sábado, 23 de janeiro de 2016

VOTAR A COR DA LIBERDADE

Amanhã, há eleições para a Presidência da República. No período de reflexão em que estamos - o que parece um estranho anacronismo - vem-me sempre à memória o longo combate contra a ditadura, pela liberdade e pelos direitos elementares entre os quais o direito de votar e eleger os representantes do povo. Duros combates, batalhas infindáveis, um tempo longo que parecia eterno, mas cuja eternidade era sempre estilhaçada pela esperança.
Alguns, que viviam no conforto da ditadura, às vezes com duplicidade, é verdade, escamoteiam hoje essa relação promíscua, como se a vida tivesse sido uma coisa linear; muitos outros, ficaram pelo caminho e houve um poeta portuguesa, um dos melhores, Jorge de Sena que escreveu: "Não hei-de morrer sem ver a liberdade". E os seus versos eram uma paleta de cores como numa grande tela onde estivesse escrita a palavra Liberdade.
A palavra liberdade também nós a escrevemos, todos os dias, na cidadania e na acção cívica, no exercício desse direito tão difícil de conquistar e que o 25 de Abril materializou, somando-o a muitos outros que são parte inteira da dignidade humana. Também nós podemos saber as cores da liberdade, de que falava Sena, na forma como encararmos a eleição de um Presidente da República - um Presidente que se identifique com Abril e que seja capaz de renovar a esperança colectiva. Amanhã é outro dia.

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