terça-feira, 31 de maio de 2016

JORGE PAIVA: O MAIS ÍNTIMO AMIGO DA NATUREZA

Eugénio de Andrade escolheu para título da sua Fotobiografia aquilo que ele julgou traduzir melhor o seu universo pessoal e que, no fundo, não era outra coisa senão trazer uma definição poética para o seu percurso biográfico, quero eu dizer: poético.
A vinda do Prof. Jorge Paiva esta semana à UBI e à região, levou-me à apropriação do título do poeta para modificá-lo e apô-lo ao nome do prestigiadíssimo botânico/biólogo, figura central do Centro de Ecologia Funcional da Universidade de Coimbra, desta forma: o mais íntimo amigo da natureza. E, nesta formulação simples,  estaremos a dizer que haverá poucos, como o Prof. Jorge Paiva, que através de uma vida como professor, investigador, semeador de conhecimento e saberes, que partilhou sempre numa escala de vários continentes, poderá ser nomeado assim, com essa expressão afectiva de o mais íntimo amigo da natureza -- amigo das árvores e das plantas, dos rios que cantam, da biodiversidade como condição primordial da nossa casa comum, quer dizer: o amigo mais íntimo do território que ele quis sempre, e deseja com veemência, mais limpo e habitável.
Fiquei, por isso, naturalmente feliz, quando soube que o Prof. Jorge Paiva vinha proferir uma conferência sobre "Plantas, Mitos, Fabulações e Realidades" no dia 2 de Junho, quinta-feira, às14.30, na Faculdade de Ciências da Saúde/UBI (anfiteatro amarelo). E, mais ainda, por saber que no dia 3, sexta-feira, iria mostrar-nos, para podermos olhar com olhos de ver, a Mata da Margaraça, que é um reduto fantástico de património natural. Seria estulto dizer, por isso, que a presença do Prof. Jorge Paiva na região é um acontecimento cultural relevante e honroso para a própria Universidade da Beira Interior, que acolhe a conferência. Mas neste país a desinformação é tal, que...
Sobre o Prof. Jorge Paiva, cuja obra tem reconhecimento nacional e internacional, personalidade científica altamente premiada, é importante assinalar também, na sua condição de professor e investigador dedicado ao interesse público, um total despojamento material e uma vocação absolutamente invulgar para partilhar conhecimento e exercer uma pedagogia sem desmorecimento em escolas e comunidades, por esse país fora.
Curiosamente, a sua ligação a África consubstancia uma relação de muitos anos de porfiada investigação científica. Há anos, acompanhou os realizadores de um documentário precisamente sobre essa temática (sempre um regresso a Moçambique) e a reportagem do que foram esses dias, então publicada no "Público", é um documento fascinante pela revelação da descoberta ou pelas longas caminhadas que o Prof. Jorge Paiva dirigia à procura da flora perdida (a expressão é minha).
O jornalista anotou, então: "Jorge Paiva gosta de observar as coisas de perto, olhar para as plantas, senti-las, compreender por que é que estão onde estão. Num momento em que a ciência está cada vez mais focada no detalhe, Paiva é uma espécie de último naturalista português, com a visão ampla dos exploradores do passado".
É com ele que vamos estar quinta e sexta-feira.

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