domingo, 17 de janeiro de 2016

MODERADO, HEM?

1. Quase ao mesmo tempo que, em Viseu, uma senhora, como se estivesse a contar fábulas a criancinhas, crismava Marcelo de Pirilampo, e o candidato  (já que estamos em maré de fábulas) despia a pele de lobo e vestia a de cordeiro, para se auto-proclamar como moderado, eu lia o artigo publicado no "Público", pelo historiador Manuel Loff, em que o autor, servindo-se da "biografia consentida" de Marcelo Rebelo de Sousa, feita por Vítor Matos, faz um retrato preciso do que chama o "herdeiro", herdeiro, já se vê do salazarismo-caetanismo, e do radicalismo que ele, sempre que pôde, imprimiu à direita.
É um texto longo, mas que vale a pena ler para vermos até que ponto se fundamenta contraditoriamente o pensamento político de Marcelo, sempre sustentados pelas máscaras de ser uma coisa e o seu contrário, as sibilinas mudanças de opinião, a mentira descarada ou subtil, o verdadeiro "campeão da ambiguidade". Diz Manuel Loff: "Desde 1973, primeiro no "Expresso", depois no "Semanário", na TSF (1993-96) e na TVI ou na RTP (consecutivamente desde 2000), que conta as histórias que quer, como quer, explicando Portugal como se fosse como ele diz, mas que não passa de um país que ele inventa semanalmente a seu gosto. Para o ajudar a chegar onde ele quer. Porque o herdeiro, agora, quer ser Presidente".
Os grandes produtores de informação têm passado o tempo a desvalorizar a campanha eleitoral, desvalorizando-a objectivamente como se fosse um circo, na sequência, aliás, do que foi a táctica de Marcelo: esvaziar o período eleitoral das questões políticas, tornando-o refém do fait- divers, da fulanização e daquela ideia que o poeta Ruy Belo tão bem traduziu em verso: no meu país não se passa nada!
No plano contrário, está o seu principal opositor: o candidato Sampaio da Nóvoa. Ora, olhando o labirinto das sondagens que sustentam a narrativa falseada do vencedor antecipado, apetece lembrar a advertência que um dia Marx fez aos convencidos da inalterabilidade do fluir da realidade social: às vezes, a História tem mais imaginação do que aqueles que a fazem.
É por isso que, nas circunstâncias e no tempo em que estas eleições decorrem, gostei de ontem ouvir Vieira da Silva, ministro de António Costa, a lembrar as responsabilidades históricas do povo de esquerda. Nós somos mais (vejam a Assembleia da República) e temos nas mãos a chave do problema. Basta sabermos distinguir entre o essencial e o secundário.

2. Voltando à história do pirilampo e da cobra, ao tempo em que os animais falavam, encontrei curiosamente em informação avulsa sobre os vaga-lumes, ou pirilampos, esclarecimentos preciosos que também podem fazer luz sobre a adequação da nomenclatura do insecto à figura do candidato Marcelo Rebelo de Sousa.
Assim, fiquei a saber que "os vaga-lumes ou pirilampos têm colaração alaranjada, que o Dicionário da Língua Portuguesa, considera vaga-lumes uma eufemização, e que, entre outras designações de pirilampo, há uma popular muito curiosa: "caga-lume". Quem diria...

1 comentário:

  1. Não consegue evitar a sua tendência esquerdista, mas só comento por esta frase do que o Sr. gostou de ouvir do Ministro Vieira da Silva:«Nós somos mais (vejam a Assembleia da República)». Então pergunto: Voto em Maria Belém, Henrique Neto ou Sampaio da Nóvoa Ind.!(PS)?; voto em Edgar Silva (PCP)?; voto Marisa Matias (BE)? voto em algum Ind. que tenha « responsabilidades históricas do povo de esquerda», qual será?
    Responda-me se for capaz de preferência antes das eleições.

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