quinta-feira, 24 de dezembro de 2015

OS PÓSTUMOS NATAIS

ILUSTRAÇÃO DE ZÉ DALMEIDA 
Talvez nenhuma outra circunstância temporal mostre, com tamanha nitidez, a precariedade do tempo e dos dias vividos, como o Natal. Porque o fio que nos prende à realidade vem do fundo da infância e na consciência ganha no caminho dos dias andados, enche-se de memórias e de rostos. A isso acresce a dimensão simbólica, o carácter universal do mito, a força milenar de um dia que, às vezes, até consegue fugidias tréguas em conflitos sangrentos, que são a própria negação do Homem. Não falta ao acto criador, na literatura e em outras artes, especulações temáticas, em que a poesia tem expressão dominante. Há um poema de João Guimarães Rosa que fala na dimensão humana do presépio e do boi coloquial, como expressão de uma comum humanidade, que a literatura ilustra em antologia universal. Não sei, eu próprio, quantas vezes escrevi ficção ou crónica de circunstância sobre o Natal, sempre no confronto de um tempo de bondade com infernos sociais quotidianos, desigualdades ampliadas ao absurdo: a desumanização crescente da sociedade em que percorremos os passos da vida.
No plano próximo e pessoal, como eu dizia no início, o Natal é, também, um mundo de penetração difícil porque interroga e interroga-nos sobre o tempo que nos coube em vida. Então, os argumentos da infância, tão cheios de mistério, dos presépios e das expedições ao musgo, do madeiro que era ponto de encontro e dos sons do cancioneiro tradicional -- que a subversão comercial vai, lentamente, subalternizando --, tudo, afinal, que persiste como leitura de uma humanidade comum e igual. Depois, o Natal que cada um vive à sua medida, é uma fotografia que o pó do tempo vai diluindo, mas que surpreendentemente ganha uma força fantástica em que a saudade é o nó de todas as emoções e pensamentos.
Agora, o madeiro parece arder mais depressa, a chama de humanidade e do carácter profano e popular mais débil, mas talvez aí permaneça a simbólica renovação do tempo, tão rápido no caminho do solstício. Juntam-se à mesa, sempre fraterna, os rostos que passam por nós como sombras de uma filme a que assistimos desde a infância. O que persiste são a universalidade dos risos das crianças, a tal comum humanidade contra as descidas aos infernos do nosso tempo.
Mas hoje, vou ao encontro poético da expressão dessa realidade temporal efémera que o Natal comporta, e de que eu falava no início da crónica, no poema magnífico de David Mourão-Ferreira, "Ladainha dos Póstumos Natais", deixando um abraço de Natal feliz aos meus Leitores, na sua geografia planetária.


