quinta-feira, 2 de junho de 2016

DUAS HISTÓRIAS

O Miró numa foto de Margarida Dias
Hoje, apetece-me trazer aqui duas histórias, uma do Jorge Listopad, outra minha. De Listopad, colhi-a do livro de que já aqui falei, Secos e Molhados, recheado de excelentes crónicas e da fina ironia que o Jorge trouxe de Praga, que tem marcado toda a sua obra. O livro é do início dos anos 80, mas quando o frequento, o que acontece amiúde, descubro coisas de actualidade, como esta pequena história que aqui deixo:

Como ensinar o filho

"Ó pai, esta firma chama-se Nacional. Quer dizer que é portuguesa?"
"Não necessariamente."
"Então, como se chama Nacional?"
"Chama-se Nacional em cada país onde existe."
"Não compreendo."
"Vai aprendendo que nem tudo o que se chama Nacional é de origem. Às vezes encobre um monopólio estranho."
"Qual é a língua deles?"
"A dos números."

*****

Agora, a minha:

O neto ensina o avô

Manhã cedo, oito horas da matina, o Francisco saltou da cama e começou a cirandar pela casa. Fui deambular com ele, inventar magias que nunca resultam, histórias que sobem sempre da realidade para o fantástico, que é do que os miúdos gostam, outros porquês que estão sempre na ponta da língua das crianças. O cão, o Miró, dormia enrolado no sofá, e, se abriu um olho para apurar as movimentações à sua volta, voltou logo a fechá-lo, ao peso do sono. Estava realmente a dormir.
Eu aproveitei para aquelas exteriorizações de ternura que os avós gostam de fazer aos netos, que são sempre o melhor dos mundos.
E o Francisco, muito rápido:
-- Oh, avô! Beijinhos de amor acordam o Miró!
O cão continuou a dormir.

1 comentário:

  1. Sem menosprezar as duas histórias o Miró é um amor de cão.

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