terça-feira, 9 de fevereiro de 2016

BANQUEIROS

Para se ajuizar o que é o lodo em que hoje se transformou a imagem de marca do universo financeiro, basta pensar em duas notícias que, recentemente, vieram a lume na imprensa. O que elas representam, em termos de funcionamento de uma sociedade democrática, com saúde elementar, ou, se quiserem, de um Estado de Direito credível, isto é, digno desse nome, devia levar-nos a questionar que mundo habitamos nós, pobres mortais, cada vez mais desarmados face às patifarias de ilustres senhores.
Uma dessas situações recolho-a do comentário que Joaquim Duarte fez n' O Ribatejo: "Foi notícia esta semana a ascensão de Miguel Relvas a banqueiro. Surpreendente notícia, aliás, que a manchete do Correio da Manhã, de segunda-feira, trouxe lume em peremptória inscrição: "Passos mete 90 milhões no Banco de Relvas". E Joaquim Duarte escreve: "Um título forte, com duas escandalosas novidades: Relvas banqueiro, com a ajuda do anterior governo a que pertenceu. Sabemos como a alta-roda da política - sobretudo do chamado arco da governação -  e da alta finança têm funcionado, por cá, em estreita comunhão, com os resultados lamentáveis que todos conhecemos e continuamos hoje a pagar, do BPN ao BES e agora ao BANIF."
É um fartar vilanagem. E, no entanto, ouvimos falar estes sujeitos, sempre muito espertos, tão espertalhões que facilmente se tornam donos dos negócios da pátria, e ficamos atónitos com o seu ar beato, como se tivessem saído por momentos do altar, propalando boas virtudes, devoção à coisa pública, mais vocacionados para os outros do que a madre Teresa de Calcutá... Mas logo na primeira curva, quando deixam de ser vistos, dão corda às suas malfeitorias, espezinham os velhos, tratam mal das crianças, e abrem os braços para os sócios clientelares do partido, como aconteceu com Miguel Relvas. Mas esta de ele querer ser banqueiro, o que não lembraria ao diabo, mostra bem como neste jogo de ambições desmedidas, vale tudo.
Esta ambição de querer ser banqueiro, a qualquer preço, também foi chama que alumiou a acção de outro campeão de negócios, José Veiga. Queria comprar o Banco de Cabo Verde e, ao que parece, o Novo Banco abrira-lhe as pernas para Veiga entrar na aristocracia financeira, onde os malandros se costumam juntar. Azar dele, as negociatas deram para o torto. E agora está na cadeia, em prisão preventiva, enquanto a investigação segue os seus termos. Mais uma vez, negociatas chorudas em articulação com outros gabirus.

1 comentário:

  1. Espero que Miguel Relvas ocupe um dia o seu lugar ao lado - ou frente a frente - de José Veiga. A cadeia é pouco para gente desta laia. Eu condenava-os a trabalhos forçados. Mas depois diziam logo que era contra a moral, antidemocrático e assim.

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