quarta-feira, 23 de dezembro de 2015

O CAVACAL PRAGMATISMO

O LEGADO CAVAQUISTA, POR ZÉ DALMEIDA

Está tudo farto do Cavaco. E não faltam relógios na rede social a contabilizar os dias e as horas que faltam para o sujeito se ir embora. Mas enquanto se arrasta por Belém, para as mensagens à beira da árvore de Natal ou para receber pobrezinhos, ainda vai fazendo das suas, disparando as bojardas que põem o país a rir ou a chorar de tristeza. No outro dia, num congresso que inventou para a Diáspora - palavra que dá sempre um jeito dos diabos! - saiu-se com uma tirada sobre ideologia, que dá bem a imagem do terreno baldio que naquela cabeça vai em matéria de teoria política.
A passagem foi largamente passada nas televisões como remoque ao governo de António Costa e ao seu suporte com maioria de esquerda, na Assembleia da República. Socorrendo-me do "Expresso" ficamos a saber que "o Presidente da República considerou esta terça-feira que embora a "governação ideológica" possa durar algum tempo acaba sempre por ser "derrotada pela realidade", sublinhando que na governação concreta o que domina é o pragmatismo". E mais: "Observando a zona euro, verificamos que a governação ideológica pode durar algum tempo, faz os seus estragos na economia, deixa facturas por pagar, mas acaba sempre por ser derrotada pela realidade", afirmou o chefe de Estado, Aníbal Cavaco Silva", diz o "Expresso", acrescentando: "Apontando a crise grega e a negociação do terceiro resgate como "exemplo que em matéria de governação a realidade acaba sempre por derrotar a ideologia", Cavaco Silva vincou que nos governos da União Europeia o que domina é o pragmatismo. A "ideologia económica" na zona euro, continuou, "só resiste como modo de vida de comentadores, de analistas políticos, de articulistas que fazem o deleite de alguns ouvintes, de alguns leitores, em tempos de lazer".
Ora, falando de "governação ideológica" e de "pragmatismo", como elementos da "governação concreta", Cavaco deveria ter em mente o que aconteceu em Portugal nestes últimos quatro anos e meio, e ver o que a ideologia de um liberalismo ultra-selvagem e do austeritarismo fez em Portugal. Um pragmatismo que devastou o país em pobreza e desigualdades, em desemprego e condenação de jovens à emigração, em confiscos de salários e pensões, e mais um etecétera tão longo que parece não ter fim. É o pragmatismo ideológico que Cavaco ama acima de todos e de tudo. E a lata do tipo que afirma esta atoarda contra um governo legítimo, no exacto instante em que se debatia a bandalheira e a aldrabada do BANIF, fabricado pelo seu amantíssimo governo de Coligação PSD/PP.
Até agora, quando a sua magistratura presidencial já não vale um tusto, não resiste a pôr a mão por baixo do rabo dos meninos...
Pragmatismo ideológico...


terça-feira, 22 de dezembro de 2015

BANCOS, TROIKA E CAPATAZES...

Duas notícias de hoje do "DN" sobre o crime (como disse Mariana Mortágoa, lembram-se?) do BANIF e sobre outros crimes, que os portugueses pagam sempre com língua de palmo, como o BPN dos amigalhaços do Cavaco, e do BES. Numa delas faz-se uma contabilidade trágica: "Portugueses já deram 13 mil milhões para salvar Bancos"; em outra diz-se: "Maria Luís acusa supervisão. BdP culpa governo PSD-CDS". Zangam-se as comadres...
A salvação dos Bancos foi sempre a grande aposta da Troika, a que os capatazes portugueses, sempre entusiastas, batiam muitas palmas. E, para fazê-lo, condenavam os portugueses à pobreza, agudizavam as desigualdades, aumentavam o desemprego. Os pobres que paguem a crise! Infernos dentro dos quotidianos, são coisas que não faltam por aí... Mas os grandes sábios da Troika, que passearam por este país arrogância e falsa sabedoria, não só não resolveram nada, como pactuaram com as falências. E ninguém lhes pede responsabilidades, a eles aqui colocados como grandes mestres da UE e do FMI!
Em Portugal, sempre houve uma certa impunidade para as quadrilhas mais ou menos selvagens. Eles por aí andam, saltando de poleiro em poleiro, rindo-se porque o crime compensa. E o povo? O povo paga, aguenta, aguenta... Até que.

segunda-feira, 21 de dezembro de 2015

BANIF? CHAMEM A POLÍCIA...

