quarta-feira, 24 de fevereiro de 2016

OS CASAIS DE FOLGOSINHO

Uma crónica de há dias, na tsf, do meu querido Fernando Alves, transportou-me para os Casais de Folgosinho, que é território de sonho na mítica Serra da Estrela. Não sei quantas vezes já por ali fui, na demanda de sabores (a gastronomia de Folgosinho é célebre!), mas sobretudo para lavar os olhos da alma com aquelas paisagens de horizontes vastíssimos e surpreendentes. Às vezes, quando aportamos, as montanhas já não são azuis, mas as cores nos vales dos casais, ou no dorso das serranias próximas dissolvem-se nas diversidades que fazem os instantes soberbos de deslumbramento. E, claro, há o mistério da água e todo o seu imaginário, de que fala também a crónica de Fernando Alves.
Mas os Casais de Folgosinho, muito antes do filme de Jorge Pelicano sobre os pastores lhes trazer mais celebridade, evocam em mim outros tempos e seguramente a primeira visita de um Presidente da República ao lugar. Era o general Ramalho Eanes, na sua primeira Presidência, e eu lembro-me de andar nessa geografia, então distante para mim, em acto de reportagem. Então, os Casais reflectiam ainda muito de isolamento e da pobreza que vinham do fundo dos tempos, de pastores atónitos com as novas regras que a CEE estava a impor à produção de queijos e que tornava as queijeiras espaços mais humanizados do que aqueles onde viviam as pobres criaturas. Lembro-me, aliás, de o director do Parque Natural, quando Eanes anunciou o desejo de visitar a Serra, ter dito (ou oficiado) que "a Serra da Estrela não estava em condições de ser visitada por sua Excelência o Senhor Presidente da República..."
Mas agora é a magia das palavras e dos sons de Fernando Alves que me transportam para lá e então o que a memória traz são os horizontes da paisagem da Serra, sempre a perder de vista. Oiçam o Fernando Alves:

Sinais - TSF Rádio Notícias

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