segunda-feira, 11 de julho de 2016

GANHÁMOS!

Habituados às vitórias morais, tivemos agora uma, bem real, na Europa do futebol. Foi bonito ver Portugal vencer a França em Paris. E a vitória, sendo apenas uma vitória no historial do futebol português e europeu, adquire uma dimensão simbólica que a projecta sobre todas as humilhações infligidas por outras instâncias europeias, e, também, sobre um país do sul sobre o qual caiu, nos últimos anos (não é verdade, Alemanha? Não é verdade, Coimissão Europeia? Não é verdade, Ecofin?)
Depois, há um sabor especial por esta vitória acontecer contra a França, em Paris, país e cidade que são pátria da emigração portuguesa. Há na aventura de pobre que é sempre a emigração, uma fronteira de desigualdade e subalternidade cívica que tem a ganga de uma dimensão temporal longa. Também aí, nesse espaço (veja-se o que acontece e como a Europa trata hoje outras emigrações!) não falta um tempo longo de humilhações.
Daí que esta vitória, como e quando, não deixa de originar uma grande festa colectiva e nacional. E em França, onde tudo se passou, foi a vez dos portugueses dizerem, de cabeça levantada e com orgulho:
-- Ganhámos!
A festa está na rua. Um país tão vergado ao peso de imposições de pobreza faz da vitória no Euro a afirmação colectiva de um país. Eu bem aqui tinha escrito: "Bola prá frente, rapazes!" E a bola entrou na baliza francesa, no prolongamento, com um grande chuto de Éder. "Ganhámos, caraças!"

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