O que é verdadeiramente espantoso é ouvir ainda Passos & Portas, e os seus (i)legítimos inferiores, como um rebanho de Panurgo a caminho do abismo, fazerem a retórica de uma moralidade balofa, com avisos apocalípticos ao governo de António Costa: não estraguem o que nós fizemos nestes quatro anos e meio! A coisa seria cómica se não fosse dramática. É que não há memória de uns sujeitos fazerem da governança um crime de lesa-pátria, mentindo sistematicamente. O rol imenso de aldrabices abate-se sobre o povo português, e este Natal, quando todos precisávamos de algum sossego e da prometida felicidade mínima, eis que rebenta o escândalo do BANIF, urdido pelo governo PAF, uma vigarice para castigar o povo. Ora, tomem! O BANIF foi, agora vendido, em situação de emergência, ao Santander Totta, por 150 milhões. Silenciosos que nem ratos, durante meses e meses, Passos & Portas deixaram mais esta herança, que se soma a todas as outras desgraças que a sociedade portuguesa conhece bem. Esconderam o jogo, fingiram que estava tudo limpo, e, agora, o Estado português vê-se obrigado a injectar 1.766 milhões de euros directamente do Orçamento do Estado, mais 489 milhões de euros do Fundo de Resolução. Já se está a ver quanto a manobra de Passos & Portas nos vai custar!
Isto é como naqueles filmes em que as quadrilhas têm tal diversidade de personagens, que nunca se sabe quem é o chefe. Eduardo Pitta lembrava ontem, no seu Blogue "Da Literatura", um facto interessante. Lembrou ele o seguinte: "... no primeiro domingo de Agosto de 2014, quando (eram 11 da noite) o governador do Banco de Portugal apareceu em directo na televisão a anunciar a Resolução que deu origem ao Novo Banco. Nesse domingo, o governo de Passos Coelho aprovou, e o Presidente da República promulgou, o Decreto-Lei n.º 114-B/2014, de 4 de Agosto. Nesse domingo, com o PM e a maioria dos ministros na praia, a operação teve quatro intervenientes: o governador do BdP, o vice-primeiro-ministro, a ministra das Finanças e o Presidente da República. Únicos subscritores do diploma: Paulo Portas e Maria Luís Albuquerque".
Tudo limpo, "limpezas" era com eles, que estimavam a saúde do sector acima de tudo. Era, aliás, nisso que trabalhavam os já referidos malfeitores, com os sábios da Troika, que em saúde financeira foram também dos que carregaram nos gatilhos...
Quanto ao BANIF, até a Comissária Europeia deitou as mãos à cabeça: "os bancos não podem ser mantidos artificialmente no mercado com dinheiro dos contribuintes". E talvez nada defina melhor o quadro do que as palavras que a deputada do BE, Mariana Mortágua, disse hoje aos jornalistas: " O governo PSD/CDS cometeu um crime contra os interesses do Estado e do país. Ao longo de três anos, o executivo de Passos e Portas ignorou sucessivos avisos da Comissão Europeia, que recusou nada menos que oito planos de reestruturação apresentados pela administração do BANIF. Já em Setembro, avisado pelo auditor do BANIF da necessidade de uma intervenção imediata, o governo optou por nada fazer. Enquanto o governo da Direita, com a colaboração das instituições europeias, se preocupava em encenar a famosa saída limpa, a real situação do BANIF foi ocultada até se tornar insustentável. O governador do Banco de Portugal não tem as mínimas condições para se manter no lugar. O BE irá propor uma comissão parlamentar de inquérito à gestão e intervenção no BANIF para apurar todas as responsabilidades sobre o caso".
BANIF? Chamem a polícia! Já! E, enquanto ela não vem, oiçamos os Pink Floyd sobre "Money".




