terça-feira, 10 de maio de 2016

ESQUADRÕES DA MORTE

Uma das coisas que mais inquieta o inventário dos dias é a banalidade com que a humanidade é ferida a toda a hora, por ofensas à dignidade humana, por genocídios continuados, por fatalidades organizadas por torcionários visíveis ou ocultos. "Isto dá vontade de chorar!", dizia-me há dias um amigo, enquanto abria o jornal e apontava com o dedo para essas malfeitorias avulsas contra o legado civilizacional, que é a própria dimensão do homem se fazer a si próprio. Andam por aí muitos, com outros eufemismos, a gritar "Viva la muerte!", como o general fascista de Franco, Milan Astray, a quem Unamuno, de viva voz, na Universidade de Salamanca, chamou de "aleijão moral".
Leio, por exemplo, no jornal, que o candidato a Presidente das Filipinas defende esquadrões da morte e diz que gostaria de ter violado uma freira!. Esquadrões da morte? A memória iluminou-se logo com uma tenebrosa organização, ao serviço das ditaduras militares no Brasil, que cometeram crimes hediondos que moralmente nunca prescrevem. E lembrei-me, por isso, daquele deputado energúmeno, que no lamentável Congresso brasileiro fez o elogio do "coronel", torturador (sabe-se lá se matador!) que abençoou alarvemente por ter sido o terror de Dilma, no exercício da tortura.
É. O meu amigo tem razão: isto dá vontade de chorar! O inventário dos dias dilata a inquietação comum.

1 comentário:

  1. Não se entende a erva ruim que grassa: as pessoas perderam a dignidade pessoal e deixaram de se preocupar em honrar os cargos que desempenham. E não perdem isso no silêncio da sua mente, no recato de sua casa. Perdem para o mundo, gorgolejam e arrotam publicamente o seu mau carácter. Sevandijas!

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