sexta-feira, 12 de fevereiro de 2016

O HOMEM DO DEDO EM RISTE


Mais uma notável crónica de Ferreira Fernandes no "Diário de Notícias". É uma caricatura implacável do que é hoje a Europa, o Eurogrupo e os seus mandantes. Quantos bandoleiros, quantas quadrilhas armadas, aqui e ali, quantos quadrilheiros, não são melhores que estes tipos que tomaram conta dos destinos dos povos e os espezinham com a teologia do capitalismo financeiro. Oiço estes sujeitos, que devem ser pouco frequentáveis, e lembro sempre aquele António das Mortes, do imaginário e da realidade brasileira, que dizia:
--Eu só puxei o gatilho, os outros é que mandaram matar!
Então, fiquem com a crónica de Ferreira Fernandes e olhem para Herr Schauble:
"O homem do dedo em riste voltou a atacar. "Estamos atentos aos mercados financeiros e acho que Portugal não pode continuar a perturbar os mercados", disse ontem Wolfgang Schäuble. Se o problema era o nervosismo dos mercados, o ministro alemão deve ter acalmado, deve. Ontem, o italiano La Repubblica: "Profundo Vermelho na Bolsa"; o espanhol El Mundo: "Os Mercados Duvidam da Solvência do Deutsche Bank"; o francês Le Monde: "Ações da Societé Général Mergulham"... Meu Deus, Costa, põe mão no Centeno, que a Europa não aguenta! O papel de Portugal nas finanças mundiais é tremendo. Portugal não é a minhoquice de Espanha (onde as perdas do IBEX, este ano, são só cem mil milhões de euros...), não, nós somos capazes de ondas gravitacionais negativas como só Schäuble e Einstein são capazes de prever, a cem anos ou já para a próxima crise. A Espanha só merece um raspanete: "O Eurogrupo descarta dar a Espanha a flexibilidade no défice que pede Rajoy" (ontem, El País). Ela é minorca economicamente e tem solidez política (tirando, claro, não ter governo e, a tê-lo, será com o Podemos, solução que pode estilhaçar o país, mas só na Catalunha...). Essa não assusta Schäuble. O problema, mesmo, é Portugal. Não chega o Centeno não pedir flexibilidade, prometer cumprir o défice e dizer ao Eurogrupo que tem medidas para o caso de "vir a ser necessário"... Tudo isto é estranho. Mas Schäuble ter tantos fãs em Portugal ainda é mais."
Lê-se isto e fica-se arrepiado. Schauble também dá e encomenda tiros contra Portugal. Curiosamente, o mesmo jornal publica um artigo, intitulado "Queda da banca europeia já anulou "efeito Mario Draghi", em que se estabelecem as relações globais que levam ao arrefecimento da economia e se anota a crise de bancos como o Deutsche BanK ou da Societé Générale, "que agravaram o pessimismo dos mercados". E o texto termina: "Perante todo este cenário e todas as incertezas para 2016, continuam a ecoar as palavras já não de Draghi, mas as do Royal Bank of Scotland, ditas no início do ano: "2016 será o ano do cataclismo".
E vem Schauble a apontar o dedo a Portugal, e, mais grave, com ele fazendo coro jornalistas e comentadores que não são outra coisas senão os tais "cães de guarda do capitalismo".

1 comentário:

  1. O senhor Schauble é alemão. E eu desconfio de alemães de dedo em riste. Ponto.

    Quanto aos portugueses que fazem a mesma coisa, eles que não me obriguem a fazer um gesto feio - que é o que merecem - porque tenho de o treinar primeiro e não me apetece. Pensando bem, o melhor é cortar-lhes o dedo, a língua...que atrofio de gente. Nem por si sabem torcer.

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