EM LOUVOR DO OUTONO

FOTOS DE GLAUCIA MALENA

Agora que as horas caminham rápidas para o solstício, e o Inverno começa a sentir-se nos ossos, lentamente, pela neve e pelo vento frio que está ventando (Mário Quintana), o sol breve que poisa a medo nestes dias de escassa luz ainda coloca "um frémito de emoção no meio da névoa", para utilizar um verso do grande Carlos de Oliveira. Apresso-me, por isso, a ir ao encontro da memória do Outono, que se despe vagarosamente das suas cores e nos deixa atónitos com imagens, sempre diferentes, da sua passagem de mais um ciclo. Há um verso de Sophia que fala de sombras e de luz: o Outono é rico nessa arte de tocar a realidade, e, tocando-a, dar-lhe uma surpreendente expressão de diversidade. Ponho-me a adivinhar a razão por que os poetas foram marcando este tempo com o anátema da melancolia. Vá lá saber-se porquê? Talvez apenas e só porque a simplicidade de uma folha que baloiça ao sabor do vento, e outra, e outra, são coisas para onde aponta a "bússola do coração" (outro verso, este de Albano Martins). Talvez. A roda do tempo, com os seus mistérios e as suas surpresas, os seus cantos primordiais, é tão rica no seu andar, que um compositor chamado Vivaldi compôs a Sinfonia das Quatro Estações, inventando com a sua música uma alegria universal para o ano inteiro, que também nos ensina a viver os dias como instantes únicos e irrepetíveis. Torga (sempre os Poetas!), que palmilhou o país, de lés a lés, e se comovia com os horizontes descobertos em altas montanhas ou com as surpresas de pequenos lugares de dimensão humana insuperável, ensinou-nos a ver a realidade com outros olhos, pois, dizia ele, devemos olhar uma paisagem tantas vezes quantas as necessárias para ela se tornar num "estado de alma". Foi assim, porventura, o seu registo de "Portugal".
Agora, nesta navegação breve sobre o tempo em que eu flutuo, como quem acena um adeus ao Outono, vou à procura do tal frémito de emoções transmutáveis em imagens que a memória arquivou, como quem recolheu uma bênção dos deuses indicativa de que o castanheiro da Índia quase despido, a mutação do cromatismo dos castanheiros e das carvalhas, os prodígios que vestem a terra, são apenas a surpreendente e cíclica renovação da vida. É um mundo de oferendas da natureza que todos os dias se oferece à nossa disponibilidade para ver e perceber o que Alain, nas suas Propostas sobre a Felicidade, deixou escrito e que eu cito de memória: às vezes, não é preciso ir longe, basta amar o que se vê.
Andava eu a deslumbrar-me com uma tília, de um amarelo intenso, a que a luz artificial da avenida dava mais vida, ou com os altos ramos do plátano, mais resistente ao calendário, quando uma amiga, a Maria Eugénia Ferrão, me enviou um conjunto de fotografias que eram, elas próprias, o melhor elogio ao Outono. Eram da Serra da Estrela, da parte de Manteigas, do Outono a despedir-se docemente, em todo o seu esplendor. Olhando para elas experimentava a velha sensação de eu próprio ter vivido já os detalhes desses caminhos captados agora pela mestria da brasileira Glaucia Malena, o que me leva sempre à ideia de Lorca: a fotografia prolonga a ilusão de eternidade, de presença.
Às vezes, como nestas imagens, basta olhar o céu e descobrir o bailado da luz entre as folhas das altas árvores ou viver o fascínio de caminhar sobre o chão de bosque daquela álea de carvalhos, atapetado de folhas -- que coisas fabulosas nos dá o Outono! Olho outra vez as imagens, cruzo-as com outras minhas, como num filme, adivinho que ainda há muitas folhas a cair, até as árvores ficarem descarnadas, e digo baixinho para mim:
-- O solstício já pode bater à porta...
Apropriando-me e transformando um poema do O'Neill:
"Está lá fora o solstício...
Diz-lhe que entre.
Faz bem ao solstício
estar entre a gente!"



domingo, 20 de dezembro de 2015

A MORTE A PRAZO

Que o jornalismo está pela hora da morte, parece que já toda a gente sabe, e não faltam mesmo sujeitos disponíveis para atirarem a última pazada para o cadáver que jaz meio morto e, meio morto, apodrece. Em reuniões avulsas ou encontros ocasionais, ou mesmo em sessões mais marcadas por solenidade, a maior parte da prosa gira à volta da selva que por aí vai, num universo cada vez mais submerso por valores espúrios, onde o interesse público vai abandonando gradualmente a matriz do interesse público. Às vezes, parece que há uma espada de despedimento sobre a cabeça pensante de cada um, já na maioria dos casos condenados que estão a salários de miséria. É um bom tema para o Natal, quando milenarmente se edificou a ilusão que é tempo de ser bom...
Por isso, e também numa classe que nos últimos anos se tem pensado mal a si própria -- vem aí um Congresso, haja Deus! -- julgo pertinente trazer aqui  o artigo que António Guerreiro, escreveu no "Ypsilon", no "Público", onde ele traça uma boa radiografia dos dias que correm no sector da Informação. Aqui o deixo com a devida vénia, o texto que ele intitulou "Como se fosse um destino":

