sexta-feira, 13 de maio de 2016

CAMINHAR

César António Molina é uma das figuras centrais da III edição do Festival Literário da Gardunha que, na próxima semana se inicia no Fundão, culminando com um diversificado encontro de escritores e ensaístas, nos dias 21 e 22 de Maio, onde não falta, no dia 21, o concerto de Mário Laginha e Camané. César António Molina profere a conferência de abertura do Festival e o antigo ministro da Cultura, ex-director do Instituto Cervantes, e actual director da Casa do Leitor, de Madrid, traz ao Festival Literário uma dimensão ibérica, que, aliás, vem da primeira edição, e que deseja que seja sua imagem de marca, juntamente com a gravitação em outros horizontes, como os da lusofonia.
Mas se agora trago à minha escrita o grande escritor espanhol, poeta e ficcionista celebrado em vários países europeus, é porque o "El Pais" publicou uma desenvolvida matéria sobre César António Molina e o seu sexto volume das suas Memórias de Ficção. Achei curiosa a espécie de legenda de vida que Molina colheu do pai e que lhe tem servido de guia, ao longo da vida: "tudo se resolve caminhando". É a frase que serve de título ao seu último livro. Diz César Molina: "Desde então, caminhar tem sido a minha melhor maneira de pensar, de sonhar, de reflectir. E, além disso, na minha vida, elegi sempre os caminhos mais difíceis que para mim foram os melhores". Palavras sábias. Caminhar, viver, respirar. Procurar nos detalhes das pequenas ruas, no chão de bosques fantásticos, nos caminhos debruados de pedras, nos campos de flores, nas árvores que elevam os altos ramos para o céu, a dimensão do sonho que os olhos nos podem oferecer. Caminhar. "Tudo se resolve caminhando", diz o escritor, e se fizermos uma introspecção ao tempo que vivemos, havemos de nos emocionar se um dia olharmos a espantosa escultura de Giacometti, O homem que caminha, sinal de libertação. Porque "el camino se hace andando", disse o grande poeta António Machado. Caminhemos, então, para fazer caminho, para olhar o rumor do mundo, buscar poesia nas pequena ou grandes aventuras quotidianas que, às vezes, dizia o poeta, são a nossa descoberta de todos os dias.

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