sábado, 11 de abril de 2015

O LIVRE CURSO DA PROPAGANDA GOVERNAMENTAL


Num ano tão eleitoral como este, a Oposição, embalada no imediatismo da política, não levanta a voz para denunciar a propaganda que corre por aí, nos comentadores com lugar selecto nas horas nobres da informação, ou pelo governo, que já nem esconde esse propósito declarado de considerar idiotas os portugueses, que quer enganar todas as vezes. No outro dia, Augusto Santos Silva, num comentário breve no FB, dizia:
"Para que conste:
1. Entrámos em abril, o quarto mês de um ano eleitoral.
2. E o comentário político em todas as três televisões generalistas está nas mãos de militantes do PSD.
3. Assim violando as ditas televisões obrigações legais, contratuais e deontológicas básicas de pluralismo.
4. Sem que a regulação, a autor-regulação, o árbitro, os proprietários, os diretores e os jornalistas se incomodem.
5. Há quem não queira mesmo que nada mude, certo?"
Hoje, no "Público". é José Pacheco Pereira que põe o dedo na ferida, no artigo "Propaganda e "queda das oligarquias".  Diz ele: "O avolumar da propaganda eleitoral do Governo tem sido enorme nestes últimos dias. Aliás, já não há verdadeiramente actividade governativa a não ser sessões de propaganda, umas a seguir às outras. Na quinta-feira, por exemplo, foram horas sobre horas de transmissão televisiva das intervenções propagandísticas numa reunião feita em nome da necessidade do investimento estrangeiro. Eu digo em nome, porque se multiplicam reuniões-pretexto deste tipo, organizadas pelo próprio governo, usando, por exemplo, o AICEP, uma das instituições públicas que mais têm sido palco da propaganda governamental, com dinheiro público. Gostava, aliás, de saber quantos investidores estrangeiros estavam presentes e como suportaram os longuíssimos discursos (Passos Coelho) e as picardias luso-portuguesas para a oposição (Paulo Portas)."
E noutro passo: "O retrato que é feito de Portugal nestas reuniões de propaganda é espantoso e mereceria toda a história de O Rei Vai Nu. Porém, já há muito poucos miúdos irreverentes e os que, desesperados perante as falsificações governamentais, gritam por todo o lado que as gloriosas vestes do poder não existem, são tratados como uns "radicais" cansativos que deviam "aprender" com o Syriza que não há alternativa".
Propaganda, propaganda, propaganda! O país vai sendo envenenado com mentiras...

quinta-feira, 9 de abril de 2015

O FUTURO


A banalização da crueldade faz parte do quotidiano. Guerras longínquas, ou nem tanto, Iraques, Sírias, Iemens, Líbias, valas comuns, genocídios, decapitações, terrorismo, assassinatos, eis o quotidiano do mundo que a informação, sobretudo as televisões, fornece como menu de todos os dias. É uma regressão civilizacional, sem paralelo. A reler Vergílio Ferreira (Escrever), anoto uma reflexão, que aqui deixo aos meus Leitores: "O futuro. Um bando de criminosos assaltou um comboio e matou com um gás letal dezenas de pessoas. Um suicida terrorista matou-se com todos os passageiros de um autocarro. Aviões de passageiros são abatidos. Bandos guerreiros trucidam-se iuns aos outros. O crime é o poder. Mafiosos organizam-se por toda a parte. Os artistas e filósofos dizem que não têm nada a dizer. O futuro. Ainda há pássaros que saibam cantar?"

