domingo, 5 de junho de 2016

O DONO DA BOLA...

Quase ao mesmo tempo em que António Costa desmontava, no Congresso do PS, o argumentário da direita, cada vez mais inquieta com o apoio parlamentar da esquerda (PS, PCO, BE) ao governo do Partido Socialista, e, sobretudo, com a solidez do acordo, Passos Coelho afirmava em Coimbra, numa reunião de autarcas sociais-democratas (é assim que se auto-designam) que o actual regime em que o país vive não é democrático.
Durante meses, os arraiais do PSD e do CDS, orfãos de poder, gastaram-se a dizer aos ventos que a solução governativa encontrada para Portugal, não era legítima; meses depois, vergados ao peso da realidade, afirmavam que afinal era legítima, mas injusta.
Agora, para o ex-primeiro-ministro, o actual regime não é democrático! Duma penada, Passos Coelho transportou Portugal para o universo dos países onde a democracia é metida no alçapão das inutilidades, dando lugar a aberrantes situações políticas, se calhar com "safanões a tempo" e outras técnicas de autoritarismo expresso ou mitigado.
Que um pateta qualquer -- e não faltam por aí comentadores a prestar-se ao frete! --, diga isso, vá que não vá. Mas um ex-primeiro-ministro passar assim por cima de presidentes da República (de forma especial, Marcelo), de constitucionalistas, da Assembleia da República onde se senta e come o pão, é uma vergonha e uma irresponsabilidade, que devem levar-nos a questionar que tipo de gente esteve quatro anos à frente dos destinos de Portugal.
Um amigo meu, com quem discorria sobre o assunto, desvalorizou e disse-me:
-- É pá, é muito fácil! Tudo aquilo é despeito de ter sido sacudido de S. Bento, que ele julgava ter como lugar cativo, como aqueles do futebol!
-- Achas que é birra?
-- Claro! Lembras-te de quando éramos putos e íamos jogar à bola?
-- Se lembro...
-- Então, estás a ver que aparecia sempre um de nós, que era o dono da bola. O problema é que, às vezes, ele não dava meia para a caixa, não jogava nada, não defendia nem atacava, e, por via dessa inabilidade, ficava fora das equipas. A malta dizia-lhe: deixa-te estar aí a ver, que mais daqui a bocado já jogas... Ele, agarrava na bola: eu é que sou o dono da bola, assim ninguém joga...
Por momentos, parecendo que estávamos a rebobinar um filme antigo, demos uma boa gargalhada.
O Passos Coelho julga que é o dono da bola, mas tem um problema: não percebe nada de política e por isso anda por aí a dar caneladas ou pontapés na atmosfera...

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