quarta-feira, 20 de janeiro de 2016

MÁSCARAS ENTRE O POVO


Uma das coisas que mais gosto em Sampaio da Nóvoa é a forma como ele encara o interesse e o serviço público e o transforma sempre numa prioridade absoluta. Não é de estranhar em quem tem passado a vida a servir e não a servir-se, no exacto cumprimento da ética republicana. Também nisso encontramos uma singularidade na sua candidatura em relação a outros, que muitas vezes metem no armário das inutilidades a consciência pública.
Gostei de ouvir Sampaio da Nóvoa responder a Marcelo Rebelo de Sousa, quando lembrou a esse candidato a ausência de preocupação sobre o facto de haver "dois países -- um dos mesmos rostos de sempre que se perpetuam na política e no poder mediático, e o de todos aqueles que, independentemente do que deram à causa pública, se deveriam limitar, ouvi-o dizer, à condição de soldados rasos". Oiçam Sampaio da Nóvoa: "Mas soldados rasos somos nós todos, porque isso é que é a República de todos iguais, e não de castas ou de clubes fechados".
É espantoso como nos querem fazer crer que aquela ideia de que todos somos iguais, mas há sempre uns mais iguais do que os outros, é uma fatalidade que os tipos que julgam barões ou detentores, em exclusivo, da acção política, continuam a apregoar, no fundo para continuarem a servir-se -- e não a servir.
Há um poema de Sophia que assenta como uma luva ao papel que o candidato Marcelo Rebelo de Sousa vem fazendo, desconstruindo politicamente a sua candidatura, com um jogo de palavras que semeiam máscaras entre o povo. Deixo só alguns versos:

"(...) Com fúria e raiva acuso o demagogo
E o seu capitalismo das palavras
(...)

Com fúria e raiva acuso o demagogo
Que se promove à sombra da palavra
E da palavra faz poder e jogo
E transforma as palavras em moeda
Como se fez com o trigo e com a terra"

Sem comentários:

Enviar um comentário