sexta-feira, 6 de março de 2015

TEMPO DE POESIA


Dia esplendoroso de sol e de pássaros, luz e sombras a recortarem os detalhes avulsos das paisagens, às vezes uma casa ou uma rua, outras um muro ou uma árvore. Mas já não faltam flores silvestres pelos campos e as cerejeiras estão quase, quase, a começar a florir, como se nos estivessem a avisar que, se o tempo correr bem, vem aí um paraíso para o olhar. Quantas vezes encontramos essa substância do tempo transposta para a poesia, como acontece com tanta genialidade nas odes de Pablo Neruda, que até à volta de uma cebola escreveu um dos mais belos poemas.
Estou nisto, olho a Gardunha lá ao longe, e vejo o castanheiro da Índia, meu vizinho, também com os rebentos à flor da árvore, porque tenho à minha frente dois livros de poesia (e este é um bom tempo para os poetas!) de Albano Martins: um é mais antigo, de Setembro do ano passado, uma edição bilingue, traduzida para o castelhano por outro querido amigo e poeta, Alfredo Pérez Alencart, que gira à volta deste título Desta Varanda, o Mar. 
Albano Martins, lá em Vila Nova de Gaia, tem o mar por companhia, e este livro vem ao encontro de uma arte poética que Albano Martins pratica muito: poemas curtos, na tradição japonesa do hai-kai, três ou quatro versos que condensam a realidade dos versos.

Os barcos são aves
que perderam as asas.
Raso é o seu voo.

Ou

Desta varanda, o mar
é apenas um coração
que pulsa, rouco, na escuridão.

Estes dias, outra surpresa: mais poesia de Albano. Livro de Viagens, na belíssima colecção da "Afrontamento", com o seu porte esguio, onde os poemas respiram "liberdade livre". Albano Martins fala-nos de viagens, de cidades, de lugares, de pintura ou de música, emoções estéticas no espaço e no tempo. Nestas viagens figura também a amizade, aliás título de um poema que a generosidade do poeta me dedica, o que é para mim muito honroso. Tem poemas a amigos, por exemplo ao António Salvado, ao ângelo de Sousa,, ao Francisco Simões, ao Papiniano, ao Armando Alves e ao Alencart. E um a António Paulouro, de quem este ano se assinala o centenário, que é um belo tributo e eu deixo aqui aos meus Leitores.

Só uma ave
das alturas te serviria
de emblema. O teu voo
não era o das pombas,
mas das águias.

A luz, que Goethe reclamou até ao fim, é boa companheira da poesia. Olho, lá fora, o céu está todo de um azul que o sol torna mais forte, há pássaros a cantar e não se vê fio de nuvem no ar. Tempo de poesia, penso eu outra vez, enquanto regresso ao universo poético de Albano Martins.

