sábado, 28 de março de 2015

O PAÍS DO FAZ DE CONTA


Na televisão, uns senhores comentadores, de ar compungido, dizem que uma agência de Rating coloca ainda Portugal na categoria de lixo, apesar dos bons resultados da economia portuguesa, cujo crescimento é de estoiro. Na categoria de lixo, dizem eles, mas logo mais à frente, na narrativa da actualidade, aparecem a ministra das Finanças rindo-se -- ao que se supõe dela própria -- na sua incursão no Parlamento, onde fora dizer que não se chateara por, afinal, o seu nome não constar da lista VIP, engenhosa produção dos senhores da Autoridade Tributária (na lista blindada só figuram os nomes de Cavaco, Passos, Portas e Núncio!) e que, vistas as coisas, mantinha a sua confiança política em Paulo Núncio, que, por acaso, também sorria. Há uma outra categoria, que os "ratings" não medem, mas os portugueses sabem decorrer da prática governativa: o lixo moral, que emporcalha sujeitos, titulares de altos cargos de orgãos de Soberania, e nos deixam atónitos face à irresponsabilidade reinante. Mas riem, riem muito, quando confrontados com factos e malandrices.
Dizem, alguns, que o rir, às vezes, é próprio dos parvos, mas neste caso os parvos não são os autores do riso, mas os seus destinatários -- os portugueses. Nesta parvoíce, em que o governo todos os dias gosta de dissolver o povão, já não há surpresas, pois todos os dias acontecem tais coisas, acontecimentos tão graves do ponto de vista político, e tudo fica numa imobilidade, que é estratégia porventura adequada face à apatia cívica. Já nem adianta fingir que alguma coisa muda, para tudo ficar na mesma. Tudo fica sempre na mesma: o governo é sempre irresponsável no plano político! Ainda hoje, o "Expresso", traz a boa largura, na primeira página, a seguinte notícia: "Ministra manipula dados sobre pedófilia". E logo explica o jornal: "Taxa de reincidência em Portugal é de 18% e não de 80, como diz Paula Teixeira da Cruz para justificar lista de abusadores"; E: "Números dos serviços prisionais desmentem ministra". No interior do jornal, o caso é abundantemente desenvolvido". 
Ora uma notícia deste calibre, visando para mais a ministra da Justiça, das duas, uma: ou suscitava um imediato esclarecimento (não digo um pedido de desculpas, como da outra vez), ou, não o fazendo, um pedido de demissão. Mas em Portugal, alguém é demitido ou se demite, a não ser na escala hierárquica inferior do poder? Alguém retira responsabilidade política das trapalhadas em que se mete? Zero.
Ainda por cima, com um presidente da República, cada vez mais fora de prazo de validade (se é que alguma vez a teve!) a admoestar, como fez ontem, os que andam por aí, não a vangloriar-se dos méritos das estatísticas anunciando o crescimento futuro da economia portuguesa, mas a criticar, sempre a criticar (Ah, que saudades da Censura!), fazendo má cara aos cofres cheios, uns malandros!
Ora, esta história dos cofres cheios (será para crianças, como gosta de dizer o especialista em literatura infantil, Passos Coelho?) é, também uma boa treta. Veja-se o que escreveu Paulo Trigo Pereira no "Público": "(... Maria Luís, primeiro, e Passos Coelho, depois, reafirmaram que os cofres estavam cheios-. Com a dívida pública a atingir 130, 2% do PIB, retiremos o montante dos depósitos do Tesouro e veremos que os "cofres cheios" são uma migalha da nossa dívida. É certo que estamos em pré-campanha, mas espera-se um pouco mais decoro".
Assim vai o país do faz de conta. Para gáudio de uns poucos. Mas seguramente para desespero dos 2,7 milhões de portugueses que vivem no limiar da pobreza ou para o milhão e tal desempregados. Que dirão, uns e outros, à parábola dos cofres cheios?