quarta-feira, 8 de abril de 2015

O PORTUGAL DA SOPA DOS POBRES


Celebrando os 631 anos da Batalha dos Atoleiros, Passos Coelho foi a Fronteira, sem armadura e cavalo, avisar que "está ao nosso alcance abrir agora uma página da nossa História, depois de ultrapassada e vencida  a ameaça que todos conhecemos". Transfigurado numa espécie de Condestável de trazer por casa, sem cruz nem espada, foi glorioso: "E vencemo-la como vencemos as ameaças que tivemos de enfrentar no passado. Com a nossa vontade e a força da nossa alma".
Tão patriótico arroto, na boca do primeiro-ministro, soa a trombeta roufenha, carece de verdade para ser levado a sério.
Esta metáfora da vitória actual, como no passado, em Atoleiros, no protagonista de uma política "Além da Troika", soa a falso. Se tivesse algum respeito pela História (ele quer escrever uma página nova!), deveria pensar que Atoleiros significa a defesa da independência nacional. Ora, Passos Coelho, na sua política, capitulou em cedência total ao estrangeiro, submisso aos interesses exógenos, dando de barato a soberania nacional, vendendo o país a retalho. Este Condestável de trazer por casa, com os soldados do seu governo, ainda por cima, tendo devastado o país numa crise social sem precedentes, depois que Portugal recuperou a liberdade, canta loas a um milagre de bem-estar e de recuperação económica, que é uma grosseira mentira e que a realidade todos os dias desmente.
Ainda ontem, na tvi, ouvia a Prof. Maria João Valente Rosa, que dirige o projecto Prodata, falar da pobreza em Portugal e de como ela se instilou e alastrou no quotidiano português, atingindo com violência dois segmentos mais vulneráveis da população portuguesa: os mais velhos e as crianças. Este último segmento é ainda mais penalizado socialmente. A pobreza das crianças é uma coisa terrível, disse a socióloga.
Num país com mais de dois milhões de pobres, não espanta o contraste entre as duas fotografias, publicadas acima. Separadas por 68 anos, uma do tempo do salazarismo (1945) e outra de 2013. Duas imagens de Portugal, que não julgaríamos mais possível. O Portugal da sopa dos pobres. O Portugal da caridadezinha. Eis o Portugal que Passos Coelho diz que abre uma nova página da História...

terça-feira, 7 de abril de 2015

FALTA DE MEMÓRIA OU ESTUPIDEZ?


Ainda Sampaio da Nóvoa não anunciou a candidatura e já a feira das vaidades da política, à direita e à esquerda se manifesta, inquieta, com a ousadia de se pensar na putativa candidatura à Presidência do ex- Reitor da Universidade de Lisboa. Se dúvidas houvesse, algumas das posições que emergiram, a propósito, da área socialista, só vêm mostrar que a esquerda portuguesa gosta de se auto-flagelar: nem espera que os adversários maquinem divisões absurdas, faz ela própria o seu trabalhinho. Em relação a matéria tão delicada como as Presidenciais, quando era de conveniência guardar prudente silêncio, aparece logo Sérgio Sousa Pinto, com partidarite aguda, dizer, a propósito da mera disponibilidade para a política anunciada por Sampaio da Nóvoa, que "não lhe basta a sublime virgindade, em 60 anos, de nunca se ter metido em partidos, de que fugiu como um tifo". Como se pertencer a um partido fosse obrigatório, como era a Mocidade Portuguesa! E Vital Moreira que, diga-se, nos últimos anos, não lhe têm faltado zigue-zagues políticos, com a sua propensão para a magistratura da consciência, avisar que Sampaio da Nóvoa tem um "discurso político próximo das esquerdas radicais". Por defender o 25 de Abril?
Face ao destrambelhamento político dos seus camaradas, António Costa só poderia dizer o que disse. Que "no PS cada um pensa pela sua cabeça". Mais objectivo foi Manuel Alegre que afirmou ao "DN": "Os erros de alguns dirigentes do PS são em parte responsáveis pelo facto de Cavaco Silva ser Presidente da República". E clarificou: "Nóvoa é um académico e um intelectual brilhante, um democrata que se identifica com o 25 de Abril". Será isto um crime, em Portugal.
Durante estes dez anos de consulado presidencial cavaquista, a função banalizou-se na solidariedade acrítica ao governo de Passos Coelho, pôs-lhe sempre a mão por baixo, na diluição da Constituição que jurara defender (sobrepondo-lhe os interesses da manutenção do governo), na afirmação de uma prática presidencial vazia, muito vazia, da dimensão cultural, tolerando sempre mal o 25 de Abril.
Pergunta-se: é isto que a esquerda quer? Perpetuar em Belém uma "apagada e vil tristeza?"
Tenham juízo! E muita calma...
Como dizia o Manuel António Pina, isto "Ainda não é o fim nem o Princípio do Mundo. Calma é apenas um pouco tarde".
Pensem nisso os que se dizem de esquerda e juram querer a mudança. Para não virem a ter a surpresa de levarem com mais do mesmo.


