quarta-feira, 30 de março de 2016

LIBERDADE, LIBERDADE!

Não sei porquê, ou talvez saiba, quando ouvi a notícia da pesada condenação a que foram sujeitos Luaty Beirão e os 16 activistas políticos, fez-me lembrar os tempos sombrios vividos em Portugal, antes do 25 de Abril, quando a liberdade era proibida e pensar um delito gravíssimo que o Estado Anti-Direito reprimia sem contemplações. O exercício do direito de manifestação, hoje uma coisa tão banal, era severamente reprimido, e, quando as reivindicações elementares de vida digna assumiam dimensão colectiva, que incomodava ou fazia tremer o regime, então era fatal o surgimento das notas oficiosas a verberar o carácter subversivo das acções cívicas e a retórica do insulto considerando os insubmissos perigosos sujeitos que atentavam contra a segurança do Estado.
Foi isso que me ocorreu quando li que os cidadãos angolanos eram "malfeitores", envolvidos em "actos preparatórios de rebelião e associação de malfeitores". E, então, lembrei os tempos em que os patriotas angolanos lutavam, cá dentro e lá fora, em Angola também, por uma exigência elementar de dignidade, por uma batalha sem fim pela liberdade. Ora, agora em Angola, como antes de Abril, em Portugal, o que havia de comum era, de facto, esse desejo desmesurado de liberdade e da possibilidade de viver de cabeça levantada, na exigência plena de realização humana.
Penso nisso, agora, outra vez, enquanto leio a crónica de uma condenação anunciada, em Angola. E de muitas maneiras e mais uma, é ao poema de Paul Eluard que os meus pensamentos vão dar, pois nenhum canto é tão belo como esse em louvor da Liberdade. O crime dos dezassete activistas angolanos foi apenas terem escrito no quotidiano da pátria angolana a palavra liberdade.

2 comentários:

  1. Os que condenavam os inimigos da pátria a soldo de Moscovo, são os que agora se juntaram ao PCP na defesa do pragmatismo dos negócios.

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