domingo, 3 de janeiro de 2016

DEBATES DE VIA REDUZIDA


(Declaração de interesse: pertenço à candidatura de António Sampaio da Nóvoa)

Se houvesse dúvidas de que as eleições Presidenciais estão a decorrer num contexto informativo que objectivamente as desvaloriza, bastaria ouvir a maioria dos debates televisivos e dar alguma atenção à forma que eles assumem para perceber que se está a produzir um profundo défice de esclarecimento dos portugueses. A receita para conduzir à indiferença é fácil: três debates por dia (só um, o da RTP, em canal aberto), em forma de contra-relógio, mais vocacionados para a fulanização das questões e menos para a discussão sobre o sentido da função presidencial. A isso acresce aquela ideia tão peregrina por aí (e com tão efeitos práticos na sociedade contemporânea) de que o excesso de informação é a melhor maneira para desinformar. Os debates da tv vão nesse sentido, alegremente, com o objectivo não de esclarecer os indígenas, mas fazer apenas pequenos espectáculos para distrair as audiências acríticas e de rebanho.
Um dos sinais dessa desvalorização é o tempo disponível para os debates, que a maior parte das vezes se esvaziam em generalidadees ou ataques pessoais, que é aquilo de que as televisões gostam. Ainda ontem, o debate entre Sampaio da Nóvoa e Henrique Neto foi, a vários títulos lamentável. Bem sei o incómodo de Sampaio da Nóvoa em responder à letra ao seu opositor, porque a um velho, diz-se, tudo se deve tolerar. Então, o moderador, José Rodrigues dos Santos, também a navegar nessas águas, deixou andar ou fazer corpo com Henrique Neto. Sampaio bem tentou que o diálogo se deslocasse para o futuro, mas os outros queriam apenas o passado (o "jornalista" até obcecado com Sócrates!), e Neto com a Universidade (estaria industriado por Mira Amaral?). Deplorável.
Assim vamos. E hoje, o "Público" publica uma entrevista com Marcelo oito páginas no interior (sempre perguntas porreiríssimas!) e uma foto quase de página inteira, na primeira, com o candidato em pose pré-presidencial. Vamos esperar que os restantes candidatos tenham idêntico tratamento. A ver vamos, como diz o cego.

1 comentário:

  1. Fiz as contas, só em espaço de publicidade perdida pelo espaço concedido ao candidato, o Público terá perdido mais de 82 mil euros... que melhor financiamento poderia esperar o candidato poupado?

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