quinta-feira, 16 de junho de 2016

CÂNTICO SOLAR

FILIPE QUARESMA
Há instantes luminosos, acontecimentos que nos emocionam e tocam o coração, coisas que emergem do quotidiano, às vezes um verso ou um livro, uma música sem princípio nem fim, pois é sempre contínua na escala temporal, outras até pode ser uma figura, um nome, uma rua ou uma casa, uma cidade ou uma paisagem. A emoção é também uma liberdade livre, um sentimento de regozijo e alegria, quando somos confrontados com realidades que não cabem no tédio dos dias e se afirmam como especiais, muito especiais e singulares.
O êxito alheio e a notabilidade de pessoas que de certo modo vimos crescer, porque pertencem ao nosso universo de proximidade e assistimos aos seus percursos profissionais, são para mim fonte grada dessas emoções. A música tem sido fértil nesses momentos que nos fazem olhar para a vida com outros olhos.
Ainda no outro dia aqui falei de quanto foi emocionante assistir, no Centro Cultural de Belém, à direcção musical do covilhanense Bruno Borralhinho, actualmente membro da Orquestra Sinfónica de Dresden, da obra de Mahler, A Canção da Terra. E lembrava nessa nota de circunstância a autêntica revolução materializada depois do 25 de Abril na democratização do acesso à educação musical, de que, aliás, há magníficos exemplos em todo o país, designadamente em Castelo Branco, Fundão e Covilhã (ainda recentemente, também no CCB, no concerto da Orquestra Metropolitana de Lisboa, da Quinta Sinfonia de Mahler, havia violinistas da Covilhã e do Fundão).
Mas voltei hoje ao tema por ter lido no "Público" uma critica musical, assinada por Diana Ferreira, em que destaca a alta qualidade de outro músico da Covilhã, o violoncelista Filipe Quaresma. Diz o "Público": "O melhor do concerto do Coro da Casa da Música do passado domingo foi o Cântico do Sol, da compositora russa Sofia Gubaidulina (1931). O título atribuído ao concerto coincidia, aliás, com o desta obra para violoncelo, coro de câmara e percussão, com que Filipe Quaresma uma plateia bastante composta, encerrando  uma viagem que abordou mundos distintos. (...) Refira-se que Filipe Quaresma é um violoncelista com bastante e diversificada experiência, movendo-se com facilidade tanto no mundo da música antiga como na da contemporânea, a solo, em agrupamentos de câmara e em orquestra.(...) a execução de Filipe Quaresma foi tecnicamente limpa, uma interpretação bastante sóbria e digna de um bom violoncelista, destacando-se a beleza da sua Sarabanda e a leveza do Minueto II". E no final, escreve a crítica referindo-se a O Cântico Solar: "Não é de destreza e acrobacia,mas sim de música que trata esta obra: Filipe Quaresma mostrou-se com ela excelente músico e solista".
Não é fantástico sabermos que conterrâneos nossos voam tão alto no universo criador? Orgulho é a palavra com dimensão colectiva que me apetece citar.

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