quinta-feira, 26 de março de 2015

UM VOO PARA A MORTE



Dizem os noticiários que o avião da Luftansa que se despenhou nas montanhas dos Alpes, originando uma das maiores tragédias da aviação, se ficou a dever à acção demencial do co-piloto, quando estava sozinho na cabine, e quis assim destruir o avião e e levar para a morte as 149 pessoas que viajavam nele. A surpreendente notícia envolve agora um conjunto de interrogações para aclarar o perfil do piloto, a sua sanidade mental e todas as circunstâncias da sua biografia. Mas já foi adiantado que Andreas Guenter Lubitz, de 28 anos, interrompera a sua formação devido a uma depressão e que tinha problemas nervosos. A gravação de uma das Caixas Negras, indica que os passageiros só nos últimos segundos se aperceberam da tragédia que ia acontecer.
Este caso faz lembrar o poema de Brecht, quando, face à tecnologia das máquinas  (ele falava das máquinas de guerra), e de então para cá a tecnologia no âmbito da aviação comercial evoluiu espantosamente, mas o poeta, a cada confirmação do poder dos equipamentos, dizia: "mas tem um defeito, precisa de um homem...".
No caso havia a dualidade que decorria das ordens impostas. O homem podia morrer ou podia matar. Mas havia outro problema crucial: podia pensar. Neste caso o co-piloto Guenter Lubitz, não quis pensar. O seu defeito foi querer, ao mesmo tempo, morrer e matar.



A PIDE E HERBERTO HÉLDER


Há umas curiosas criaturas que olham para o passado com uma estranha benevolência, sempre dispostos a branquear as patifarias e os crimes dos ditadores. Olham para os 48 anos de ditadura, para o país salazarento que abominava a liberdade e o pensamento, que expulsava professores da Universidade (os melhores!), que obrigava ao exílio e à pobreza, que censurava escritores, jornalistas, dramaturgos, cinéfilos, rasurando a liberdade e reduzindo a vida a uma "apagada e vil tristeza", como se todo esse tempo longo, que pertence, aliás, a outros tempos longos de infâmia na história portuguesa -- e fingem que nada disso se articula com o subdesenvolvimento cultural que ainda se respira, com o país tolhido de medo que extravasa para o quotidiano, com os horizontes de esperança que continuam a ser assassinados como banalidade herdada dos velhos tempos. Ainda os vemos, por exemplo, desdenhar da importância da Educação e fazer manguitos aos direitos sociais que, nos tempos que correm são coisas para arquivar no passado. Nesta ortodoxia ideológica, em que se comprazem, reproduzem um profundo ódio à inteligência, seguindo os passos dos que puxavam pela pistola quando ouvem falar em cultura ou eram capazes de ir às universidades gritar "viva la muerte!"
É a mentalidade de um salazarismo empalhado que ainda persiste e anda por aí cumprindo a sua função de elogiar a estupidez.
Fui repescar no Blogue "Ponte Europa", do querido amigo Carlos Esperança, uma imagem que é a própria glorificação do reino cadaveroso e que reflecte bem a asfixia e a brutalidade desses 48 anos de ditadura, ainda tão perto de nós. A imagem reproduz o que a PIDE pensava de Herberto Hélder, que agora nos deixou, e é, sem favor, um dos maiores poetas da Língua portuguesa. A informação sustenta a proibição de um livro de Herberto Hélder. Que aqui fique para que conste. Que aqui fique para pensarmos. Que aqui fique para esfregarmos nas ventas dos tais benevolentes e branqueadores artífices do salazarismo

quarta-feira, 25 de março de 2015

AINDA O HERBERTO HÉLDER


Na emoção do instante da notícia da morte do poeta Herberto Hélder fui, de facto, ler poemas seus em silêncio. E quando voltei à escrita, na própria contingência da prosa, esqueci dois aspectos relevantes da colaboração de Herberto Hélder com o "Jornal do Fundão". O primeiro é a publicação do Suplemento "Poesia Experimental" (salvo erro, em 1965), dirigida por Herberto Hélder, Ernesto Melo e Castro e António Aragão, qualquer coisa que abalou a imobilidade da "comarca das letras", como diria o José Cardoso Pires. Nesse Suplemento, há um texto luminoso sobre poesia de Herberto Hélder. E Não admira que Óscar Lopes e António José Saraiva tenham assinalado a edição do Suplemente como singular para a história da literatura portuguesa.
Outra coisa foi a sua colaboração no "& etc...", dirigido pelo seu amigo Vitor Silva Tavares, e que apesar dos cortes da Censura, se afirmou entre os anos 60 e 70, o melhor e mais inovador suplemento literário publicado em Portugal. Dois momentos muito especiais da história do "Jornal do Fundão" e de António Paulouro, que era, afinal, o obreiro de tudo isto.