segunda-feira, 6 de abril de 2015

MARIA JOÃO PIRES FELIZ NO "EXÍLIO"

A revista semanal do "El Pais" publicou domingo uma grande entrevista, que a pianista portuguesa concedeu ao diário espanhol. No retrato que o jornalista Jesús Ruiz Martilla faz, pode ler-se: "Aos três anos já dominava o piano. Aos sete deu o seu primeiro concerto. Hoje é reconhecida como uma das maiores intérpretes vivas. Converteu-se numa das poucas artistas capazes de elevar a música clássica às listas de super-vendas. Uma portuguesa de topo que ultimamente vive na Bélgica, afastada de um país com o qual cortou "pelo são". Desde os seus inícios nadou em contra-corrente. E sempre se considerou a si mesmo uma rebelde, uma outsider".
A entrevista é um curioso percurso biográfico, cheio de memórias e de inquietações. A perguntas do jornalista, Maria João Pires fala da utopia do projecto de Belgais, que é uma ferida aberta,  da falta de apoios, de incompreensões, da resistência do poder às inovações pedagógicas que punham em causa o sistema e as suas debilidades educativas. Diz ela sobre Belgais: "É difícil explicar o que se passou. Foram muitas coisas ao mesmo tempo. Creio que surgiram ciúmes à volta do que fazíamos. Começámos a experimentar no ensino primário com os meninos da zona, com bons resultados, e aquilo punha em causa os programas oficiais. Encararam-no mal. Em vez de dialogar ou observar se com isso se empreendiam caminhos alternativos, se negavam por completo. Tratava de seguir adiante programas em aparência sensatos, em pequenas aldeias, mas dei-me conta de que passava a vida lutando, por exemplo,por aplicar uma educação bilingue. Diziam-me que não se podia, e outra vez que não, até que tudo ficava bloqueado. Questões de transporte, a adequação da música aos esquemas, nada, não se podia conjugar.Muito mal, muito mal. Triste, acabei enojada".
Maria João Pires fala dos seus "exílios", primeiro no Brasil, e agora na Bélgica, onde ensina jovens pianistas. A determinada altura, diz: "Sou feliz".
Gostei de ler essa afirmação de felicidade, que é uma pedrada no país incapaz de ternura e admiração pelos seus criadores, enquanto vivos. Lá virá o tempo da liturgia do elogio póstumo...
Muitas vezes escrevi sobre a querida Maria João Pires, sobre Belgais, e me levantei contra os seus detractores. "Não atirem sobre a pianista!", disse então, num tributo de gratidão a quem nos tinha permitido sonhar ouvindo, no interior português, a grande música do mundo. Mas hoje, também eu quero aqui fazer um aceno de amizade e admiração reproduzindo para os meus Leitores uma crónica que escrevi em 2006 e intitulei

