quinta-feira, 21 de abril de 2016

ANA PAIXÃO EM PARIS

Fico sempre cheio de orgulho quando conterrâneos nossos (nossos, da Beira) afirmam lá fora uma rara capacidade realizadora e uma inteligência viva, que lhes permite encarar o fenómeno cultural como uma realidade dinâmica e transformadora da própria realidade. Um desses casos é Ana Paixão, que é natural de Castelo Branco, e dirige a Casa de Portugal - André de Gouveia, na Cidade Universitária de Paris. É um equipamento cultural relevante na capital de França e pude testemunhar, por diversas vezes em que participei em iniciativas ali realizadas, o alto papel cultural que é o seu património histórico. Lembro-me bem dos sobressaltos vividos no tempo do dr. Rogado Dias, quando, nos anos 90, a instituição esteve em causa. Valeu sempre, diga-se em abono da verdade, o interesse da Fundação Gulbenkian, sem a qual a Casa de Portugal já não existiria.
Mas hoje quero falar de Ana Paixão que, à frente da instituição tem feito um trabalho notável. A última proeza foi, em conjuntura difícil, ter recuperado dois novos espaços para a promoção da cultura portuguesa em Paris: a Sala Fernando Pessoa (antigo teatro da Casa) e a Sala Vieira da Silva, que se destina a acolher uma Biblioteca dedicada à literatura, história e história da Arte, tendo recebido recentemente os acervos de investigadores da cultura portuguesa em França, nomeadamente de Robert Bréchon, José Terra e Georges Boisvert.
Na inauguração dos novos espaços estiveram em Paris o Presidente da República, Marcelo Rebelo de Sousa, o primeiro-ministro António Costa, o presidente da Gulbenkian, Artur Santos silva, ministros, etc. Televisões e Imprensa fizeram reportagem do acontecimento, sempre agarrados como uma lapa aos políticos, mas fiquei espantado como não houve daquelas criaturas que tivesse ouvido a principal protagonista do que ali se vivia, Ana Paixão.
É por isso que, conhecendo como conheço a sua acção, lhe faço daqui um aceno de simpatia e gratidão por tratar tão bem a cultura portuguesa em Paris. Não é a primeira vez que escrevo sobre ela e sei bem que o seu brilhante percurso académico lhe dá condições únicas para a realização do seu trabalho. Ora, oiçam: Ana Paixão é doutorada em Literatura Comparada com uma tese sobre retórica literária e musical em Portugal nos séculos XVII-XIX, é membro do Conselho científico do CESEM (Centro de Estudos de Sociologia e Estética Musical) da Universidade Nova de Lisboa, membro fundador da Sociedade Portuguesa de Retórica e membro da Sociedade Portuguesa de Investigação em Música. Foi Leitora na Universidade de Paris III (entre 2002 e 2004), professora no Conservatório Nacional de Lisboa (entre 2005 e 2010) e neste momento é Leitora na Universidade de Paris VIII. Dirige a Casa de Portugal - André de Gouveia desde dezembro de 2010, onde organiza cerca de 100 eventos por ano com o objetivo de promover a cultura, os artistas e intérpretes portugueses. A Casa de Portugal acolhe cerca de 180 estudantes e investigadores de 30 nacionalidades diferentes, dos quais 103 são portugueses.
Um beijo de parabéns para Ana.

1 comentário:

  1. Parabéns à senhora que tão dignamente nos representa em Paris. Que tem a honra de nos representar. Honra, segundo o que leio, merecida. Mas que é uma sorte viver em Paris e ter meios para o conseguir, isso é.

    Quanto aos políticos e jornalistas que não a referiram...é normal. O mundo visa o parecer e aparecer. E se a senhora é como conta, são dois estados que pouco lhe dizem. A eles sucede o inverso, gostam da ribalta, precisam do encandeio das luzes, dão-lhes a ilusão da sua desnecessária necessidade. Ora bem.

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