Centro Hospitalar da Cova da Beira, cujo requiem, há muito vinha acontecendo na opacidade do silêncio, na falta de estratégia assumida quanto à unidade hospitalar do Fundão, olhada sempre como bengala menor do grande hospital da Covilhã. Não quiseram perceber o universo da Cova da Beira e a força que isso mesmo representa como suporte essencial de um Centro Hospitalar, ainda para mais acoplado a uma Faculdade de Ciências da Saúde.
Para se ajuizar como estas coisas se fazem, ponha-se o preto no branco: o Ministério da Saúde (que tão mal tratou o Fundão e a região no caso da instalação de serviços de Medicina Nuclear) concretizou um protocolo com a União das Misericórdias e a Misericórdia do Fundão para a cedência (ou transmissão) do Hospital do Fundão à Misericórdia local. O contrato foi feito à revelia do presidente da Câmara do Fundão e, pasme-se, do próprio director do Centro Hospitalar da Cova da Beira, Prof. Miguel Castelo Branco, como ele próprio esclareceu. Se isto não parece um negócio apressado e pouco transparente, então as palavras perderam de todo o significado.
Talvez por isso seja bom um pouco de história, que ilumine esta dicotomia entre público e privado, expressa sempre na oportunidade do negócio, no cifrão que cega este governo e muito boa gente. Com o 25 de Abril, o Hospital da Misericórdia do Fundão passou a integrar o Serviço Nacional de Saúde, mediante uma boa renda que o Estado pagou sempre pelo edifício.
O Hospital da Misericórdia, como outros  em outras cidades, cumprira socialmente uma missão valiosa, acudindo sobretudo aos que, num tempo em que não havia direitos, tinham ali um porto de abrigo. Eram os desvalidos. O Hospital era, sobretudo, para os pobres.  Porque a gente com posses ia aos especialistas de Lisboa e Coimbra resolver os seus problemas. O apoio do Estado era diminuto, e para ser viável o Hospital havia os Cortejos de Oferendas, que mobilizava a população do concelho, que sabia bem a importância de ter aquela porta aberta. Toda a gente contribuía, numa manifestação popular comovente, era o tempo em que o dr. Rolão Preto gritava nas colunas do "Jornal do Fundão": "Enquanto não há justiça, que haja, ao menos, caridade!" Era o tempo em que a mortalidade infantil parecia um castigo da ira dos deuses e a fome um flagelo que só as cantinas escolares vieram atenuar. Era um tempo assim em forma de inferno!
Com o 25 de Abril, o direito à Saúde passou a ser uma coisa materializável. Vieram os médicos à periferia, dilataram-se as consultas de especialidade, racionalizou-se, até, na articulação com o Hospital da Covilhã, quando foi criado o Centro Hospitalar da Cova da Beira, a capacidade de prestar cuidados médicos qualificados. Já não era o tempo da caridade, mas dos direitos, dos cidadãos terem acesso à Saúde, por via hospitalar ou através dos Centros de Saúde, vocacionados para os cuidados primários. Abriu-se um novo tempo. O Serviço Nacional de Saúde transformou-se numa conquista civilizacional insuperável.
Não esqueço a experiência vivida, a partir de um caso real (o célebre caso do homem do Casal da Serra, com o rosto a desfazer-se) que eu vivi no jornalismo e do papel que o escândalo nacional que a repercussão do caso teve na criação da Unidade da Dor do Fundão, um serviço pioneiro ao nível do país, que a sensibilidade do dr. Lourenço Marques soube construir.
Entretanto, o Estado construiu, no perímetro hospitalar, um novo edifício, investiu milhões de euros, onde funcionam os agora designados Cuidados Paliativos e outros serviços do Centro Hospitalar. Dizem-me que o ministro da Saúde ficou muito admirado quando lhe deram esta informação...
Digamos as coisas, como elas são: este protocolo de cedência só se pode entender como uma das tais oportunidades de negócio de que hoje tanto se fala. A saúde (e a morte) é que estão a dar. Amputa-se um Centro Hospitalar, com que objectivo? Esvaziar um pouquinho mais o Serviço Nacional de Saúde, que é a fatalidade que tem vindo a acontecer. Não será a população do concelho do Fundão que ficará a ganhar com o "negócio". Veremos o que a história da vida e da morte do Hospital do Fundão, pedra angular e justificativa do Centro Hospitalar da Cova da Beira, ensinará ao território e às suas populações, como ferida exposta no direito sagrado à Saúde. Veremos...

