segunda-feira, 18 de janeiro de 2016

EM DIRECTO DO INFERNO...

No outro dia, a propósito da entrevista de Sean Pen ao narco Joaquim "El Chapo" Guzman, um cronista citava que, a sede de sensacionalismo e o desejo desmedido de sordidez levou um repórter a dizer um dia que se o diabo lhe garantisse uma entrevista estava disposto a ir ao inferno fazê-la. Não faltam por cá, na imprensa (veja-se o "Correio da Manhã"), sujeitos que, armados de caneta e papel, microfone ou câmara de filmar, mesmo sem poderem entrevistar o diabo, que está bem e recomenda-se, descem todos os dias aos infernos que eles próprios cultivam, alimentando-os amorosamente com a putrefacção da informação de sarjeta, feita às vezes com o despudorado ataque ad hominem, isto é, ao carácter de pessoas de bem. Cumprem os seus objectivos na insinuação barata de mentiras, na devassa privada que a deontologia reprova, nos ataques à reserva essencial da dignidade. No fundo, hábeis praticantes de voyerismos ou de janelas indiscretas, mas sem o génio de Hitchcok, comprazem-se nesse lodo onde pretensamente chafurdam as suas investigações.  Muitos deles, andam nisto enfeudados a interesses sombrios e utilizam a informação como arma de arremesso, compondo um ar moralista e beato apenas para disfarçarem aparências, não vá o diabo tecê-las. A prática não é nova, mas envernizou-se nos tempos actuais e ampliou-se porventura para dar mais dividendos ao negócio. O país, para esses tipos, é um imenso Big Brother, onde vale tudo, porventura até tirar olhos. Quando o país se decide politicamente e a manutenção de poderes pode desequilibrar a balança, refinam as patifarias e a devassa aumenta, misturando insinuações e mentiras num processo que não visa outra coisa senão inquinar a opinião pública.
Nisto tudo, que é lamentável e triste, apenas resta o reconhecimento que tanto recurso à infâmia só é possível porque eles sabem que afinal o seu estimado candidato da direita tem o certo por incerto, e, se calhar, a sondagem real dos votos, no dia 24, encerra uma surpresa.

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