"UMA ROSA PARA A PIANISTA

A pianista é uma mulher franzina, mas de grande força interior. Mal toca no piano e os primeiros sons preenchem o silêncio, agiganta-se, como se libertasse o deus que habita a sua arte criadora. Agora quase se ouve o respirar, que às vezes parece suspenso, tão denso é, de quem assiste à magia desses únicos e definitivos. É como se do piano se elevassem os seus amigos Mozart ou Chopin, Beethoven ou Schubert, e subitamente ficassem presos à gente para todo o sempre. As mãos, prodígio da aventura da criação, caminham pelo teclado fazendo caminho à obra. A pianista tem os olhos fechados no fascínio que parece  ser a sagração da totalidade do tempo. Vou à procura de lembranças avulsas que gravaram na memória essas vivências tão singulares que ainda hoje parecem carregar aquele sentido de divino que a verdadeira arte contém. Ouvimo-la celebrar Mozart e se ele está no céu, onde poeticamente o colocou Manuel Bandeira, deve estar felicíssimo e feliz pela arte da pianista.
A pianista anda pelo mundo semeando música e poesia porque há na forma como inventa os sons uma dimensão poética. Onde quer que esteja, em Madrid ou em Berlim, em Tóquio ou em Paris, erm Londres ou em Viena, em Belgais ou em Lisboa, pinta os dias de alegria, com a força e a determinação de uma ave que risca o céu por cima de todos os mares. A pianista, neste seu percurso planetário,, confunde-se com o som de uma "humanidade a inventar", como queria o poeta, e nessa invenção é capaz de tocar o coração da Terra e de toda a gente. A pianista é o sonho de um tempo novo, a esperança de crianças sem olhos espantados de tristeza ou de dor.
Ouvimo-la tocar e navegamos pelos continentes do sonho e na solidão da sua música percebemos que o mundo não pode ser senão assim: livre como o vento, intenso como o sol,  feliz como as flores do campo. A pianista sorri e um rosto de bondade se abre à convergência de um tempo sem insídias e sem guerra. Ela vai de cidade em cidade, com as oferendas do seu saber, iluminando os dias (transforma as música em luz) com o fulgor da criação, desígnio que só os deuses julgavam possuir. A pianista enche de aplausos as grandes metrópoles culturais que se revêem na sua capacidade de intérprete e de uma linguagem musical geneticamente sua. Há luz e flores à sua volta e emoção funda perpassa pelos corações que a sua música ligou numa imensa sinfonia de alegria.
A pianista, de cada vez que abraça o piano, de cada vez que fecha os olhos na combustão da sua arte, de cada vez que cava fundo na alma o acto criador, dá-se plenamente numa dádiva que só os grandes artistas são capazes de ousar.A música é, então, esse caminho infinito, que não tem princípio nem fim, que lavra o tempo como a brisa marítima ou o vento agitam a imensidão da floresta ou a vegetação rasteira das dunas. A pianista cumpre esse  peregrinar, essa aventura exaltante, como um destino. A sorrir. Sorri sempre com a alegria de quem vê a vida como âncora de felicidade que cada um, à sua medida, tem a responsabilidade de edificar.
A pianista está cansada. O seu coração, que é do tamanho do mundo, sempre sensível à matéria de inquietação, sempre cheio de música para dar,  precisa agora, por uns dias, de não bater tão depressa, de se recolher à suavidade de um breve repouso. A pianista refaz o seu calendário, recompõe a sua geografia, mede o seu tempo dentro do tempo.
Deixemos descansar a pianista, digo para mim, baixinho. Imagino Mozart (e todos outros) com as interpretações de Maria João Piresz na cabeça, feliz e grato pelo génio da pianista. E penso que se ele aqui estivesse havia de colher uma rosa vermelha para oferecer como um beijo a quem tanta beleza e alegria já nos ofereceu".