sexta-feira, 23 de janeiro de 2015

INVENTAR A ALEGRIA


Dizia-me, um dia destes, um amigo: abrir alguns jornais ou assistir aos telejornais é um exercício de crueldade que já não aguento.Fechado, no século XX, um tempo que julgávamos conter dentro de si a expressão total e demencial das maiores carnificinas, verificamos, com a década e meia deste nosso tempo, o Século XXI, que o homem não tomou emenda e os senhores do mundo aperfeiçoaram as suas técnicas de liquidação da humanidade. O deserto, do ponto de vista humano avança todos os dias um pouco mais e o mundo está cada vez menos habitável. E, no entanto, não falta ao inventário de crimes que vamos conhecendo pela narrativa da actualidade, omissões e esquecimentos, mortos sem nome e sem rosto, crueldades que nem sequer emergem à luz do dia e ficam sepultadas num silêncio ominoso. Não faltam por aí ditadores tolerados pelos negócios, políticos com as mãos manchadas de sangue, apologistas da dicotomia dos crimes bons e dos crimes maus. Escrevi um dia uma crónica, que figura num dos meus livros (penso) que um dia face à descrição de gulagues, campos de concentração, estatísticas de milhões e milhões de mortos, fogueiras contra o pensamento, antigas e modernas, se saiu com a síntese perfeita e definidora da ensanguentada realidade: "o género humano é muito filho da puta!".
Penso muitas vezes nessa expressão certeira, que porventura gira no mesmo sentido do que, muitos séculos anos, o nosso comprovinciano dizia do reino velho sem emenda que era o seu país, por via do fio temporal longo de intolerância e violência e da liquidação, tantas vezes sumária, da dignidade humana. Frequento muitas vezes, um livro dos mais notáveis que Vergílio Ferreira escreveu, Escrever, que é uma reflexão sobre o tempo e os acontecimentos, sobre a vida e a morte, um caderno de pensamentos onde os dias que vieram depois se encontram, às vezes, retratos com veemência e sem concessões.
Releio um deles e transcrevo para meditação:

"Inventar a alegria. Ou estar atento à sua revelação. Mas é preciso merecê-la e não estarmos tão sujos. Esquecer um pouco  talvez o ódio a fome a morte.  Guerras de carnificina odienta, imensa fome dos sub-humanos da humanidade. Inventar a alegria por sobre tudo isso ou estar limpo de todas as fezes da alma para que ela apareça. Porque há pássaros ainda a explicá-la e há a luz. E há o que simplesmente existe e é miraculoso no seu ser. Qua a paz te inunde e te lave e tu ressurjas na pureza de um mundo que vai começar".

Inventar a alegria (como o poeta Daniel Filipe um dia inventou o amor), que tarefa mais nobre alguém pode almejar? 


SOBRE A FELICIDADE

E já que estamos a navegar em páginas de Vergílio Ferreira, no tal livro, Escrever, que é uma magnífica edição organizada por Helder Godinho (seguramente o maior estudioso do autor de Aparição), há um momento muito curioso em que o escritor reflecte sobre aquelas situações em que o lugar-comum vem à tona da fala, como aquelas bengalas muito utilizadas por políticos e comentadores, que são as palavras inúteis, quando não sabemos muito bem o que havemos de dizer.
Aqui vai:

"-- Que é a felicidade?
 -- Portanto, a felicidade é sentirmo-nos portanto de bem com a vida.
 -- Pronto, a felicidade é termos, pronto, aquilo que pronto mais desejamos.
 -- A felicidade exactamente é termos exactamente aquilo que que exactamente nós queremos.
 -- A felicidade não é? é estarmos contentes não é? connosco mesmos-
 -- A felicidade, quer dizer, é ambicionarmos, quer dizer, só o que nos é necessário.
 -- A felicidade, porra, é a gente, porra, não estar chateado, porra.
 -- A felicidade an an... è an...
São sete "bordões" Mas há mais. Quase toda a gente os usa. São os intervalos em que vamos pensando uma resposta ou simples exposição. Como talvezo gaguejar do gago".