terça-feira, 24 de março de 2015

PARA TODO O SEMPRE






Quando a poesia é um elemento primordial de humanidade, como é o universo poético de Herberto Hélder, e nessa aventura cósmica a poesia se torna criadora de mundos e nossa companheira, no sentido de coisa comum à vida, falar da morte de um poeta como o Herberto Hélder, tentar descobrir palavras para celebrá-lo, como construtor da Língua nossa (uma Língua que ele pensou sempre sem fronteiras), é quase ousadia imperdoável. Que palavras ir buscar, que serão sempre de coisa nenhuma, para verter uma lágrima, deixar um aceno, dizer apenas porque a sua poesia está inscrita no tempo: "Bom dia, poeta!". Ele não suportaria o lugar-comum da grande perda para a cultura, ele não suportaria hipocrisias do poder, que odeiam a poesia e não a lêem, mas gostam de de se despedir com condolências, quando os poetas morrem. É como se não acreditássemos que já não haverá mais poemas, como se ele tivesse ensaiado o gesto definitivo, no seu último livro, A Morte Sem Mestre (2014).
Mas no caso do poeta que hoje nos deixou, há, como em poucos, uma luz intensa que ilumina toda a arte poética, na procura, ele, sim, daquele absoluto sobre a realidade  (a vida, o amor, os lugares, a morte) -- um "autêntico real absoluto", no garimpo da essência das coisas, como queria Novalis. É esse desafio que está presente no seu trabalho poético, assombrosa realidade idiomática que os seus versos contêm, esse Ofício Cantante, e nos deixam fascinados e, às vezes, perplexos pela fundura da alma que eles transmitem.
Quem pode esquecer o Herberto Hélder de  A Colher na Boca, como naquele poema (O Amor em Visita), que começa assim: "Dai-me uma jovem mulher com sua harpa de sombra/e seu arbusto de sangue. Com ela/encantarei a noite". Esses e outros livros, que líamos na Poesia Toda e depois no volume antológico Ofício Cantante (de 2009), a que é preciso acrescentar A Morte Sem Mestre.
Lembro-me do Herberto Hélder, na Duque de Loulé, onde funcionava a Delegação do "Jornal do Fundão", a preparar com António Paulouro e António Sena a revista NOVA, de que saíram dois números verdadeiramente notáveis. Lembro-me da revista Textos e Pretextos, da Margarida Gil dos Reis e FLUL, ter começado com um número sobre Herberto Hélder, lançado no Fundão, e dez anos depois, ter-lhe dedicado uma edição especial, onde figura um inédito do Herberto. Lembro-me da edição de Apresentação do Rosto, em 1968, a primeira edição produzida para a Ulisseia, na Tipografia do "Jornal do Fundão". Lembro-me do Eugénio de Andrade me ter facultado o manuscrito da carta longa que o Herberto lhe escreveu e que eu publiquei no JF, como a melhor homenagem Eugénio, quando ele partiu.
Mas do que mais me lembro e penso que lembrarei até ao fim dos dias é da sua poesia, como companheira, às vezes um aceno de um verso era quanto bastava para iluminar a vida. Lembro-me
que ele recomendava: se amam a minha poesia, leiam-na em silêncio. E é isso que hoje estou a fazer, percorrendo com os dedos a poesia completa, poisar na premonição da morte, na densidade de A Morte Sem Mestre, respirar os seus versos como realidade arterial viva para todo o tempo.