domingo, 5 de abril de 2015

DOMINGO DE PÁSCOA


Quando olho para antigamente, nestes tempos de Páscoa, é sempre um mundo primordial e fragmentário que povoa a memória. Às vezes,  são pequenas coisas que o tempo ampliou, detalhes de uma realidade que se perde no esquecimento, como a areia se escapa por entre os dedos da mão. Já não vemos a azáfama que vai pelas ruas, as casas um brinquinho com perfumes de alfazemas e flores silvestres, para o Senhor Cristo no domingo entrar nelas como num paraíso, à medida de cada um. O senhor Abel, meu vizinho e muito devoto, que transportou sempre a religião como uma cruz ou um destino, punha sempre, à porta, um tapete de hera e flores,por onde o Bom Pastor e oi crucifixo, empunhado pelo sacristão, deviam entrar. O homem com a caldeirinha e o outro com a campainha, dalim-dalim, com solenes opas vermelhas, apanhavam a boleia e também pisavam o tapete florido e entravam. Em todas as casas, onde a pobreza não era companhia de vida, estava a mesa posta, mas nas mais abastadas havia tempo para um pequeno ágape do Compasso. O Bom Pastor e seus acólitos saíam reconfortados e felizes. Já não vemos a Aleluia a rasgar os panos pretos dos altares, como se a vida, até então suspensa de densas sombras, voltasse a recomeçar, ali,naquele momento, em toda a sua glória. Nem ouvimos a gritaria da malta que segue o prior, de casa em casa, e que estende os olhos e os braços para as casas avarandadas de onde caem moedas:
--Práqui! Práqui!
As moedas são lançadas ao ar, da varanda. A malta parece ter uma mola que a faz saltar Se a moeda é bramca, há tumulto na rua. Os matulões elevam os chapéus como conchas ou redes de pesca e gritam para a varanda, galeria onde o outro escalão social toma rosto:
-- Práqui! Práqui!
Vai tudo em monte e fé em Deus, uma amálgama de corpos, os mais pequenos triturados sem dó nem piedade na batalha à flor da rua. Lutam, esgadanham-se uns aos outros pela posse de u ma moeda. A velha luta pelo pãozinho de cada dia, está ali, sem tirar nem pôr, e daria decerto bom tema para aqueles filmes espantosos do neo-realismo italiano.
Nesta semana da Páscoa, passeavam pelas ruas estupendas mulheres com tabuleiros repletos de bolos da Páscoa, à cabeça, quentinhos, vindos do forno, deixando atrás de si fragrâncias inesquecíveis. Aqui me detenho para um aceno de gratidão à Menina Amélia (Ana Amélia, de seu nome) que mantém vivo o "milagre" da doçaria da senhora D. Maria Joaquina dos Bolos, que levou longe o nome do Fundão. As cavacas, os biscoitos, os bolos de amêndoa e os bolos de azeite, a que alguns chamam da Festa, verdadeiras maravilhas da doçaria portuguesa, que a Menina Amélia nos oferece para acrescentarmos aos dias cinzentos pequenos instantes de felicidade. A sua vida tem sido essa: os bolos. Quando a olho ou a vejo passar a caminho do forno, com o seu aspecto frágil, o seu rosto bondoso, penso naquelas mulheres que se individualizam pela força da sua faina, verdadeiras fazedoras de alegria porque naquilo que tocam as suas mãos só sabem fazer coisas boas.
Vejo-a  caminhar como um vento, transportando consigo antiquíssimos mistérios da doçaria fundanense, e falo comigo a dizer que esta mulher frágil levou uma vida de trabalho nestas fainas (quantos dias? quantas horas? quantos anos?), com os seus silêncios e os vagares que a sua arte exige, uma vida inteira a tornar o Fundão mais doce. Com o rigor de uma velha sabedoria. A Menina Amélia pode não saber (e outros também não imaginam sequer), mas é uma figura importante. Depositária de saberes, é ela quem mantém viva a célebre doçaria da senhora D. Maria Joaquina dos Bolos.

(Esta crónica foi escrita em 2011,  publicada no "Jornal do Fundão" e está incluída no primeiro volume de "Crónica do País Relativo", editado pela A.23 Edições, em 2013)