EM LOUVOR DAQUELE QUE AMAVA O TEATRO


Num destes dias, por mero acaso, soube que um amigo partira, em meados de Janeiro, e não deixei de pensar que, poucos dias antes, obrigado a ficar em casa, por cuidados de saúde, tinha relido crónicas que ele escrevera num curioso livro intitulado Conversa de Barbeiro, sorri à sua ironia doce, e fiquei a pensar que há muito não o via no Teatro das Beiras, onde, era certo e sabido, o Luis Nogueira comparecia com alguma persistência. Era então verdade: o Luis Manuel Cambra Nogueira -- e nestas alturas vêm logo os traços biográficos essenciais: natural de Seia, 76 anos, professor de História -- tinha-nos abandonado para sempre. Mas olhando para a fotografia que tenho à minha frente, enquanto escrevo desajeitadas palavras, penso na sua dimensão humana e cultural e, sem medo de errar, defino-o como um militante do teatro e da cultura, sempre naquela perspectiva de que a acção cultural contém sempre uma perspectiva revolucionária, pois é um alimento de consciência sobre a realidade, que é preciso transformar. Ganhara decerto muito dessa forma de olhar a sociedade na sua fidelidade e coerência ao PCP, que foi o seu partido de sempre. Mas na paixão que cimentou pelo Teatro a sua visão da arte dramática era ampla e plural, ele gostava sobretudo de ver como o mistério do teatro se tornava coisa real no palco e de como o público se apropriava das coisas que envolviam o espectáculo, e como o teatro amador era uma experiência fantástica (fundou e dinamizou vários grupos, como o "Objectiva" e "Escola Velha", de Gouveia, onde residia).
Este Luís Nogueira, que era um senhor de grande sobriedade, que não gostava de exibir o seu saber, fez dessa paixão pelo teatro (ganha desde a Universidade) uma biografia que reflecte bem o seu conhecimento de tudo o que era oficinal, que se notava bem nas dezenas de obras que adaptou ou traduziu, neste caso com relevo para Goldoni e Tchekov, Yanis Ritsos ou James Joyce.
Gostava de jornais (fundou "O Cardo") e deixou o seu nome ligado a muitos jornais e revistas, como aconteceu com "A Fenda", "Jornal de Letras", "Praça Velha", "Terras da Beira" e "Notícias de Gouveia". Quando eu dirigi o "Jornal do Fundão" foi cronista brilhante, às vezes com lúcidas críticas sobre teatro, outras expressando a sua capacidade crítica sobre a sociedade portuguesa. Publicou o livro de poemas Cinco Poemas e um Envio, e encontra-se representado em várias antologias.
O Luis Nogueira foi-se embora, talvez desavindo com este país que nos caiu em cima ("Vou-me embora para Pasárgada"..., como diria o Manuel Bandeira).  Eu gostava de conversar com ele e algumas vezes lhe vi aquele brilhozinho nos olhos quando o Teatro se tornava matéria de sonhos. O Luis Nogueira amava tanto o Teatro que, olhando agora outra vez, com ternura, a sua foto, com o seu ar cúmplice, quase sou levado a pensar que ele também merecia que se materializasse o grande sonho dos grandes actores ou dramaturgos, Moliére, entre os primeiros, morrer no palco. Era talvez isso que o Luís poderia também desejar. No palco. No Teatro. De resto, fica-nos a saudade que (penso que foi Teixeira de Pascoaes quem disse) é o que fica quando tudo o resto acaba.




quinta-feira, 5 de março de 2015

OS VAMPIROS DO SÉCULO XXI


O Zeca escreveu e cantou os vampiros quando eles, em plena ditadura, se reproduziam na sociedade portuguesa para "chuparem o sangue fresco da manada". A canção, como acontece sempre quando as denúncias têm um carácter universal, ganhou rapidamente estatuto imemorial de crítica implacável à injustiça e à desumanidade. Veio a liberdade e muita água correu debaixo das pontes. Mas os "vampiros" na sua capacidade de reprodução, na sua voracidade de "comerem tudo" e de "chuparem o sangue da manada", ocuparam outros espaços, especializaram-se em estranhas formas de vida, tornaram-se, até, mais eficazes, com recursos tecnológicos e políticos sofisticados, máfias subtis, ou nem tanto, que desgraçam a vida dos portugueses. A sua impunidade é tal que assume foros de escândalo, de gente sem vergonha, que tem à sua trela a cumplicidade silenciosa da maior parte dor orgãos de comunicação social.
Resta-nos o espaço de in dignação e eu bem faço por praticá-lo, à minha modesta escala pessoal. Ainda hoje, estava eu a começar alegremente o dia com o sol magnífico de manhã quase primaveril, quando um amigo querido me enviou um texto que é bem a ilustração da  impunidade e malvadez dos mandantes que decidem nos conselhos de administração de instituições públicas (ainda há algumas!) mil e uma malfeitorias contra os portugueses. São os tais vampiros do século XXI.
Neste caso, o caso diz respeito à CGD e faço ao autor do texto que recebi para o reproduzir aqui acrescentando-o ao clamor das minhas indignações. Meus caros Leitores, vejam ao que isto chegou:

