quinta-feira, 17 de março de 2016

A GERINGONÇA E A CARANGUEJOLA

Durante muitos anos, afirmou-se que a esquerda portuguesa era a mais estúpida do mundo por não ser capaz de equacionar, na justa medida, o essencial e o acessório. Isso acabou, e a direita parece ter ficado orfã de uma situação que, obviamente, lhe dava seguros dividendos de poder. Ontem viveu-se, na Assembleia da República, mais um acontecimento que marca a mudança de qualidade na política portuguesa. Pode dizer-se, sem sombra de dúvida, que se trata de mais um facto histórico na democracia portuguesa: a proposta de Orçamento do Estado para 2016 foi aprovada pelo PS, BE, PCP e PEV.
Curiosamente, o "Público" digital dava o seguinte título ao acontecimento: "A "geringonça" aprovou o Orçamento contra a vontade da "caranguejola",
E Carlos César fez uma ironia àquilo que tem sido a narrativa da direita e da Informação sobre o conceito de "geringonça", lançado pelo expedito Vasco Pulido Valente, caracterizando a direita como "caranguejola" .
O líder do PS, acusou o PSD de não querer “servir quem o elegeu nem servir para o que foi eleito”, numa alusão à decisão social-democrata de não apresentar propostas e de se abster nas alterações. Uma estratégia diferente da adoptada pelo CDS. Da "caranguejola da direita que se desconjuntou, foi o PSD que ficou a pé mas não de pé”, apontou o dirigente socialista. “ [O PSD] ficou à porta da democracia”, acrescentou, recordando que os sociais-democratas votaram contra mais de 70 artigos idênticos dos do OE 2015 que eram da sua autoria. “Esteve aqui a votar conta o que concordava, com a mesma leviandade com que se absteve no que discordava”, criticou Carlos César.

1 comentário:

  1. à parte a história que ontem se fez de facto,e parabéns à esquerda por isso, encontro esses piropos envenenados que se atiram de um lado a outro, bem apalermados.

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