sábado, 7 de maio de 2016

AS ÁRVORES MORREM DE PÉ!

Ainda há dias escrevia aqui um elogio às árvores, como elementos primordiais da paisagem que nos ajudam a respirar e a encher os olhos de beleza, fascinado com o castanheiro da Índia, com a carvalha monumental ou os plátanos que parecem erguer-se para o céu, ao cimo da avenida da Liberdade, indo depois à procura das sinfonias verbais de Aquilino e de Torga sobre o mundo vegetal, para meu conforto imediato, quando deparo com uma notícia do "El Pais" que é bem o sinal do absurdo (e da estupidez!) com que estamos confrontados na banalidade dos dias.
A jornalista Carmen Morán contava, indignada, que andavam, na Extremadura (e como eu gosto da Extremadura, caramba!) a envenenar castanheiros centenários, com requintes de malvadez. Há, então (e sempre houve) matadores de árvores, como estes que deixaram o seu rasto de morte, em Cáceres. Na autópsia aos assassinatos das árvores, dizia a narrativa que quem feriu de morte a árvore de 300 anos, catalogada como exemplar singular na Extremadura, utilizou uma técnica para fazer os maiores danos: 10 cortes de motoserra, de 10 centímetros cada um, repartidos pela base e pelos braços principais. Ali verteram o fitosanitário glifosato, para o envenanamento ser eficaz.
Volto aos matadores de árvores, que geralmente associam a sua actividade a um ódio sem limites aos espaços públicos. Lembro-me sempre do olmo monumental, em Alpedrinha, que merecera poema de Eugénio, e que um dia a Direcçaão de Estradas mandou abater. Aqui bem perto, não esqueço os maus tratos infligidos aos castanheiros da Índia, no Fundão, na degradada Alameda Amália Rodrigues: as árvores, coitadas, apresentam as feridas abertas nos troncos, mas resistem nobremente, no espaço da feira. Houve uma, contudo, que foi serrada para alargar o espaço visual do tendeiro! Lembro-me de ter denunciado o facto, o meliante tinha sido identificado, mas nada lhe aconteceu...
Essa insensibilidade é a mesma que deixa contaminar a Gardunha, com despejos de todo o tipo, ou o vazadouro em que se transformou o lugar emblemático da Portela da Gardunha.
Brecht, em tempos sombrios, avisou: "Que tempos são estes em que defender uma árvore parece um crime?" Agora, se calhar, podemos dizer: Que tempos são estes em que matar uma árvore não é um crime?

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