terça-feira, 3 de março de 2015

QUEM PODERIA ADIVINHAR QUE VIRIA A SER PRIMEIRO-MINISTRO


Depois das trapalhadas da Technoforma e de muitas situações caricatas, anda agora Passos Coelho nas bocas do mundo porque, muito antes de lhe passar pelas meninges que um dia poderia ser primeiro-ministro (quem poderia imaginar uma coisa destas, por mais dotado ou mesmo com poderes divinos, fosse o feiticeiro da turma dos Astterix ou mesmo os três pastorinhos de Fátima, coitadinhos, que conseguiam ver o futuro no horizonte largo do tempo...) Ainda há menos de uma dezena de anos, quem, mesmo nas hostes dos apaniguados, atirasse com uma bojarda dessas ("o Passos Coelho ainda vai ser primeiro-ministro da República portuguesa) sujeitava-se ao ridículo absoluto e, se a tertúlia fosse mais alargada, ouvir-se-ia, seguramente, uma gargalhada geral. "Isso não lembraria ao diabo!"
Também não lembrava a Passos Coelho. E aí o temos nos anos gloriosos de 1999-2002, 2003, 2004, a fazer como muitos portugueses: uma fugazinha à Segurança Social, coisa pouca, e um tipo com um histórico político como ele, já com biografia política -- chefe dos Jotas e deputado -- que mal fazia. Ele, pensava decerto, que era um tipo esperto e sabe-se lá até se lembrou da célebre frase de Guterres, quando, chegado ao poder, depois do longo consulado cavaquista, quis por alguma ordem nas finanças e desabafou que em Portugal só os burros é que pagavam impostos.
-- Eu sou um tipo esperto! -- terá pensado Coelho, que ainda esta semana o professor Marcelo definiu como um bom pensador (partidário). -- Para que hei-de contribuir para a Segurança Social se posso meter os sete mil euros, inteirinhos, à la poche ... 
E, durante anos, assim correram as coisas. A falta da contribuição piou fininho e acabou, como acontece sempre com uns sortudos, a dívida prescreveu. Diz-me um tipo a quem a Segurança Social mandou penhorar por uma dívida uma mobília e alguns artefactos de valor, entre os quais uma prancha de surf do puto:
-- Nas prescrições, nos impostos como nos julgamentos judiciais, há sempre uns que são mais iguais do que os outros!
Estava tudo na paz do senhor quando um jornal, "O Público", trouxe o caso à superfície da narrativa informativa. A coisa estava prescrita, ponto final. Mas a má consciência sobre o delito contributivo, levou o Passos Coelho (que agora, fatalidade! até é primeiro-ministro, a mandar a dívida prescrita, o que dizem ser um originalidade de se lhe tirar o chapéu.
Hoje, no "Público", José António Cerejo levanta outras questões e questiona: "Segurança Social não explica porque é que não contabilizou, no cálculo da dívida prescrita do primeiro-ministro, os valores do período 1999-2002". O jornalista lembra que "o pagamento de dívidas prescritas só pode ser aceite em casos excepcionais" e lembra o seguinte: "A dívida acumulada por Passos Coelho à Segurança Social entre 1999 e 2004, foi sde 5O16 euros, op que representa mais 74% do que os 2880 euros que o primeiro.ministro diz ter pago no mês passado. Se em vez desse valor, acrescido dos juros de mora no montante de 1034 euros, Passos Coelho tivesse liquidado os 5016 euros, mais os juros de mora contabilizados até Fevereiro de 2015, o total pago teria sido de mais de 8000 euros, e não de 3914 euros".
Não passando pela cabeça do infractor que viria ser primeiro-ministro, isto era caso arrumado e ele continuaria a considerar-se um tipo espertíssimo e sagaz. Mas os deuses, que como todos sabemos têm fases de loucura, fizeram-no primeiro-ministro. E, como político, cortou a torto e a direito, aumentou impostos e taxas, devastou famílias devido a falta precisamente de impostos (as execuções do fisco passou a ser o desporto mais praticado em Portugal....)
Que dirão desta farsa os portugueses a quem Passos Coelho impôs uma implacável canga contributiva? Poderão eles dizer como Dario Fo: "Não pagamos, Não pagamos!"