segunda-feira, 23 de março de 2015

PALAVRAS CRUZADAS


À boa paz da conversa com o escritor Manuel da Silva Ramos, sublinhei a constatação de o seu último romance, Impunidade das Trevas, que é um forte libelo acusatório contra a política de Passos/Portas, contra os escândalos financeiros, que tornam a realidade putrefacta, não ter encontrado eco na imprensa, onde a problemática literária e cultural faz cada vez menos parte da informação.
Resposta do Manel:
-- Estás enganado! No "Público" veio uma menção na secção Palavras Cruzadas... Pedia-se a palavra Impunidade, para o quadrado, com o seguinte enigma: romance de Manuel da Silva Ramos.
Uma gargalhada. o futuro da literatura está nas palavras cruzadas!

domingo, 22 de março de 2015

HOMENS SEM QUALIDADE


Não, não é de O Homem Sem qualidades ,de Musil, esse grande romance da literatura universal, que hoje nos move a inquietação (antes fosse!), mas o facto é que o plural decorre do artigo que José Pacheco Pereira publicou este sábado, no "Público". No vazio do comentário português, Pacheco Pereira desoculta da realidade da actualidade política situações e acontecimentos, rostos, pondo a nu a falta daquilo que antigamente se chamava a dimensão ética da política e o seu carácter de serviço público que, obviamente, exigiam logo na primeira linha do percurso pessoal um elevado grau de responsabilidade cívica e moral. Na debilidade da reflexão sobre o ser e o estar, sobre a prática e as atitudes que se elevam do quotidiano da arte de governar, Pacheco Pereiro enfatiza uma constatação que, embora os cidadãos percepcionem, convivem com ela como fatalidade: "Em Portugal, chegando-se ao poder, pode-se fazer quase tudo, sem responsabilidade e consequência. Não é de agora, mas agora a mediocridade do poder aumenta a visibilidade e a inaceitabilidade. Homens sem qualidades não assumem responsabilidades".
Sobre a célebre "bolsa VIP", ele interroga: "Alguém me pode explicar por que razão é o que o "não" dos responsáveis governamentais valia mais do que o testemunho de centenas de pessoas e das afirmações claramente sólidas do sindicato?" E, analisando os procedimentos de Passos Coelho e de Paulo Núncio, comenta: "O poder vive da hierarquia e uma mentira navega muito bem pela hierarquia acima quando é conveniente. Homens sem qualidades não assumem responsabilidades". Na extensa análise, Pacheco Pereira não poupa a tipologia comportamental de Pires Lima, num retrato implacável, que o deixa em fanicos. A propósito dum longo comentário do ministro à  TSF sobre o relatório do FMI, escreve:
"Veja-se o caso de Pires de Lima e das suas declarações, num longo comentário feito na TSF no dia 18 a pretexto do relatório do FMI. Vale a pena ouvir. Numa voz arrastada e transpirando um imenso tédio, o ministro insultou os “técnicos” do FMI (quando lhes convém passam de “credores”-salvadores a “técnicos” com palas), que vinham a Lisboa para se instalar em “bons hotéis” e escrever uns relatórios provocadores para garantirem títulos nos jornais. A sua competência “técnica” era escassa, tanto mais que “falhavam em tudo” e num futuro próximo apareceriam de “orelhas de burro” aos portugueses. Tudo isto, insisto, com imenso enfado e nojo. Irritado com o facto de os “técnicos” não alinharem no discurso eleitoral do governo, fazerem previsões pouco optimistas sobre o futuro da economia portuguesa, e denunciarem a verdade de Polichinelo que é que o governo está já há algum tempo em modo eleitoral e por isso não faz “reformas”, Pires de Lima atribuía isto tudo à necessidade mediática do FMI em ver-se falado nos jornais, sem o que se podia questionar se servia para alguma coisa. E foi mais longe: disse, não sugeriu mas disse, que o que se passava é que o FMI estava ressentido por já não “controlar a economia portuguesa”, ou seja, tinha aquilo que os portugueses chamam dor de corno."
