terça-feira, 26 de abril de 2016

EXÍLIOS

Os  meus amigos sabem que, na roda do ano, não têm conta as vezes em que participo em apresentações de livros, que são sempre sessões fecundas de ideias e de cultura, que os livros são sempre o alimento primordial do saber. Mas de muitas maneiras e mais uma, devo dizer que o encargo que me é dado por amigos queridos para a sessão que vai realizar-se esta quinta-feira, às 18 horas, na Biblioteca Eugénio de Andrade, no Fundão, para apresentar o livro Exílios, é para mim muito especial, não só plano da memória política, mas também pela expressão afectiva que o universo do Exílio representa, como a mais consequente e frontal rebelião contra a guerra colonial.
O livro que vai ser apresentado Exílios - Testemunhos de exilados e desertores portugueses na Europa (1961-1974), rompe um bocado o tabu ou o cerco de silêncio que esta questão tem tido na sociedade portuguesa, mau grado terem passado já 42 anos sobre o 25 de Abril. Por isso, Exílios é um contributo importante, assente na experiência directa daqueles portugueses que decidiram fazer das suas histórias de vida um registo não só para memória futura, mas para a própria história do século XX português.
Rui Bebiano enquadra bem, no prefácio, o que é a "experiência e memória da deserção e do exílio", assinalando que "quem este livro são pois homens e mulheres que participaram de forma activa neste universo, actuando nos territórios do exílio como consequência da sua opção de desertar das forças armadas portuguesas ou de, junto de comunidades portuguesas emigradas na Europa, manter uma iniciativa de apelo à deserção, de propaganda contra a guerra e, globalmente, da resistência activa e organizada ao regime fascista e colonialista".
Elucidativo é, também, o posfácio da historiadora Irene Pimentel que analisa em profundidade "a deserção, opção política e ética para combater a guerra colonial.


2 comentários:

  1. Por muito que se esforcem os reacinários em denegrir os desertores, sabem os que fizeram a guerra colonial que era maior a coragem de fugir do que a de ficar.

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  2. Acredito piamente que tenha sido difícil o exílio; nenhum exílio é um mar de facilidades. Não acredito que tenha sido pior que a prisão (ou os presos não fugiriam para se exilar) ou o sofrimento de quem ficou a aguentar tudo.

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