quinta-feira, 22 de janeiro de 2015

O CAFÉ E O PÃO FRESCO DA MANHÃ

Crónica

O quintal era como o Largo, no conto fabuloso de Manuel da Fonseca: o centro do mundo! A ficção do autor de Aldeia Nova, vem num livro admirável, O Fogo e as Cinzas, galeria de personagens literárias verdadeiramente inesquecíveis, hoje sepultado no silêncio, que é o cemitério da leitura em Portugal. À distância do tempo, nas memórias sempre fragmentárias do mundo da infância, o quintal era o centro de um mundo muito especial, uma geografia onde cabiam todas as aprendizagens e o puro prazer da vida parecia, ao longo das estações, ganhar sempre surpreendentes instantes de alegria. O quintal, aliás, prolongou-se pelo tempo da adolescência, pois na ausência de espaços para o desporto -- ali se jogava galhardamente um pouco de tudo. Havia num dos lados uma amendoeira, com uma copa enorme, e logo ao lado, separada por um muro abusivo, uma nespereira, locais propícios aos labirintos onde, aos olhos da infância, o perigo se jogava em cada metro de ousadia.
Havia gente, muita gente no quintal. Os operários do "Jornal do Fundão", que nos dias de sol, nas pausas do almoço, partilhavam o espaço com todos e famílias que viviam no correr de casas baixas, que o delimitavam. Havia um pouco de tudo e até os mistérios da música que o senhor Miranda, que fazia milagres com as mãos, praticava, nos enchiam os olhos de espanto. O quintal...
Mas para mim havia, sobretudo, a Lóló, que eu vi sempre de preto, na sua condição de viúva, timoneira de família numerosa, cinco filhos, na atribulada navegação da vida, procurando sobreviver à pobreza, que era uma coisa muito abençoada no Portugal de então. Vida difícil. Hoje, o quadro, penso poderia representar uma imagem daqueles filmes neo-realistas italianos, dos grandes mestres, que nos tocariam mais tarde como inquietação social insuperável.
O preto da Lólo, sempre com um lenço na cabeça, era, sem o saber (ou saberia?) o sinal exterior da sua condição de dificuldade, como as mulheres de preto que Eugénio de Andrade imortalizou dizendo, "vestidas de preto até à alma". A tonalidade escura do vestuário só não coincidia com a dimensão do afecto que a Lóló transportava sempre consigo. Eu, muito pequeno, agarrava-me à sua saia e cirandava à volta dela nas lides de sua casa, uma casa térrea e desconfortável, onde, com prodígios de imaginação, ela conseguia arrumar a família toda.
Então, um dia, devo ter espreitado da porta entreaberta, e ela me chamou. Estava sobre a mesa, uma daquelas mesas grandes de pinho para sentar a filharada, que têm ao centro uma grande gaveta onde os pobres guardam quase tudo o que é necessário ao quotidiano. Ainda estava sobre a mesa uma cafeteira daquelas que estão sempre ao lume para fazerem café de mistura e havia pão. A Lóló chamou-me e sentou-me à mesa. Deu-me uma malga de café e um pão fresco. No outro dia, li um poema que falava no café e no pão fresco que chega pela manhã, e eu pensei que o poeta estaria a falar naquele que eu bebera antigamente, migado com pedaços de pão, e que ainda hoje me sabe como o melhor que algum dia bebi. Esse sabor está grudado à memória, e, quando poiso nele, parece que me estou a ver, outra vez, a espreitar à porta entreaberta e a acolher o chamamento da Lóló.
Não sei porquê hoje lembrei-me da mundividência do quintal, esse outro centro do mundo, e da Lóló. Talvez por ser Janeiro, a Estrela está coberta de neve, nos píncaros da Gardunha ainda resiste alguma brancura, e vai por aí um frio glacial de enregelar. Porque a Lóló, até no meio do frio que sofria até aos ossos, sorria. Como se no quintal não houvesse lugar a tristezas!

terça-feira, 20 de janeiro de 2015

OS QUE VÃO MORRER NÃO TE SAÚDAM...


