sexta-feira, 8 de julho de 2016

A TRAGICOMÉDIA DA EUROPA


Há uma tragicomédia em cena na Europa, em que os actores políticos, tipos de categoria inferior, se riem da própria desgraça que paciente e persistentemente vão urdindo, como uma enorme teia de fatalidades. O palco em que eles se movimentam (não respeitando marcações, claro!) é o projecto europeu. Os mecanismos cénicos desenvolvem, então, tudo aquilo que é contrário ao que a Europa historicamente foi construindo como espaço de civilização e solidariedade, de cidadãos e não de súbditos, de cultura e de utopia igualitária, e não -- como estes sujeitinhos querem -- de desigualdades e sofrimento.
Sobe o pano na Tragicomédia e aí estão eles no seu jogo histriónico, levantando facas às costas dos países, abrindo as páginas da morte da própria Europa, isto é: a tentativa de acabar de vez com um projecto que, dizem, foi o mais belo e inovador desenho do velho Continente. A tragédia é comédia e a comédia tragédia. A parte mais funda deste drama de involuntária comicidade, é a que se reproduz no cenário das grandes instituições europeias, com os seus panejamentos solenes e as suas liturgias oportunistas, a questão das sanções por défice excessivo, no caso português à retroactividade de Passos Coelho (2013-2014), e às suas duas décimas de excesso.
Claro que se por aqui estivesse o Bordalo, ele faria logo a caricatura da situação: -- Queres sanções? Toma... Aí estava o manguito colossal, que era o que aquela gentinha merecia.
Nem de propósito, no "El Pais", Xavier Vidal-Foch, a propósito das ameaças a Espanha, lembrava que "a Alemanha foi o primeiro grande violador do PEC, em 2003, quando rebaixou o topo de défice de 3% para 4,2%" e "logo suspendeu o castigo e o próprio pacto" impondo "o seu poder para reescrevê-lo a seu favor já em 12005". E outra lembrança: "A Alemanha está sendo reiteradamente incluída na lista de incumpridores de uma norma chave, o Procedimento de Desequilíbrios Macroeconómicos (PDM)."
A tragicomédia avança. E hoje mesmo soube-se que Durão Barroso, o cavalheiro que este dez anos desta Europa a desfazer-se em conúbios financeiros, foi nomeado CEO da Golden Sachs, que tanto ajudou a atirar o mundo para a desgraça financeira em que está. O Vilhena, se por cá estivesse, certamente incluiria isto num capítulo da História da Pulhice Humana.

1 comentário:

  1. Dou-me um bocado mal com violências, mas não é que me apetecia que alguém se chegasse ao sujeito e lhe desse uns pares de murros bem assentes e dissesse, isto é o obrigado dos portugueses e da Europa.

    Há gente que não merece - porque o recusa - o legado de ser pessoa. É o caso deste indivíduo abjecto.

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