"Há dias, não resisti à curiosidade de ouvir a gravação de um plenário da redacção do jornal i, onde um administrador, em vias de se tornar director, apresentou um programa “salvífico” que implica o sacrifício, a retirada e a renúncia voluntária de uma parte considerável dos jornalistas. É um documento extraordinário do nosso tempo: tem uma dose de loucura e outra de crueldade a roçar a perversão. Mas o mais inquietante é que a gravação foi difundida on-line por decisão do próprio administrador, o que significa que, por aqueles lados, a loucura foi naturalizada e a perversão é exibida sem pudor. Mas o documento lança uma suspeita: será que não teríamos muitos outros documentos como aquele se as reuniões “terminais”, digamos assim, com os empregados, destinadas a transmitir-lhes o destino das respectivas empresas (não apenas as de comunicação social) fossem gravadas e tornadas públicas? 
Um ambiente de medo, de chantagem e de aniquilação pura e simples é a regra em muitos locais de trabalho. Mas em relação a um jornal tendemos a pensar que nunca se chega a um tal nível. No entanto, algo se transformou nas últimas décadas e os jornais tornaram-se completamente permeáveis às lógicas mais duras das relações de trabalho. Os jornalistas são hoje uma classe proletarizada a quem não é reconhecida a pertença ao universo profissional dos que gozam de autonomia intelectual. Esse privilégio, associado à caução de uma assinatura pessoal, é uma coisa do passado. A partir do momento em que as notícias, de um modo geral, deixaram de ser a matéria-prima dos jornais, o poder oligárquico transferiu-se em grande parte para a chamada “opinião”, que se dilatou de maneira insensata e se tornou um derivado do entretenimento. E como a opinião pode ser fornecida por pessoas exteriores, no limite um jornal é apenas um novo género editorial, isto é, o produto de escolhas e decisões que não exigem a concepção de um jornal como uma totalidade. 
O jornalismo torna-se assim mais um ramo da “indústria de conteúdos”, que é uma coisa que se dispensou de pensar a sua forma. Nada disto acontece por acaso, e sem dúvida que muita gente implicada, embora olhando criticamente o processo, sente-se arrastada por uma poderosa força coerciva. Como na lógica da economia política do nosso tempo, também aqui há uma voz que se ouve por todo a lado a dizer: não há alternativa. Mas quando olhamos as coisas mais de perto, a alternativa existe sempre. Foi por castigo divino e por inelutável lei trágica que os trabalhadores do i ficaram submetidos a um tal administrador? Seja-me permitido introduzir uma nota da experiência pessoal. 
Durante cerca de 20 anos, o director do Sol, José António Saraiva (cuja sorte é a prova de que não há justiça imanente), foi director do jornal onde eu trabalhava, o Expresso. Recordo-o como um senhor educado, que exercia o seu poder de maneira discreta e sem impulsos de chefe tirânico. Fui sempre tratado por ele com a maior decência e gozei da máxima liberdade. Mas lembro-me, também, que os seus textos não eram exactamente o que de mais apreciável ele tinha para nos dar e muitos eram os que na redacção do jornal perguntavam: mas não há alternativa? Nos últimos anos, raramente li os seus artigos no Sol, mas todos os que li eram cómicos a valer. Involuntariamente cómicos. Espantei-me muitas vezes que os seus artigos não fossem um impedimento para o exercício das suas funções. A sua sobrevivência, como a de muitos outros, é a prova de que a lei darwiniana não se aplica às espécies intelectuais".