Quem tem ouvido os noticiários sobre as ocorrências nas Urgências, nos hospitais portugueses, e ouviu hoje as esfarrapadas desculpas do ministro da Saúde -- não me lembro de, no meio de tantas perguntas convenientes não haver uma de um jornalista sobre o desinvestimento no Serviço Nacional de Saúde ou o esquema empresarial que o governo inventou para as Urgências! --, não pode deixar de se interrogar sobre a pouca conta em que se tem a vida humana neste país.  Que se saiba -- pois a Ordem dos Médicos veio já lançar dúvidas sobre a anotação das mortes nas Urgências -- morreram já oito pessoas, algumas transformadas em cadáveres adiados durante longas horas de espera.
Em poucos países assistiríamos a tamanha indiferença governamental, à demora de uma explicação do primeiro-ministro e do se adjuvante ministro da Saúde, a um mea culpa sincero sobre os erros de planificação, a incapacidade de resposta atempada, o encarar a vida humana como acto político essencial de dignidade. As pessoas foram morrendo, mais visados os idosos, como se quiséssemos dar razão àquela exclamação de Vergílio Ferreira: "ancião ou velhinho, vê se te despachas que estamos todos com pressa e a morte vai passar".
A gripe e o frio não explicam tudo. Foi, aliás, preciso morrerem alguns, para que o senhor governo alargasse os cordões à bolsa na contratação de médios e enfermeiros, ou ampliasse horários de serviço dos Centros de Saúde. Casa roubada, trancas na porta...
Mas regresso ao início do comentário: que a vale a vida do homem? Muitos já fizeram essa interrogação e o melhor de todos, Primo Levi, que sofreu na pele o holocausto, deixou a interrogação absurda, face à desumanização da pessoa, à lapidação da sua dignidade, ao inferno em que os quotidianos se transformam, às vezes. Se isto é um homem...
A sua expressão ganha força -- e por isso me atrevo a utilizá-la aqui -- sempre que a dignidade humana é beliscada na sua essencialidade. Há mortes por omissão, há responsabilidades políticas por vazio de acção. A que raio de país estes tipos nos estão a condenar?

segunda-feira, 19 de janeiro de 2015

MANHÃ SUBMERSA

Um aspecto do debate (foto Bruno Brito)
Vergílio Ferreira com Lauro António no Seminário Velho
Não têm faltado manhãs submersas como as que Vergílio Ferreira descreveu no seu livro, a paisagem que se dissolvia na neblina e depois rompia, entre a grandeza das serras, como horizonte de liberdade. No sábado, os que tiveram a sorte de ir à Moagem ver o filme e participar num debate com o realizador, Lauro António, puderam perceber o que é verdadeiramente o mistério do cinema, na forma como captura a realidade para reelaborar a sua memória. Manhã Submersa (que sem nunca mencionar o Fundão -- o Fundão é "Torre Branca" -- faz descrições topográficas da vila e da gardunha) é exemplar, a vários títulos, por se tratar de um filme a partir do romance homónimo de Vergílio Ferreira, que a partir da imaginação de uma infância sofrida (a sua experiência enquanto menino no velho Seminário do Fundão) construiu um romance sobre um mondo concentracionário e implacável, na perplexidade do próprio adolescente.E o filme, é como se um país inteiro estivesse metido dentro das grossas paredes do Seminário, o casarão enorme que já fora fábrica de lanifícios.
Lauro António lembrou o dia em que viera ao Fundão com o escritor e mostrou imagens do lugar, na altura já muito arruinado e que servia de tecto a dezenas de retornados. Foi interessante, por isso, ouvi-lo explicar como Manhã Submersa, na transposição da ficção para o cinema, não podendo ser filmado no lugar real das angústias, fora buscar a arquitectura de um mosteiro, onde a história poderia perfeitamente decorrido, o mesmo acontecendo com paisagens da Serra, sempre com o propósito de não identificação clara do roteiro, também aí, Lauro António, construiu, também, uma realidade física e temporalmente submersa, no sentido de lhe dar uma leitura mais ampla e menos datada, para abarcar o tempo político do Estado Novo.  Foi também importante ouvir o realizador sublinhar que na narrativa cinematográfica procurara impor, relativamente aos lugares, o peso de uma arquitectura mental asfixiadora da sociedade portuguesa, metáfora sempre presente da ausência de liberdade.
Manhã Submersa, de Lauro António, faz reviver uma obra e um tempo, conjugando na relação entre a literatura e o cinema aquilo que é um dos aspectos decisivos da obra de arte: a luta pela memória. O velho edifício do Seminário, onde tudo se passou, já lá não está (é hoje um Hotel moderno fechado), mas o documentário que Lauro António fez sobre Vergílio Ferreira documenta esse espaço simbólico, com tanto peso na literatura, pois devemos sempre lembrar-nos de uma outra obra-prima sobre a mesma realidade e o mesmo lugar, o Adolescente Agrilhoado, de José Marmelo e Silva, grande romance de uma fundura e densidade psicológica e de uma inquietação social, que faz dele um dos grandes romances do século XX português.
Tudo isto girou à volta de uma iniciativa de qualidade sobre o património arquitectónico do sec XX no concelho do Fundão, projecto liderado pelo jovem arquitecto Pedro Novo. Ele e a sua equipa, promoveram uma bela exposição, realizaram colóquios, lembraram pessoas, mostraram como a paisagem urbana e as pessoas se articulam na leitura do tempo ou dos tempos. Um trabalho que merece continuidade.