sexta-feira, 29 de janeiro de 2016

A FELICIDADE PELA LEITURA

Considero a Leitura, a motivação para o prazer da leitura,uma questão crucial da Cultura e da Educação. Diversos factores, onde avultou uma certa "expulsão" da literatura dos programas do Ensino Secundário e uma lamentável estreiteza de horizontes na própria compreensão do fenómeno literário no plano programático da Escola, têm conduzido a uma situação de empobrecimento do próprio uso da Língua portuguesa, a uma iliteracia perigosa e a uma menorização da escrita como grande aventura para saber ler e compreender o mundo, como Paulo Freire dizia que a leitura devia ser.  Este estado de coisas extravasa para a universidade onde também se vive, neste aspecto, uma alegre mediocridade. Por que é que esta questão não se discute dentro e fora da Escola?
O acto de ler como prática de absoluta liberdade (Daniel Penac), como enriquecimento interior para se chegar àquele universo que, dizia Borges, é o mundo, tudo aquilo que é fermento do saber ao alcance de um livro, eis uma realidade que bem merece a atenção da sociedade portuguesa para não que o país não continue a vegetar na subalternidade do analfabetismo.
Ler para viver -- cito de memória Alberto Manguel na sua monumental História da Leitura. Neste sentido, li um dia destes uma crónica em "El Pais Semanal" que apontava para outro efeito dentro da própria vida. "Ler faz-nos mais felizes", escrevia Emma Rodriguez, explicando: "A leitura faz-nos mais felizes e ajuda-nos a afrontar melhor a existência". E, dando consistência científica à sua afirmação, informava: "Os leitores ficam mais contentes e satisfeitos do que os não leitores, e em geral são menos agressivos e mais optimistas. Quem o diz são os responsáveis de uma análise recente elaborada pela Universidade de Roma III a partir de entrevistas a 1.100 pessoas. Aplicando índices como o da medição da felicidade de Veenhoven e escalas como  como a de Diener para registar o grau de satisfação com a vida, os investigadores chegaram a estas conclusões que demonstram, como diz Nuccio Ordine, autor do manifesto A utilidade do inútil, que "nutrir o espírito pode ser tão importante como alimentar o corpo" e que necessitamos, muito mais do que pensamos, dessas experiências e conhecimentos que não se traduzem em benefícios económicos".
A cronista recolhe uma citação de Alan Brew, ex-editor do Financial Times: "Ler os grandes escritores faz-te uma pessoa melhor preparada para tomar decisões criativas, interessantes e educadas".
Há, hoje, um convencimento generalizado dos benefícios da leitura. "Quando conhecemos os bens que nos proporciona não podemos deixar de praticá-la. Vamos pois à literatura, como convidava Cortázar, "como se vai aos encontros mais essenciais da existência, como se vai ao amor e às vezes à morte, sabendo que formam parte indissolúvel de um todo e que um livro começa e termina muito antes e muito depois da sua primeira e última página".
Ler para viver.

1 comentário:

  1. De tudo que escreveu só vejo alguma reticência na afirmação do ex-editor do Financial Times, "Ler os grandes escritores faz-te uma pessoa melhor preparada para tomar decisões criativas, interessantes e educadas". Parece-me que a boa leitura propicia uma compreensão e alargamento do mundo interno e externo, dá o grato prazer de contactar com pensamentos que se extinguiram, mas continuam vivos e actuais, serve a ginástica mental. Corre o risco de nos tornar demasiado sonhadores desvinculando-nos da realidade e não sei se os três adjectivos que o ex editor cita se cumprem mesmo.
    Ainda que não cumpram, se feita de gosto a leitura, é um prazer.

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