segunda-feira, 2 de março de 2015

O ZÉ POVINHO E A EUROPA


Eu já uma vez publiquei este espantoso desenho do meu querido Zé Dalmeida, para ilustrar as perplexidades do Zé Povinho na sua relação com uma Europa que, paulatinamente, se foi tornando um espaço político para favorecimento dos interesses financeiros, das engenharias bancárias (e das suas falcatruas), transformando num universo que deveria ser de coesão social e de uma Europa dos Cidadãos num território de desigualdades, onde impera uma lógica de desprezo por tudo aquilo que
é comum à condição humana.
O desenho do Zé Dalmeida é de 1985, vejam só, e, de então para cá, a questão europeia só se tornou um horizonte de desesperança, de desgraça humanitária, às vezes de infra-humanidade que colide com os mais elementares direitos das sociedades civilizadas. As perplexidades aumentaram, a esperança volatizou-se, o Zé Povinho acaba por pensar: que mais nos irá acontecer com estes tipos que se tornaram súbditos e fizeram, da política portuguesa um extenso role de fretes e de submissões  à toda poderosa Alemanha. Dizem agora, por aí, pensa o Zé Povinho, que uma espécie de Ulisses dos tempos modernos para dizer que os povos europeus têm direito a pensar uma outra Europa e que a democracia é sempre um tempo de alternativas. O Zé Povinho talvez possa ter direito a um fugaz sorriso e pensar em voz altas: temos direito a outro destino.

domingo, 1 de março de 2015

OS CRIADOS DA ALEMANHA

Nem sempre partilhando a ideia de que uma imagem vale mil palavras, mas hoje inclino-me perante a genialidade de António e do seu cartum no semanário "Expresso". Veja o Leitor como ali está toda a síntese da política portrugusa na União Europeia. Quem tem assistido ao deplorável espectáculo (com larga falta de sentido de Estado) das reacções do primeiro-ministro Passos Coelho e da sua professora tardia Maria Luís Albuquerque (a quem alguns chamam Miss Swaps), desde que a coligação liderada por Tsipras, actual primeiro-ministro grego, ganhou concludentemente as eleições na Grécia -- aquilo tem-lhes provocado uma azia que parece inquinar-lhes o cérebro. E, um pouco à semelhança do ministro das Finanças de Merkel, o sr. Schauble, não se têm cansado de considerar do domínio da irresponsabilidade o programa do governo, as posições do ministro Vafoukaris no Eurogrupo. O seguidismo e vassalagem do governo português (que penso já não ter base de apoio para representar Portugal) representa não só uma vergonhosa capitulação na defesa dos interesses nacionais, como uma espécie de factotuns da Alemanha, contra a Grécia, afirmando, muitas vezes, aquilo que a Alemanha pensa, mas não diz, porque a política se faz com boa dose de hipocrisia. Aliás, nos areópagos europeus, eles devem pensar:
-- Deixem lá isso, que ops palermas dos portugueses tratam dessas questões de ortodoxia financeira!
E, de facto, os palermas estão lá, para a tolice de circunstância, para a afirmação de uma fanfarronice ridícula, quando se sabe que as políticas que eles executaram Além da Troika (é sempre bom lembrar esse desejo político e ideológico) devastaram socialmente o país, destruíram boa parte da coesão social (não a mínima, mas a média), transformaram o desemprego numa fatalidade sem remédio, assassinaram a esperança dos mais jovens -- e penso que não há, no inventário das brutalidades, pior crime do que esse! Fizeram tudo isso e a pateta da Maria Luís vem ás televisões vangloriar-se que toda essa carga de desgraças e de lágrimas é o resultado da sua condição de boa aluna. Um amigo meu, que há muito perdeu a paciência com estas farsolas, ao ouvir o dislate, disse-me apenas:
-- Porrra para a aluna e para a professora!
Não admira que em recente reunião em Atenas, o chefe do governo grego tenha vindo a acusar Portugal e a Espanha, esse dueto trágico-terrestrre, de estarem na primeira linha dos que queriam, nas instituições europeias, lançar a Grécia na cova dos leões, desejando, em última instância, que o governo eleito pelos gregos fosse à vida e entregasse a alma ao criador.
É preciso dizer aos imbecis que emporcalham o nome de Portugal, que a o governo grego apenas está a defender o povo grego da catástrofe humanitária em que a Troika e a Europa o lançou. Patrioticamente, bate o pé em Bruxelas e criou, já, um facto político novo da maior importância: a Europa pode e deve ser discutida e é preciso encontrar alternativas àquilo que têm sido as políticas dos seus burocratas mascarados de políticos. É isso que indigna os serviçais da Europa, onde este governo (não Portugal) gosta de estar sempre na linha da frente.
Repare o Leitor no desenho de António: quem puxa carroça da Alemanha, que é como quem diz: o carrinho de rodas do terrível Schauble! Puxa a carroça, Maria Luís. Assim é que és boa aluna!

