segunda-feira, 21 de março de 2016

UMA FESTA DA MÚSICA!

Ontem, emocionei-me. Palavra. Assisti a um concerto memorável, o Requiem de Gabriel Fauré, pelo Coro e Orquestra da Academia de Música e Dança do Fundão, dirigidos pelo maestro Bruno Martins. A raiz da emoção nascia precisamente do facto de o acontecimento ter lugar no Fundão, que aqui olhava um pouco como microcosmos do país, e do significado que poderia ser lido ali, a partir de uma igreja repleta e cheia de música, a viver a belíssima peça sinfónica de Fauré. Então, aquele acontecimento, neste lugar, pensava eu enquanto fechava os olhos para melhor saborear o instante, era a imagem de uma das mudanças culturais mais significativas que o 25 de Abril (é bom lembrar: não nos autoflagelemos sempre!) tornou possível neste país. Sim, aquele universo de 113 participantes envolvidos na materialização da música inventada por Gabriel Fauré, representava também a transversalidade social de acesso à educação musical, imagem, pois, de um país onde o direito a estes saberes é agora tão natural como o ar que se respira!
Havia professores e alunos, jovens músicos, muito jovens, e um coro com uma caligrafia de vozes excepcional, que suavemente acompanhava a orquestra sinfónica, ou com a presença de altíssima qualidade da soprano Ana Sousa e do barítono Luís Rodrigues. Tudo se conjugou então numa combustão perfeita que é sempre a grande aventura criadora da arte e a que o maestro Bruno Martins deu expressão maior.
Emocionei-me. Palavra. Por ver a harmonia intergeracional construída por professores e alunos; e, sobretudo, porque o pequeno (ou grande?) "milagre" acontecia no Fundão. Se me pedissem para definir este concerto, eu diria, ouvindo o clamor dos longos aplausos, que foi uma enorme festa. Todos os que estiveram lá, penso que estarão gratos a esta oferenda do Requiem de Gabriel Fauré, pelo Coro e Orquestra Sinfónica da Academia de Música. Palmas para eles.

6 comentários:

  1. Talvez por ser também da província comungo do sentimento benévolo e grato de ver acontecer a música clássica fora dos grandes centros. Porém, se reconheço o facto como uma espécie de democratização da música clássica, não o verifico na grande parte - a maior - das cidades e vilas portuguesas. E nem um concerto isolado tem significado de mudança. É preciso muito mais para que este tipo de música se democratize.

    Não julgue que desvalorizo o que tanto e tão justamente louva. Pelo contrário. É bom começo que tenha agradado a todos e enchido a igreja. Mas tem que se fazer hábito.

    ResponderEliminar
  2. Concordo perfeitamente com o comentário de bea, é preciso que o que acontece excepcinalmente seja tornado normal e com programas que divulguem toda a musica clássica desde os clássicos aos romanticos e aos musicos do nosso tempo, levar a música ás salas publicas que foram construidas para fazer chegar ás pessoas toda acultura, música teatro e outras formas de expressão cultural.

    ResponderEliminar
    Respostas
    1. Caro Emílio Rodrigues
      O trabalho e apresentações públicas das várias estruturas da Academia de Música e Dança do Fundão acontece com regularidade não só no Fundão como em outras localidades da região e do país. Só mesmo a título de exemplo, refiro-lhe que amanhã dia 23 de março a Orquestra de Guitarras da Academia de Música e Dança do Fundão estará no Festival Internacional de Música de Almada. Por cá, a Academia de Música e Dança do Fundão realiza inúmeros concertos na Páscoa, Natal, encerramento do ano escolar e sempre que o calendário o permite. Por outro lado, a mesma escola, organiza um dos mais conceituados concursos de música do país. O Concurso Internacional Cidade do Fundão.

      Eliminar
  3. Devagar... se vai ao longe. Noutras cidade do Portugal interior, começa a desenhar-se o gosto pela música. Vejamos Castelo Branco, Pinhel, Belmonte, a Guarda onde o Conservatório já tem "forjado" jovens valores que se notabilizam também no estrangeiro.
    Aproveito para publicitar o concerto promovido pelo Conservatório de Música de S. José da Guarda (Valência da Santa Casa da Misericórdia da Guarda): - "Sabat Mater" de Luís Cardoso pela Orquestra de Câmara do CMSJG, Coro Bomtempo e Coro Infantil A, aos quais se juntam os solistas Helena Neves, Soprano e Bruno Martins, Barítono.
    Os concertos acontecerão a:
    22 de Março, às 21h na Sé da Guarda
    23 de Março, às 21h na Igreja da Misericórdia da Guarda.

    ResponderEliminar
  4. E de referir também o excelente concerto que aconteceu na Igreja Matriz do Fundão em 19 de Março, com a Associação Cultural da Beira Interior e o Conservatório de Música de Castelo Branco, concertos integrados no 11º Festival de Música da Beira Interior

    ResponderEliminar
    Respostas
    1. Um Festival em que a Academia de Música e Dança do Fundão se apresentou logo na abertura com uma excelente prestação. Um desempenho que, de resto, foi elogiada por todos os espetadores.

      Eliminar