segunda-feira, 22 de fevereiro de 2016

A ESTUPIDEZ NÃO PERDOA

Às vezes, no reencontro de papéis velhos, que nos actualizam sempre a memória, encontramos coisas excelentes, histórias que um dia lemos e nos fizeram sorrir. Agora, encontrei este apontamento: Parece que o conto mais curto da literatura universal se resume a duas ou três linhas. É de um autor da América Latina, que eu li e agora não encontro, como gostaria, para oferecer aos leitores, perdido que anda no labirinto de papéis da biblioteca. Um dia há-de ser. O que interessa é relevar o génio de contar, a capacidade de fazer da história uma navegação breve, como Borges também gostava de praticar. Um dia destes, no garimpo da arte de contar, fui de novo parar ao excelente livro “Contos de 1 Minuto”, de István Örkeny, editado há anos pela Cavalo de Ferro. Não resisto a oferecer aos leitores esta pequena maravilha:

IN MEMORIAM DR. K.H.G
– Holderlin ist ihnen urbekannt? («Não conhece Hölderlin?») – perguntou o Dr. K.H.G. enquanto estava a escavar a cova para o cadáver de um cavalo.
– Quem era? – perguntou o guarda alemão. -- Aquele que escreveu o Hyperion – explicou o Dr. K.H.G, que gostava muito de explicar as coisas.
– A figura mais significativa do romantismo alemão. E Heine, por exemplo?
– Quem são eles? – perguntou o guarda.
– São poetas – disse o Dr. K.H.G. – E o nome de Schiller, não lhe diz nada?
– Conheço, sim – disse o guarda alemão.
– E Rilke?
– Esse também – disse o guarda alemão, que ficou vermelho como um pimento quando abateu a tiro o Dr. K.H.G.

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