FOI HÁ CINQUENTA ANOS...


Ontem, estive na Escola Secundária do Fundão, nas comemorações dos seu cinquentenário, e foi uma festa que não se esgotou na nostalgia em que estes acontecimentos costumam perder-se; pelo contrário, foi uma ponte entre o tempo passado e o tempo futuro, sem esquecer o presente, hoje tão problemático na forma como o governo ultraja e desprestigia os professores ou trata a escola pública como um apêndice menor do Estado.
A efeméride foi assinalada com palavras e com um espectáculo de teatro ("Vinil 65"), do grupo Histérico, uma estrutura da própria escola, já com muitos anos de existência -- o que não deixa de ser notável -- avultando no programa um painel sobre a génese da Escola.
Foi bom perceber a batalha que implicou a criação de ensino público no Fundão e a dicotomia das desigualdades que marcavam o destino de sucessivas gerações, de acordo com a origem social e o berço. Uma sociedade enraizada em estatutos sociais (quase castas), que reproduziam na sociedade a ausência de direitos elementares e um imobilismo em que tudo se passava de acordo com uma ordem estabelecida e abençoada por Deus.
Foi bom, pois, fazer essa história em clima de convívio. Assinalando hoje o facto nestas minhas notas cursivas, quero apenas sublinhar o ódio ao ensino da ditadura (preferiam fechar escolas do que abri-las), bem expresso num corte da Censura feito ao "Jornal do Fundão" (que encabeçou a luta pela Escola Industrial, como se dizia) que aqui reproduzo homenageando todos quantos, e foram muitos, nesse tempo difícil e perigoso levantaram a voz para dizer que o Fundão não poderia ser expropriado desse direito ao ensino público, exigindo uma Escola. Durou seguramente uma década a batalha, mas a Escola chegou em 1965. Hoje, à distância do tempo, penso quantos horizontes se abriram para os jovens que, nesse tempo, tinham o destino marcado (o trabalho oficinal ou o campo), como se estivessem condenados à persistência da desigualdade. A criação de Ensino Público é um dos acontecimentos cruciais da história do Fundão, na última metade do século XX. Quantos olhos se abriram, então, para a vida, quantos jovens tomaram nas suas mãos um destino diferente.