terça-feira, 26 de abril de 2016

PAÍS DA MÚSICA, PAÍS DE ABRIL

O maestro Pedro Carneiro dirigiu a Jovem Orquestra Portugueas
Há um país da música dentro de Portugal. Há muitas palavras que nos beijam quando falamos do 25 de Abril, e logo a primeira que salta da caligrafia de esperança que foi "a manhã que esperávamos" o "dia inicial inteiro e limpo" (sempre a Sophia e a sua arte poética apontada ao futuro), é a maior de todas, a Liberdade. Mas é precisamente a partir dela, que o país se inventou como expressão de uma nova humanidade, plasmada no direito ao sonho e à felicidade.
Hoje quero sobretudo fazer um aceno de alegria e gratidão ao 25 de Abril, falando de música, que traduz uma das transformações mais notáveis operadas na sociedade portuguesa e que é um sinal de como a democratização do acesso ao ensino da música é uma das mudanças qualitativas com traço forte na paisagem portuguesa. De Montalegre ao Algarve, o país está cheio de Escolas de Música e de Conservatórios Regionais e de Cursos Superiores, e quem estiver atento descobre  um pouco por todo o lado, jovens transportando os seus instrumentos de estudo a caminho das escolas, conjuntos e orquestras que se formam (sim, também em Castelo Branco, e também na Covilhã, e também no Fundão) , e, suprema glória, não faltam músicos que saem desses universos locais e regionais e conquistam êxitos, cá dentro e lá fora, que são títulos de honra para o país.
Andando pelos Dias da Música no Centro Cultural de Belém, penso que foi aí, na imagem de milhares de pessoas, com natural predomínio de jovens, gente de felicidade à flor do riso, que me pus a olhar para aquela realidade cultural em movimento como se estivesse a ver um País da Música dentro do País de Abril. Já agora, deixem-me partilhar convosco emoções fortes, de que vou dar dois exemplos.  O primeiro memorável, porque é sempre fascinante ouvir A Sinfonia n. 9 Do Novo Mundo, de Antonin Dvorjak, ainda para mais tocada pela Jovem Orquestra Portuguesa, dirigida pelo Maestro Pedro Carneiro. Aquele novo mundo era, também, o mundo que nascia das mãos dos jovens músicos, todos com um rigor e um saber verdadeiramente notáveis. Foi uma grande festa da música que o Grande Auditório do CCB, no final, aplaudiu em apoteose.
O segundo também foi um instante especial: A Canção da Terra, de Gustav Mahler, pelo Ensemble Mediterrain, dirigido pelo violoncelista e maestro Bruno Borralhinho, que é natural da Covilhã e tem um percurso internacional notabilísssimo. Vê-lo ali, na sua leitura de A Canção da Terra, de Mahler, deixem-me dizer, encheu-me de muita alegria, daquela alegria que tem sempre um toque de comoção. É que, Bruno Borralhinho, tem com ele a expressão de alguém que pode ser símbolo do tal País da Música no País de Abril.
E cheio de instantes sublimes, já estamos no 25 de Abril, penso já noutro momento inesquecível, quando descer a Avenida Liberdade, com o meu neto, para lhe ensinar que foi neste dia, há 42 anos, que a Liberdade começou.

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