segunda-feira, 1 de fevereiro de 2016

DESIGUALDADES, EDUCAÇÃO, POLÍTICAS PÚBLICAS

Há semanas, coube-me a sorte de moderar um debate sobre Educação, Desigualdades e Políticas Públicas: realidades e desafios para o futuro, na Faculdade de Ciências Sociais e Humanas da UBI. Foi uma jornada de trabalho, fechada, em que participaram professores e directores de Escolas da Cova da Beira (estava um autarca da Covilhã), investigadores portugueses e brasileiros, e a sessão articulava-se em video-conferência com Universidades brasileiras, designadamente a Universidade Federal de Minas Gerais e da Universidade Federal de Ouro Preto, que desenvolveram projectos com a Universidade da Beira Interior nas áreas da Educação, Economia, Estatística e Sociologia.
Foi uma tarde de diálogo alargado e construído de diversidades, projecto que deve amadurecer, no futuro, aberto à comunidade, para debate mais amplo, como é vontade dos organizadores, os Professores Pedro Guedes de Carvalho, Maria Eugénia Ferrão e Alcino Couto, que com entusiasmo abraçaram a iniciativa.
Aprofundou-se a questão das desigualdades, estranhamente (ou nem tanto) tão presente na sociedade contemporânea, e mergulhou-se na realidade, par lá da superfície, à procura de causalidades que nos possam levar a questionar aquela fatalidade, para não lhe chamar outra coisa. Uma das conclusões, bem assinalada pelos intervenientes, foi a necessidade de ver a Educação, não como sector isolado, mas como integrador das várias políticas políticas sem as quais os problemas não serão inteiramente superados.
É na exigência dessa perspectiva que se deve ver o contexto da Escola: as políticas públicas e educativas, a persistência das desigualdades, a natureza das políticas inclusivas, a natureza da equidade na sociedade, os problemas associados à retenção. Recolho uma intervenção: "Onde não há capacidade de investir e a distribuição do rendimento é débil, as desigualdades agravam-se" e, acrescento eu, a sua terrotorialização dilata-se. Houve exemplos claros das desigualdades educativas (Pampilhosa da Serra, por exemplo) que agravam abismos na periferia das periferias.
Estava eu a pensar no interesse colectivo da iniciativa da FCSH da UBI, quando, um dia destes, deparei com um interessante artigo de Clara Viana, no "Público" sob o título "Portugal é o país europeu com uma maior associação entre chumbos e pobreza". "Portugal é o da Europa "que mais associa chumbar com um baixo estatuto socioeconómico e cultural da família", alerta-se num estudo sobre a retenção no ensino básico e secundário. O estudo foi feito em parceria entre o Conselho Nacional de Educação (CNE) e a Fundação Francisco Manuel dos Santos, no âmbito do projecto aQeduto, que se propõe explicar a evolução dos resultados dos alunos portugueses nos testes PISA (provas promovidas pela OCDE)."
No estudo afirma-se que "as escolas portuguesas parecem estar a ser incapazes de fazer um trabalho de nivelamento de oportunidades". mas talvez a isto seja preciso acrescentar que a realidade do universo escolar se veio a degradar com as políticas de austeridade e de pobreza, com a completa insensibilidade social do governo além da Troika.
Como se vê, isto anda tudo ligada. Dizia o poeta Eduardo Carneiro. E repito-o eu.

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