terça-feira, 1 de março de 2016

O IMAGINÁRIO DO CINEMA NO PARLAMENTO

Mais uma crónica excelente de Ferreira Fernandes, que é chamado várias vezes a este espaço, pelo motivo simples de ele ser um oásis no deserto do jornalismo português, a que os leitores não desdenharão aplauso. À volta de uma sessão do Parlamento, ele leu os acontecimentos à luz do imaginário do cinema. O resultado é como segue:

"No Parlamento: "Houston, temos um problema..."
A discussão era sobre o Orçamento mas a AR, ontem, mais parecia o antigo cinema Quarteto. "Show me the money", lançou a deputada Ana Rita Bessa (CDS) ao ministro da Educação. E não é que Tiago Brandão parecia o nosso crítico João Lopes? Respondeu-lhe: "Jerry Maguire?", e acrescentou que ela deveria era pensar no filme de Kubrick Dr. Estranho Amor: neste, o sábio louco queria explodir o mundo como o anterior ministro Nuno Crato queria implodir o Ministério da Educação. Talvez o espetáculo de ontem fosse só a febre dos Óscares de segunda-feira de madugada, mas é pena. O balcão do Parlamento podia tornar-se o Chiado-Terrasse se mantivesse no cartaz o ciclo das melhores frases do cinema.
Ainda ontem, Ferro Rodrigues, depois de contar os deputados da oposição, deveria mandar calar a deputada: "O mundo divide-se em duas categorias, os que têm a pistola carregada e os que cavam. Tu cavas..." (O Bom, o Mau e o Vilão). Ah, que dias de cineparlamento! Catarina para Jerónimo: "Acho que este é o começo de uma bela amizade" (Casablanca). Centeno sobre a TAP: "A mamã dizia sempre: a vida é como uma caixa de chocolates, nunca se sabe o que se vai encontrar" (Forrest Gump). Depois de Jerónimo confessar que continua comunista, Costa: "Ora, ninguém é perfeito..." (Quanto mais Quente melhor). Carlos César para o deputado do PAN: "Sempre acreditei na bondade dos desconhecidos" (Um Eléctrico Chamado Desejo). Costa a pedir à oposição uma moção de censura: "Make my day, faz-me feliz!" (Dirty Harry). E Passos a responder-lhe: "Carpe Diem, aproveita o momento" (O Clube dos Poetas Mortos). Entretanto, num cinema longe, em Belém, foi desprogramada para o dia 9, uma frase: "I' ll be back." Já ninguém quer ver o Exterminador Implacável."

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