E para o retrato não ficar incompleto, acrescenta: "Pires de Lima, cuja função no governo é tão fictícia como a sua visão eleitoral da economia, tem-se caraterizado por fazer uma espécie de papel de bufão da corte especializando-se por dizer piadas e umas superficialidades muitas vezes malcriadas no parlamento. Mas está a falar do FMI, uma entidade a que Portugal pertence, e que até há poucos dias era suposto “governar” o “protectorado” português, com total aplauso dos homens que queriam ir “para além da troika (sim troika de três, BCE, Comissão Europeia e FMI…). Aliás um deles, Vítor Gaspar tem hoje um alto cargo no FMI, a tal instituição com “orelhas de burro”. Ora se esta instituição, tecnicamente mal preparada e com “orelhas de burro”, esteve a tomar conta de nós em conúbio com o governo Passos Coelho-Portas, alguma coisa esteve muito mal no “ajustamento”. Eu sei que esteve, mas se há alguém que não tem qualquer autoridade para criticar o FMI por defender as políticas que foram as do governo PSD-CDS e que no plano teórico e ideológico nunca abandonou é Pires de Lima. É também um outro segredo de Polichinelo esconder que são essas mesmas políticas que a actual maioria vai continuar caso ganhe as eleições de 2015. Eu sei que o que irrita Pires de Lima é a inoportunidade eleitoral das declarações do FMI, e a sua chamada de atenção para um tabu do próprio, que é a incompetência e falta de preparação de muitos empresários portugueses, porque, quanto ao resto, qual é a diferença entre o que pensava a Troika e o que pensa o governo que quis ir “mais além da troika”? Nenhuma. Só não é conveniente lembrá-lo em ano eleitoral. Homens sem qualidades não assumem responsabilidades."
Nesta categoria dos homens sem qualidades e sem responsabilidades, quem não escapa, também, é Paulo Portas. Vale a pena ler, que op retrato também é saboroso:
"O terceiro caso tem a ver com Paulo Portas, que nunca mais se vai livrar nem dos submarinos, nem do “irrevogável”. Não é a oposição que assim pensa, são os portugueses, para quem se tornou uma figura particularmente detestada e por boas razões. Ele sabe disso e anda nervoso. No Parlamento, Portas comportou-se com uma notória insolência quando inquirido e o filme da sessão, acessível no You Tube, é exemplar e deve ser visto por todos. Foi interrogado pelo deputado José Magalhães que não é conhecido por ser manso e que muitas vezes é excessivo. Não foi o caso desta vez, perante um Portas malcriado até ao limite, Magalhães parecia um santo e fazia perguntas pertinentes a que Portas respondia “eu fiz, mas vocês também fizeram pior”. E, em tudo o que era delicado, fazia uma diatribe pessoal contra Magalhães - que um Presidente digno da Comissão deveria interromper de imediato - e não respondia. Ora, por muito que custe a Portas, a questão dos submarinos tem a ver com o caso BES e o que se veio a conhecer entretanto sobre a ESCOM e a partilha obscena de proveitos pelos Espírito Santo e pelos seus administradores, que foram a correr meter o dinheiro em offshores, implica um retorno aos submarinos. Ora, no centro dos submarinos está Portas, num processo que a Procuradora disse com clareza que foi mal conduzido pelo Ministério Público. O presidente da Comissão, deputado do PSD, deixou passar em claro os insultos e postura inaceitável de Portas e admoestou Magalhães por duas vezes, esquecendo-se que na Comissão, o Vice-Primeiro-Ministro pode ter os chapéus governamentais todos, mas responde ajuramentado ao deputado. Não são iguais, mas, na balda actual, tudo é permitido. Homens sem qualidades não assumem responsabilidades. Tudo isto são incidentes, “casos”, pormenores? Alguns são, como as declarações inqualificáveis de Pires de Lima. Mas são sinais, sintomas, emanações, efeitos, pestilência, do que está por baixo. Sempre que há degradação no poder político, seja por incompetência, abuso do poder, dolo, ou corrupção, os “casos” proliferam e são fendas pelas quais se podem perceber coisas bem mais importantes. Como esta: os homens sem qualidades não assumem responsabilidades."
Homens sem qualidades e sem responsabilidades, que tomaram conta deste país e vivem na certeza de fazerem tudo o que lhes apetecer porque sabem que por cá não há quem os meta na ordem. O Presidente da República (das bananas) não existe.