quinta-feira, 5 de maio de 2016

HOMENAGEM A MELO E CASTRO NO PAUL

Às vezes, as cidades e as regiões, e num plano mais vasto, os países, não têm consciência da importância dos criadores, daqueles que verdadeiramente se singularizam no plano da invenção cultural, para a afirmação da capacidade dos territórios e das pátrias (grandes ou pequenas) no plano do conhecimento colectivo e da própria inteligência. Penso muito nessa ilha ilusória dos que julgam viver felizes, à margem da realidade cultural, nos quotidianos tristes que auto-excluem qualquer inquietação de ideias e do pensamento.
Mas há sempre quem, atento aos que souberam libertar-se do "reino cadaveroso da estupidez", lutam contra o esquecimento imposto ou tolerado e projectam na comunidade a luz trazida pelo contributo dos que edificaram uma obra e acrescentaram sonho ao tempo que vivemos.
Há uma pessoa e uma estrutura de quem esta região é tributária de muita gratidão pelo que tem feito pela promoção cultural, por um trabalho excepcional em louvor da memória, impondo uma acção singular, no plano do conhecimento e da pedagogia da leitura. Estou a falar do Nelson Oliveira que construiu no Paul a Casa da Cultura José Marmelo e Silva, centrada na obra de um dos escritores mais importantes da literatura portuguesa contemporânea, natural do Paul, e cuja obra tem uma ligação forte à Covilhã, mas uma Casa que polariza, também, uma acção múltipla de divulgação cultural e uma relação de proximidade com o universo escolar do primeiro ciclo. A Casa é um lugar de cultura e harmonia e respirarmos lá as palavras e a escrita de José Marmelo e Silva -- lá estão os livros da sua vida, de certo modo um registo do seu universo criador -- é uma oferta excepcional que as escolas e a Universidade não podem desperdiçar.
A outros serviços notáveis, junta agora a Casa da Cultura José Marmelo e Silva, mais um: a homenagem que vai prestar domingo, dia 8, às 15 horas, ao poeta e ensaísta E.M. de Melo e Castro, autor de uma originalíssima obra no ensaísmo e na poesia, que rompeu sempre as fronteiras do proibicionismo fascista ou das convenções morais de uma uma sociedade bafienta e com cheiro a sacristia. Autor de vastíssima obra, E.M. de Melo Castro, natural da Covilhã, tem a cidade originária e a região no seu coração.
Acompanhei a sua colaboração no "Jornal do Fundão", onde, nos anos 60, dirigiu, juntamente com Herberto Hélder e António Aragão, um Suplemento que seria considerado fundador do movimento da Poesia Concretista em Portugal, facto que a História da Literatura Portuguesa de António José Saraiva e Óscar Lopes reconhecem.
Domingo, lá estarei a dar um abraço ao Poeta e a acenar gratidão ao Nelson Oliveira e à Casa da Cultura José Marmelo e Silva, que vi nascer e a que me encontro ligado desde a primeira hora.

2 comentários:

  1. Há pessoas assim, que ainda bem que nasceram. Como bem diz, "acrescentaram sonho ao tempo que vivemos". Nem mais. Vivam eles. E os seus leitores. Que é neles a vida que ainda lhes pulsa.

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  2. A CASA DA CULTURA JOSÉ MARMELO E SILVA foi concebida pelo CENTRO DE ESTUDOS JOSÉ MARMELO E SILVA [CEJMS] (Direcção: José Emílio Marmelo e Silva e Nelson Marmelo e Silva) que em sessão pública anunciou designar Nelson Marmelo e Silva como seu representante, mandato que tem sido renovado. José Emílio M.Silva

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